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Passagens aéreas podem subir até 25%: reforma tributária acende alerta para turismo, negócios e passageiros de São Paulo

Latam projeta que seus impostos anuais podem passar de R$ 2 bilhões para R$ 6 bilhões com a implementação completa do novo sistema. Para cidades atendidas pelos aeroportos paulistas, impacto pode chegar ao bolso do passageiro e atingir turismo, comércio, eventos e geração de empregos.

Por Gabrielle Tricanico | ECONOMIA | SÃO PAULO

A reforma tributária pode transformar o preço de uma viagem aérea em uma questão também regional. A projeção apresentada pela Latam Brasil de que sua carga anual de impostos pode saltar de aproximadamente R$ 2 bilhões para R$ 6 bilhões coloca em alerta não apenas passageiros, mas municípios que dependem da circulação de turistas, executivos e trabalhadores.

O CEO da companhia, Jerome Cadier, vem fazendo duras críticas aos efeitos esperados do novo sistema sobre a aviação. Segundo a estimativa apresentada pela empresa, o aumento da tributação poderia contribuir para uma elevação de até 25% no preço das passagens, a depender da configuração final dos custos e créditos tributários.

Na prática, uma passagem hoje vendida por R$ 800, por exemplo, chegaria a R$ 1 mil caso tivesse exatamente um aumento de 25%. Em uma família de quatro pessoas, somente os bilhetes de ida poderiam representar R$ 800 adicionais nesse exemplo.

Guarulhos está no centro do impacto

Para São Paulo, a discussão ganha peso especial por causa do Aeroporto Internacional de Guarulhos, principal porta de entrada aérea do país e um dos grandes centros de operação da Latam.

Qualquer retração da demanda aérea pode produzir reflexos que ultrapassam os terminais. Guarulhos e municípios da Região Metropolitana concentram hotéis, restaurantes, transportadoras, estacionamentos, locadoras, empresas de logística, serviços de turismo e milhares de trabalhadores ligados direta ou indiretamente à movimentação aeroportuária.

O mesmo raciocínio alcança Congonhas e Viracopos, além dos aeroportos regionais espalhados pelo interior paulista.

Passagem mais cara significa potencialmente menos passageiros. Menos passageiros podem representar menor ocupação hoteleira, redução do consumo nos destinos e pressão sobre empresas que dependem do turismo de lazer e de negócios.

Litoral Norte, Vale do Paraíba e interior também podem sentir

O impacto não termina na Grande São Paulo.

Regiões turísticas como o Litoral Norte, incluindo Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba, recebem visitantes que chegam a São Paulo por avião e depois seguem por rodovias até seus destinos.

O mesmo acontece com cidades do Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e polos turísticos e empresariais do interior.

Por isso, a discussão sobre tributação aérea também interessa às economias municipais: quanto maior o custo para chegar a São Paulo, maior pode ser a barreira para turistas de outros estados e países.

Há ainda o mercado corporativo. São Paulo concentra feiras, congressos, eventos empresariais e sedes de grandes companhias. O aumento das tarifas aéreas encarece deslocamentos profissionais e pode elevar o orçamento das empresas para viagens.

“Quem paga é o cliente”

Cadier resumiu a preocupação da Latam ao afirmar que o aumento dos impostos tende a ser incorporado aos preços cobrados dos consumidores.

A lógica empresarial é direta: diante de custos maiores, as companhias precisam decidir quanto conseguem absorver e quanto será transferido para as tarifas.

Mas o impacto final não pode ser tratado como definido neste momento. Os R$ 6 bilhões representam uma projeção da Latam para o novo ambiente tributário, enquanto mecanismos de créditos fiscais e outros componentes da reforma podem alterar a conta efetivamente suportada pela companhia.

Menos passageiros podem significar menos investimentos

Existe outro ponto importante para as cidades: a expansão da malha aérea.

Se o aumento das passagens provocar redução relevante da procura, companhias podem rever a velocidade de abertura de novas rotas, frequências e investimentos em aeronaves.

Esse cenário é particularmente sensível para aeroportos regionais, onde a viabilidade econômica de uma rota depende de volume suficiente de passageiros.

Para prefeitos e governos regionais que trabalham para conquistar novos voos e transformar aeroportos em instrumentos de desenvolvimento econômico, portanto, a reforma tributária passa a ser também uma discussão sobre conectividade regional.

Reforma será implantada gradualmente

A mudança tributária não ocorrerá de uma única vez. O Brasil iniciou em 2026 a transição para o novo modelo de tributação do consumo, baseado principalmente na CBS e no IBS, que substituirão gradualmente diferentes impostos atuais.

A implantação seguirá etapas até 2033.

Isso significa que o impacto sobre as companhias aéreas também será acompanhado ao longo dos próximos anos. A discussão envolve alíquotas, créditos tributários, regras específicas para determinadas operações e a capacidade das empresas de absorver ou repassar custos.

Para o passageiro paulista, entretanto, o debate já tem uma consequência concreta: o preço de viajar de avião tornou-se uma das questões econômicas relevantes da reforma tributária.

E, em São Paulo, onde aeroportos conectam a capital, a Grande São Paulo e os destinos regionais ao restante do Brasil e do mundo, a conta pode chegar muito além do balcão das companhias aéreas.

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