Pesquisa Real Time Big Data mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados em eventual segundo turno; Augusto Cury alcança dois dígitos, Renan Santos ganha espaço entre jovens e o eleitorado revela sinais de maior fragmentação na reta decisiva da eleição presidencial.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BRASIL
A eleição presidencial de 2026 entra em setembro com um cenário mais complexo do que uma simples disputa entre dois grandes polos. A nova pesquisa Real Time Big Data, registrada sob o número BR-03490/2026 e divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro, mostra que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) continuam dominando a corrida, mas candidatos que estavam em uma faixa secundária começam a ocupar um espaço relevante — principalmente Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão). 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
O levantamento ouviu 2 mil eleitores em todo o território nacional entre 27 e 31 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
A fotografia mais importante está na pesquisa estimulada. No cenário que inclui Pablo Marçal, Lula aparece com 38%, Flávio Bolsonaro com 29%, Augusto Cury chega a 10%, Renan Santos tem 6%, Ronaldo Caiado marca 4%, Pablo Marçal 3% e Romeu Zema 2%. Outros somam 2%, enquanto brancos/nulos e indecisos ficam em 3% cada. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
Sem Pablo Marçal na disputa, a pulverização diminui, mas não desaparece: Lula permanece com 38%, Flávio sobe para 30%, Cury alcança 11% e Renan Santos chega a 7%. Caiado registra 4% e Zema, 2%. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
O sinal de alerta para os favoritos
O dado politicamente mais forte do levantamento, porém, aparece quando a pesquisa deixa o primeiro turno e testa o confronto direto.
Lula e Flávio Bolsonaro estão rigorosamente empatados, com 44% para cada um. Brancos e nulos representam 9%, enquanto 3% não sabem ou não responderam. Considerando a margem de erro, portanto, o cenário é de equilíbrio absoluto. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
A evolução desse confronto ajuda a entender o movimento.
Em março, Lula tinha 42% contra 41% de Flávio. Em maio, o petista aparecia com 43%, enquanto Flávio alcançava 44%. Em junho, Lula abriu vantagem de cinco pontos: 45% a 40%. Em julho, eram 45% a 42%.
Agora, em setembro, são 44% a 44%. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
Ou seja: comparando julho com setembro, Lula recuou um ponto, enquanto Flávio Bolsonaro avançou dois.
Mais importante: a distância entre os dois, que era de cinco pontos em junho e três em julho, simplesmente desapareceu.
É esse movimento que muda a leitura da campanha.
Augusto Cury rompe a barreira dos dois dígitos
Se Lula e Flávio concentram a maior parte do eleitorado, Augusto Cury aparece como o principal nome do segundo pelotão.
O escritor registra 10% no cenário com Pablo Marçal e 11% quando Marçal é retirado.
Isso o coloca numericamente à frente de Renan Santos, Caiado, Marçal e Zema.
Cury também apresenta um dado estratégico entre as mulheres. No cenário sem Marçal, ele alcança 15% do eleitorado feminino, enquanto Lula registra 42% e Flávio Bolsonaro 23%. Entre os homens, Cury tem apenas 7%.
Essa diferença indica que sua candidatura possui um perfil eleitoral distinto dos dois favoritos e pode disputar segmentos menos rigidamente vinculados à polarização.
Renan Santos cresce justamente onde a eleição do futuro está sendo disputada
Outro fenômeno merece atenção: Renan Santos.
No cenário nacional sem Marçal, o candidato do Missão aparece com 7%. Mas a média nacional esconde um desempenho muito superior entre os mais jovens.
Entre eleitores de 16 a 34 anos, Renan alcança 15%. Nesse segmento, Lula aparece com 33%, Flávio Bolsonaro com 26% e Augusto Cury com 9%.
Isso transforma Renan em um personagem importante da disputa geracional.
Não significa, neste momento, ameaça imediata aos líderes nacionais. Significa algo diferente: existe uma parcela do eleitorado jovem procurando alternativas fora dos dois grandes campos políticos.
E Renan está conseguindo capturar uma parte relevante desse movimento.
Cury e Renan começam a disputar o espaço de alternativa
Há, portanto, uma segunda eleição acontecendo dentro da eleição presidencial.
Enquanto Lula e Flávio disputam a liderança, Cury e Renan brigam pela posição de principal alternativa à polarização.
Cury tem vantagem no quadro geral. Renan apresenta força proporcionalmente maior entre jovens.
Essa dinâmica aparece também quando o instituto pergunta qual candidato representa o Brasil que o entrevistado gostaria que existisse daqui a dez anos.
