Levantamento da A Guardiã da Notícia em portarias e atos oficiais do Ministério da Saúde mostra avanço dos recursos federais destinados ao município. Cajamar aparece contemplada com investimentos em saúde mental, atenção básica, equipamentos e urgência, enquanto amplia sua própria estrutura para atender uma população que cresceu fortemente nas últimas décadas.
Por Gabrielle Tricanico | REGIONAL | CAJAMAR
A saúde de Cajamar ganhou espaço na estratégia de investimentos federais voltados à ampliação e modernização do Sistema Único de Saúde. De acordo com levantamento da A Guardiã da Notícia em portarias, atos oficiais e dados do Ministério da Saúde, o município aparece contemplado em diferentes frentes, envolvendo construção e estruturação de unidades, saúde mental, Atenção Primária e atendimento de urgência.
Os investimentos ocorrem durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, principalmente dentro das políticas conduzidas pelo Ministério da Saúde e do Novo PAC Saúde.
A análise da A Guardiã, entretanto, faz uma diferenciação importante: nem todo dinheiro federal que chega ao município pode ser classificado da mesma maneira. Existem investimentos estruturantes vinculados aos programas do governo federal, transferências regulares do SUS e recursos originados de emendas parlamentares.
Essa separação permite dimensionar com maior precisão a participação da União no fortalecimento da saúde de Cajamar.
R$ 2,143 milhões para CAPS em Cajamar
Um dos investimentos de maior impacto identificado pela reportagem está relacionado à saúde mental.
Portaria do Ministério da Saúde autorizou R$ 2,143 milhões para o Fundo Municipal de Saúde de Cajamar, destinados à execução de obra para um Centro de Atenção Psicossocial, o CAPS.
O recurso está enquadrado no Bloco de Estruturação da Rede de Serviços Públicos de Saúde e relacionado ao Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC.
A portaria estabelece ainda que os recursos são destinados a investimento e que a execução das propostas deve ser acompanhada pelo sistema federal de monitoramento de obras.
A ampliação da estrutura de saúde mental é particularmente relevante porque o CAPS não funciona apenas como uma unidade de consultas. O modelo envolve acompanhamento continuado e atuação multiprofissional para pacientes que necessitam de assistência especializada.
Para Cajamar, significa aumentar a capacidade de oferecer esse atendimento dentro do próprio município.
Ministério da Saúde também registra investimento em UBS
A Atenção Primária aparece como outra frente importante da presença federal.
Em atos oficiais do Ministério da Saúde analisados pela A Guardiã, Cajamar aparece entre os municípios paulistas contemplados com proposta relacionada à construção e requalificação de Unidade Básica de Saúde.
O município também integrou as seleções do Novo PAC Saúde envolvendo combos de equipamentos destinados às UBS.
A política nacional foi estruturada para modernizar as Unidades Básicas de Saúde, aumentando sua capacidade de diagnóstico, atendimento e acompanhamento dos pacientes.
Os equipamentos previstos pelo programa federal podem incluir tecnologias e instrumentos voltados a diagnóstico, fisioterapia, acompanhamento de pacientes e estruturação das unidades.
O Ministério da Saúde estabeleceu nacionalmente a oferta de 10 mil combos de equipamentos para UBS, como parte da estratégia de modernização da Atenção Primária.
Para uma cidade em expansão como Cajamar, esse investimento tem impacto que vai além da compra de equipamentos.
Uma Atenção Primária mais resolutiva pode evitar que problemas de menor complexidade avancem e terminem pressionando hospitais, pronto atendimento e unidades de emergência.
SAMU também entra na estratégia federal
O atendimento de urgência aparece em outra frente dos investimentos.
Nas seleções do Novo PAC Saúde, Cajamar também aparece relacionada à política de ampliação e expansão do SAMU 192.
A iniciativa federal prevê aquisição de ambulâncias para expansão do serviço e renovação da frota em municípios brasileiros.
O reforço é especialmente estratégico para Cajamar pelas próprias características territoriais e econômicas da cidade.
O município está inserido em uma das regiões logísticas mais importantes do Estado de São Paulo e possui intenso fluxo de trabalhadores e veículos, além da proximidade com importantes corredores rodoviários.
Isso faz com que a estrutura de urgência e emergência tenha de responder não somente ao crescimento da população residente, mas também à movimentação diária existente no território.
Governo federal já havia destinado recurso para UBS de Cajamar no Novo PAC
O levantamento da A Guardiã também encontrou Cajamar entre os municípios contemplados na primeira fase do Novo PAC Saúde.
Em portaria publicada pelo Ministério da Saúde, aparece uma proposta de Unidade Básica de Saúde para Cajamar, dentro das ações selecionadas pelo governo federal.
O registro reforça que a participação da União na expansão da rede municipal não está concentrada em apenas um projeto.
CAPS, Atenção Primária, equipamentos para UBS e atendimento móvel de urgência formam um conjunto de ações que aumenta a presença do financiamento federal na estrutura de saúde da cidade.
Recursos federais precisam ser separados das emendas parlamentares
Outra parcela importante do dinheiro que chega à saúde municipal vem de emendas parlamentares.
Em 2025, foram registrados R$ 5 milhões destinados ao incremento temporário do custeio da Atenção Primária de Cajamar e outros R$ 5 milhões voltados ao custeio da assistência hospitalar e ambulatorial.
Somadas, as duas destinações chegam a R$ 10 milhões.
