Candidato ao Senado é criticado por associar adversário a crimes sexuais e questionar idoneidade profissional de vítima para obter vantagem eleitoral.
O candidato ao Senado por São Paulo, Ricardo Salles (Novo), tornou-se alvo de forte repúdio após utilizar um caso de estupro intrafamiliar para atacar o deputado estadual e adversário político André do Prado. Durante a campanha, Salles resgatou a condenação de José Renato da Silva, ex-chefe de gabinete de Prado, que abusou sexualmente da própria filha e das netas, acusando o parlamentar de omissão. Além disso, o candidato insinuou que o emprego público ocupado pela filha do agressor na Prefeitura de Suzano seria uma espécie de suborno para garantir seu silêncio sobre o caso.
A declaração gerou a manifestação imediata da família afetada, que veio a público desmentir a versão do candidato e condenar a exploração eleitoral da tragédia. Afrânio Evaristo, marido da vítima, classificou a atitude como abominável e esclareceu que André do Prado prestou total acolhimento à família quando os fatos vieram à tona. Segundo Afrânio, o agressor foi exonerado e expulso dos quadros do partido no dia seguinte à descoberta dos abusos, permitindo que o processo legal avançasse até a condenação sem qualquer proteção política.
A advogada e servidora pública Cíntia Lira, filha do abusador e vítima dos crimes, também divulgou um posicionamento contundente contra Salles. Ela rebateu a insinuação de que seu silêncio teria sido comprado, destacando que trabalha em Suzano desde muito antes da revelação da violência sofrida por ela e por suas filhas. Cíntia repudiou a atitude do candidato de reviver o trauma familiar em benefício próprio e criticou a tentativa de invalidar sua trajetória e competência profissional com acusações infundadas.