Lula registra 17%; Flávio Bolsonaro, 13%; Renan Santos aparece com 9% e Augusto Cury, com 7%. Pablo Marçal também marca 7%. Entretanto, 27% respondem “nenhum”, e outros 14% não sabem. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
Esse resultado merece atenção: embora Renan esteja atrás de Cury na intenção direta de voto, ele supera o escritor quando a pergunta é associada à visão de futuro do país.
Os líderes também carregam a maior rejeição
Lula e Flávio Bolsonaro têm outra característica em comum: lideram não apenas a intenção de voto, mas também a rejeição.
Na pergunta de múltipla escolha sobre em quais candidatos o eleitor não votaria, Flávio Bolsonaro e Lula aparecem ambos com 50% de rejeição.
Pablo Marçal registra 46%; Caiado e Renan Santos, 39%; Zema, 36%; e Augusto Cury aparece com 28%, uma das rejeições mais baixas entre os candidatos competitivos. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
Aqui está um dos pontos mais interessantes da pesquisa.
Cury tem menos intenção de voto que Lula e Flávio, naturalmente, mas também enfrenta resistência muito menor. Isso significa que seu desafio não parece ser apenas reduzir rejeição: é transformar conhecimento, simpatia ou abertura do eleitor em voto efetivo.
Para Lula e Flávio, o problema é inverso. Eles já possuem eleitorados grandes, mas também encontram um teto elevado de resistência.
Flávio é mais forte entre homens; Lula domina entre mulheres
A divisão por gênero reforça a polarização.
No cenário com Marçal, entre os homens, Flávio Bolsonaro registra 35% contra 34% de Lula. Entre as mulheres, o quadro muda completamente: Lula alcança 42%, contra apenas 23% de Flávio.
Cury chega a 13% entre as mulheres e 7% entre os homens. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
A eleição, portanto, não está apenas dividida ideologicamente. Ela apresenta clivagens importantes de gênero, idade, renda, religião e região.
Nordeste sustenta Lula; Sul impulsiona Flávio
Regionalmente, o mapa continua profundamente dividido.
No cenário com Marçal, Lula chega a 56% no Nordeste, contra 20% de Flávio Bolsonaro. Já no Sul ocorre praticamente o inverso: Flávio tem 39% contra 27% de Lula.
No Sudeste, onde está a maior parcela do eleitorado brasileiro, a disputa é muito mais apertada: Lula tem 30% e Flávio 29%. Cury alcança expressivos 14%, Renan Santos 9%, Caiado 5%, Marçal 4% e Zema 3%. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
Esse dado coloca o Sudeste no centro estratégico da eleição. É justamente na maior região eleitoral do país que os dois favoritos aparecem praticamente empatados e onde as candidaturas alternativas encontram mais espaço para crescer.
A disputa ainda é Lula x Flávio — mas a eleição está ficando maior que os dois
A principal conclusão da nova rodada é que seria precipitado decretar o fim da polarização. Os números mostram exatamente o contrário: Lula e Flávio Bolsonaro continuam muito à frente dos demais e chegam empatados a 44% em uma simulação direta de segundo turno.
Mas há uma mudança importante acontecendo abaixo deles.
Augusto Cury consolida dois dígitos. Renan Santos conquista uma fatia expressiva do eleitor jovem. Flávio recupera terreno contra Lula. E os dois favoritos carregam rejeição de 50%.
Além disso, há um contingente relevante que não se identifica plenamente com os nomes apresentados. Quando perguntados sobre quem representa o Brasil que gostariam de ver daqui a dez anos, 27% respondem que nenhum candidato. 01Set_Presidencial -BR-034902026.pdf
Esse eleitor pode se transformar no principal campo de batalha das próximas semanas.
A corrida presidencial continua liderada pelos dois grandes polos, mas setembro começa mostrando uma eleição mais fragmentada, com alternativas ganhando musculatura e com os favoritos enfrentando dificuldade para ampliar seus próprios limites eleitorais.
Para Lula, o desafio é interromper a recuperação de Flávio e preservar sua vantagem entre mulheres, eleitores de menor renda e Nordeste.
Para Flávio Bolsonaro, a missão é transformar o empate do segundo turno em liderança também no primeiro e reduzir sua desvantagem entre as mulheres.
Para Cury, o objetivo passa a ser converter os dois dígitos em uma candidatura nacional capaz de romper o teto do segundo pelotão.
E para Renan Santos, o caminho está claramente desenhado: transformar sua força entre os jovens em crescimento nas demais faixas do eleitorado.
A pesquisa não mostra ainda o fim da polarização. Mostra algo potencialmente mais importante para a campanha: pela primeira vez, outros candidatos começam a disputar de maneira mais visível o eleitor que não quer permanecer preso a ela.