Neste caso, porém, é necessário fazer uma distinção.
Embora os recursos integrem o orçamento federal e sejam operacionalizados pelo Fundo Nacional de Saúde, sua origem está vinculada a emendas parlamentares.
Portanto, não devem ser contabilizados simplesmente como investimentos discricionários realizados diretamente pelo Ministério da Saúde.
A diferenciação é fundamental para que a população saiba exatamente de onde vem o dinheiro destinado à saúde da cidade.
Estrutura municipal também cresce
O reforço federal encontra uma rede municipal que também vem recebendo investimentos próprios.
Em julho de 2026, o Complexo de Saúde de Cajamar recebeu um novo tomógrafo.
Segundo informações divulgadas pelo município, o equipamento permite acrescentar mais de 500 tomografias por mês à capacidade de atendimento da rede.
Até então, o Hospital Municipal concentrava o equipamento utilizado tanto para pacientes com exames agendados quanto para casos de urgência e emergência.
Com o novo aparelho instalado no Complexo de Saúde, a cidade passa a dividir essa demanda e aumenta a capacidade de realização dos exames.
O município também vem estruturando serviços como ressonância magnética, hemodiálise e outros atendimentos especializados.
A estratégia tem um efeito regional importante: quanto mais procedimentos Cajamar consegue realizar dentro de seu território, menor é a necessidade de enviar pacientes para outras cidades.
Hemodiálise reduz necessidade de deslocamento
A implantação do serviço de hemodiálise é um exemplo dessa busca por maior autonomia.
Antes, pacientes que dependiam do procedimento precisavam recorrer a estruturas existentes fora do município.
A oferta local reduz deslocamentos frequentes justamente para um grupo de pacientes que necessita de acompanhamento contínuo.
A rede também passou a oferecer ressonância magnética e ampliou a estrutura de diagnóstico por imagem.
São serviços que ajudam a modificar o papel de Cajamar dentro da organização regional da saúde.
A cidade deixa gradualmente de depender exclusivamente de estruturas externas para determinados procedimentos e passa a ampliar sua própria capacidade assistencial.
População cresceu mais de 80% desde 2000
Existe uma razão demográfica para essa expansão ser necessária.
Cajamar tinha 50.761 habitantes em 2000.
Dez anos depois, a população havia alcançado 64.114 moradores.
No Censo de 2022, o município chegou a 92.689 habitantes.
Isso representa crescimento de aproximadamente 82,6% em apenas 22 anos.
Entre 2010 e 2022, a expansão foi de aproximadamente 44,6%.
Em pouco mais de duas décadas, Cajamar ganhou quase 42 mil moradores.
Esse crescimento altera completamente a pressão sobre a estrutura pública.
São milhares de novos usuários potenciais das UBS, pronto atendimento, hospitais, farmácias públicas, exames, especialidades médicas, saúde mental e serviços de emergência.
Por isso, o aumento do investimento não pode ser analisado isoladamente.
A questão central é saber se a capacidade do SUS municipal está crescendo na mesma velocidade da população.
Governo Lula aposta no Novo PAC Saúde
A expansão observada em Cajamar está inserida em uma política nacional do governo Lula para aumentar a infraestrutura do SUS.
O Novo PAC Saúde contempla investimentos em construção de UBS, policlínicas, maternidades, Centros de Atenção Psicossocial, ambulâncias do SAMU, equipamentos e outras estruturas.
No caso específico de Cajamar, o levantamento realizado pela A Guardiã da Notícia em documentos oficiais do Ministério da Saúde demonstra que o município conseguiu entrar em diferentes frentes dessa política.
Isso amplia a presença do governo federal no financiamento da estrutura local de saúde.
Mas também aumenta a responsabilidade de acompanhamento.
Anunciar um investimento é diferente de concluir uma obra, instalar equipamentos e transformar recursos públicos em atendimento.
Investimento precisa chegar ao paciente
Essa será a próxima etapa que deverá ser acompanhada.
O resultado dos milhões destinados à saúde de Cajamar precisa aparecer em indicadores objetivos.
Entre eles estão redução do tempo de espera por consultas, diminuição das filas de exames, quantidade de procedimentos realizados dentro do próprio município, cobertura da Atenção Primária, atendimento em saúde mental e redução dos encaminhamentos para outras cidades.
É justamente neste ponto que investimento federal e autonomia municipal se encontram.
Para uma cidade que cresceu mais de 80% desde 2000, possuir uma estrutura própria mais robusta significa reduzir a dependência do sistema regional e permitir que uma parcela maior das necessidades dos moradores seja resolvida dentro de Cajamar.
Os documentos oficiais mostram que o governo federal, durante a gestão Lula, ampliou sua presença nos investimentos em saúde destinados ao município, especialmente por meio do Novo PAC e das políticas conduzidas pelo Ministério da Saúde.
Ao mesmo tempo, Cajamar amplia equipamentos e serviços com investimentos municipais.
A combinação dessas duas frentes pode representar uma mudança de patamar para a saúde da cidade.
Mas o verdadeiro indicador do sucesso dessa expansão não será apenas o volume de dinheiro anunciado.
Será a capacidade de transformar CAPS, UBS, equipamentos, SAMU, tomógrafo, hemodiálise e recursos de custeio em algo que o cidadão consiga perceber diretamente: menos espera, mais exames, atendimento especializado mais próximo e menor necessidade de sair de Cajamar para cuidar da própria saúde.
