Primeira bebê nasce na Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa e marca o início dos partos no primeiro equipamento municipal voltado exclusivamente à saúde da mulher e da criança. O momento encerra uma espera de anos e representa um novo capítulo para a assistência materno-infantil em Mogi das Cruzes.
Por Gabrielle Tricanico | Alto Tietê | Mogi das Cruzes
Às 9h35 desta terça-feira (5), a pequena Liz Gabriela entrou para a história de Mogi das Cruzes. Filha de Bianca de Almeida Manera, de 24 anos, e Renan Guedes, moradores de Jundiapeba, ela foi a primeira bebê a nascer na Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa, tornando-se símbolo de uma conquista aguardada por milhares de famílias mogianas.
Liz nasceu saudável, pesando 3,315 quilos e medindo 48 centímetros. O parto aconteceu em um ambiente preparado durante meses por equipes multiprofissionais treinadas para o início da operação da unidade. Logo após o nascimento, familiares acompanharam o primeiro encontro com a bebê por meio da “Janela da Vida”, tecnologia implantada pela maternidade para proporcionar um momento de acolhimento e humanização.
Pouco mais de uma hora depois, às 11h12, nasceu Levi, segundo bebê da unidade. Filho de Caluana dos Santos e Daniel, Levi veio ao mundo com 3,490 quilos e 49 centímetros, consolidando o início da operação da maternidade municipal.
A unidade começou a funcionar de forma gradual após sua inauguração oficial, realizada em maio deste ano. Inicialmente, foram implantados os atendimentos ambulatoriais, exames especializados e o Banco de Leite Humano. Agora, inicia a fase dos partos eletivos e, nos próximos meses, deverá entrar em funcionamento pleno, com pronto atendimento obstétrico, cirurgias ginecológicas e pediátricas e ampliação dos serviços especializados.
Com sete pavimentos, 90 leitos, centro obstétrico, centro cirúrgico, UTI neonatal, Banco de Leite Humano e estrutura planejada para atendimento humanizado, a maternidade passa a integrar definitivamente a rede municipal de saúde, reduzindo a necessidade de deslocamento de gestantes para outras cidades e ampliando a capacidade de atendimento do Alto Tietê.
O nascimento de Liz representa mais do que o início das atividades de um hospital. Simboliza a concretização de uma demanda histórica das mulheres de Mogi das Cruzes, que durante anos reivindicaram um equipamento público especializado para o acompanhamento da gestação, do parto e dos primeiros cuidados com os recém-nascidos.
Opinião | Gabrielle Tricanico
A pequena Liz Gabriela talvez nunca imagine o peso histórico que carrega em seu nascimento.
Ela não é apenas a primeira bebê da Maternidade Municipal. Ela representa o momento em que uma obra pública finalmente passou a cumprir sua razão de existir.
Como jornalista, acompanhei de perto toda a discussão em torno deste hospital. Durante a gestão do ex-prefeito Caio Cunha, a maternidade permaneceu sem realizar partos. Para mim, aquele prédio transformou-se em um verdadeiro mausoléu da saúde pública: uma estrutura existente, mas incapaz de cumprir sua finalidade mais importante, que era acolher mulheres, receber crianças e salvar vidas.
Com a eleição da prefeita Mara Bertaiolli, esse cenário começou a mudar. A nova administração priorizou a implantação da maternidade, estruturou equipes, concluiu treinamentos, colocou protocolos em prática e abriu as portas para que o hospital deixasse de ser apenas concreto e passasse a prestar atendimento.
Hoje existe uma diferença impossível de ignorar.
Antes havia um prédio vazio. Um mausoléu de um projeto que não cumpria sua função social.
Hoje há um hospital funcionando, com mães sendo acolhidas, profissionais trabalhando e crianças nascendo em um equipamento que finalmente passou a servir à população.
O primeiro choro de Liz Gabriela rompeu o silêncio que durante anos marcou aquele prédio.
Para mim, esse é o verdadeiro significado deste momento histórico.
Uma maternidade não se mede pelo tamanho da obra ou pela placa de inauguração. Ela se mede pelo primeiro bebê que nasce, pela primeira mãe acolhida e pela primeira família que sai dali com a certeza de que a saúde pública cumpriu seu papel.
Foi exatamente isso que aconteceu nesta semana em Mogi das Cruzes.
Liz Gabriela não inaugurou apenas um centro obstétrico.
Ela inaugurou uma nova etapa da saúde pública mogiana e encerrou, de forma definitiva, um dos capítulos mais frustrantes da história recente da cidade.
Texto e reportagem no portal por Gabrielle Tricanico.
