Imagens atribuídas ao naufrágio do GFS Pride mostram caixas de celulares e perfumes sendo recolhidas no mar; embarcação de Singapura afundou após incêndio, e 21 tripulantes foram resgatados.
Por Gabrielle Tricanico | INTERNACIONAL | ESTREITO DE ORMUZ
O naufrágio do navio GFS Pride no Estreito de Ormuz ganhou repercussão internacional após a divulgação de imagens atribuídas a pescadores recolhendo caixas de iPhones e perfumes entre mercadorias à deriva. O cargueiro de bandeira de Singapura sofreu danos, pegou fogo e afundou durante a travessia da região. Segundo a autoridade marítima de Singapura, os 21 tripulantes foram resgatados em segurança, sem ferimentos.
O afundamento foi confirmado na quarta-feira, 14 de outubro, após o incidente registrado na terça-feira (13). Enquanto contêineres flutuantes passaram a representar risco à navegação, relatos sobre iPhones no mar após o naufrágio chamaram a atenção nas redes sociais.
IPHONES E PERFUMES NO MAR: O QUE SE SABE SOBRE A CARGA
Reportagens internacionais, com base em informações do jornal britânico The Telegraph, descrevem pescadores iranianos recolhendo celulares e perfumes que teriam escapado dos contêineres do GFS Pride.
Entretanto, a quantidade de iPhones recuperados, os modelos dos aparelhos e o valor das mercadorias não foram estabelecidos pelas informações disponíveis. Também não é possível concluir, apenas pelas imagens, se os produtos recolhidos permaneceram em condições de funcionamento.
O jornal The National informou que não conseguiu verificar de maneira independente a localização, a data e a relação de determinados vídeos com o navio. A publicação também identificou imagens produzidas por inteligência artificial circulando associadas ao naufrágio.
NAVIO GFS PRIDE AFUNDOU APÓS ATINGIR MINA?
A causa do naufrágio no Estreito de Ormuz apresenta versões distintas. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a embarcação atingiu uma mina marítima ao utilizar uma rota classificada pelas autoridades iranianas como não autorizada.
Já relatos de segurança marítima apontaram que o cargueiro foi atingido por um projétil não identificado antes do incêndio e do afundamento.
A empresa de análise de riscos marítimos Marisks declarou não haver evidência independente que comprovasse a versão da mina. Dessa forma, o uso desse artefato não pode ser apresentado como causa definitivamente estabelecida.
CAPACIDADE DO CARGUEIRO NÃO CONFIRMA QUANTIDADE DE CONTÊINERES PERDIDOS
O GFS Pride tinha capacidade para transportar 2.824 TEUs — medida equivalente a contêineres de 20 pés, utilizada no transporte marítimo internacional.
Essa capacidade não significa que o navio estivesse completamente carregado. Sem um manifesto de carga divulgado, permanece incerta a quantidade efetiva de contêineres embarcados, assim como o volume de celulares, perfumes e outros produtos transportados.
CONTÊINERES À DERIVA AMEAÇAM A NAVEGAÇÃO
Além dos prejuízos materiais, o naufrágio do GFS Pride deixou obstáculos na água. A autoridade marítima do Paquistão emitiu um alerta sobre contêineres flutuantes na região, que podem provocar colisões e dificultar a passagem de outras embarcações.
O episódio reúne questões que vão além das imagens de mercadorias no mar: a segurança dos tripulantes, as circunstâncias do afundamento e os riscos provocados pela dispersão da carga continuam no centro da atenção sobre o desastre.
