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Litoral de SP | Máfia italiana: operação revela que rede ligada à ’Ndrangheta manteve tráfico de cocaína após prisão de pai e filho em Praia Grande

Nicola e Patrick Assisi foram capturados no Litoral de São Paulo em 2019; nova fase da investigação alcançou Santos, São Caetano do Sul e outras cidades e apura a continuidade de uma estrutura internacional de tráfico e lavagem de dinheiro

Por Gabrielle Tricanico | POLÍCIA E JUSTIÇA | LITORAL DE SÃO PAULO

Uma investigação internacional sobre a atuação da máfia italiana ’Ndrangheta volta a colocar o Litoral de São Paulo no centro de uma ampla apuração sobre o tráfico internacional de cocaína entre a América do Sul e a Europa.

A Operação Eredità investiga uma estrutura criminosa que, segundo as autoridades, teria continuado movimentando drogas e recursos financeiros mesmo depois da prisão dos italianos Nicola Assisi e Patrick Assisi, pai e filho capturados pela Polícia Federal em julho de 2019, em Praia Grande.

A conexão regional é um dos pontos centrais do caso. Além de Praia Grande ter sido o local da captura dos Assisi, a nova ofensiva atingiu endereços em Santos e São Caetano do Sul, além da capital paulista, Americana e Palhoça, em Santa Catarina.

As investigações apontam que familiares e pessoas próximas aos Assisi teriam assumido funções dentro da estrutura após as prisões, permitindo a continuidade de parte das operações atribuídas ao grupo.

Prisão em Praia Grande abriu caminho para investigação

Nicola e Patrick Assisi eram procurados pela Justiça italiana quando foram localizados em Praia Grande, em julho de 2019.

Os dois eram apontados pelas autoridades como integrantes de uma estrutura ligada à ’Ndrangheta e investigados pela participação no fornecimento de cocaína destinada ao mercado europeu.

A captura no Litoral de São Paulo passou a ser um dos principais capítulos brasileiros de uma investigação de alcance internacional. Após as prisões, os dois permaneceram no sistema penitenciário federal brasileiro enquanto avançavam procedimentos judiciais relacionados ao caso.

No Brasil, Nicola e Patrick também foram processados por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas.

Rede teria sobrevivido à prisão dos principais operadores

O que ocorreu depois das prisões tornou-se um dos principais pontos da Operação Eredità.

A investigação aponta que o envio de cocaína do Brasil para a Europa teria continuado e que parentes e outros integrantes da estrutura teriam assumido atividades anteriormente desempenhadas pelos principais investigados.

O grupo também é investigado pela utilização de mecanismos financeiros destinados à movimentação e possível ocultação de recursos provenientes do tráfico internacional.

As autoridades apuram se familiares e pessoas de confiança preservaram contatos com fornecedores de drogas e operadores responsáveis pela logística e pelas movimentações financeiras relacionadas às remessas internacionais.

Entre os alvos da nova etapa da investigação está Paula Simoes, mulher de Patrick Assisi.

A estrutura investigada é relacionada a pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que somariam aproximadamente 4,6 toneladas de cocaína.

Uma dessas cargas teria aproximadamente 2,2 toneladas e já estaria no Brasil quando Nicola e Patrick foram presos em Praia Grande.

Operação chega a Santos e ao Grande ABC

A Operação Eredità avançou em setembro com mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além de medidas destinadas ao bloqueio de patrimônio e recursos financeiros relacionados aos investigados.

Na Baixada Santista, um advogado de Santos está entre os investigados. A apuração busca esclarecer se ele teria exercido funções dentro do núcleo financeiro da estrutura depois das prisões dos Assisi. A defesa nega participação criminosa.

A dimensão territorial da operação chama atenção porque conecta diferentes regiões estratégicas de São Paulo.

Praia Grande aparece como o município onde Nicola e Patrick foram capturados em 2019. Santos surge na nova etapa da investigação. São Caetano do Sul coloca o Grande ABC no mapa da operação, enquanto também foram realizadas diligências na capital e no interior paulista.

Essa distribuição geográfica amplia a dimensão regional do caso e mostra como uma investigação iniciada a partir de uma organização criminosa italiana alcançou diferentes pontos do território paulista.

Carabinieri participam da investigação

A Operação Eredità envolve cooperação entre autoridades brasileiras e italianas.

No Brasil, as investigações mobilizam a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Na Itália, participam autoridades de Turim e integrantes dos Carabinieri especializados no combate ao crime organizado.

O objetivo é reconstruir a estrutura operacional e financeira que teria permitido a continuidade das atividades mesmo depois da prisão de integrantes apontados como relevantes dentro da organização.

Os materiais recolhidos durante a operação devem ser analisados para aprofundar a investigação sobre possíveis crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Para o Litoral de São Paulo, o caso ganha relevância especial. Uma investigação que teve um de seus principais capítulos brasileiros com a captura de dois procurados internacionais em Praia Grande agora volta à Baixada Santista, alcança Santos e se estende até o Grande ABC.

A apuração busca agora identificar quem teria assumido as operações após as prisões e como uma estrutura atribuída à ’Ndrangheta conseguiu manter conexões entre o Brasil e a Europa mesmo com alguns de seus principais investigados atrás das grades.

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