Luiz Alberto Segalla Bevilacqua tinha 56 anos e mais de três décadas de Ministério Público. Titular da 4ª Promotoria de Justiça de Limeira, ele teve atuação em investigações de forte impacto regional. Polícia Civil apura as circunstâncias da morte.
Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA E JUSTIÇA | LIMEIRA
A morte do promotor de Justiça Luiz Alberto Segalla Bevilacqua, encontrado sem vida dentro de sua residência em Limeira, no interior de São Paulo, mobiliza o sistema de Justiça e provoca forte repercussão na cidade onde ele construiu parte importante de sua trajetória profissional.
Bevilacqua, de 56 anos, foi encontrado na manhã desta segunda-feira (31) na residência onde morava, no Residencial Casalbuono. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para uma ocorrência envolvendo ferimento por arma de fogo e constatou o óbito ainda no imóvel. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte.
Informações divulgadas por veículos locais apontam que o promotor apresentava ferimento causado por disparo de arma de fogo na região da cabeça e que um revólver foi localizado próximo ao corpo. Até o momento, porém, não há conclusão oficial sobre a dinâmica da ocorrência, razão pela qual qualquer hipótese sobre a causa ou motivação da morte deve ser tratada com cautela até o avanço da investigação policial.
Uma trajetória de 31 anos no Ministério Público
A dimensão regional do caso aumenta em razão do histórico profissional de Bevilacqua. Ele ingressou no Ministério Público do Estado de São Paulo em julho de 1995, acumulando 31 anos de carreira. Em Limeira, era titular da 4ª Promotoria de Justiça, com atribuições relacionadas a meio ambiente, habitação e urbanismo. Também integrou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Sua atuação não ficou restrita aos gabinetes do Ministério Público. Bevilacqua participou de investigações e ações envolvendo patrimônio público, criminalidade organizada e questões urbanísticas que tiveram impacto direto sobre Limeira.
Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em 2022, durante a investigação de um esquema de fraudes envolvendo dívidas de IPTU no município. A chamada Operação Parasitas, conduzida pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Civil, cumpriu mandados de prisão e investigou irregularidades dentro do Departamento Tributário da Prefeitura. A operação foi coordenada por Bevilacqua. Posteriormente, integrantes apontados como chefes do esquema receberam condenações em primeira instância.
Atuação também atingia problemas urbanos de Limeira
Mais recentemente, o promotor estava diretamente envolvido em questões que interferem no desenvolvimento urbano do município.
Em 2024, por exemplo, representantes da Prefeitura se reuniram com Bevilacqua para discutir o parcelamento ilegal do solo rural e a proliferação de chácaras irregulares. O município relatou ao Ministério Público ações de embargo, aplicação de multas e processos judiciais para tentar impedir novas ocupações irregulares.
A própria Prefeitura destacou, após sua morte, que o promotor era um colaborador importante em medidas de combate às chácaras irregulares e de repressão à perturbação do sossego.
Além da carreira no Ministério Público, Bevilacqua era mestre em Direito Constitucional e professor de Direito, mantendo também atuação acadêmica.
Limeira decreta luto oficial
A repercussão institucional foi imediata.
O prefeito Murilo Félix decretou luto oficial de três dias. A Câmara Municipal adotou a mesma medida por meio do Ato da Presidência nº 13/2026. O Legislativo destacou a atuação do promotor na defesa dos interesses coletivos e sua trajetória dentro do Ministério Público.
A morte também provocou manifestações da OAB de Limeira e de entidades ligadas ao Ministério Público. A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) ressaltou os 31 anos de dedicação do promotor à instituição e sua passagem pelo Gaeco.
Investigação agora busca esclarecer o que ocorreu
Apesar da grande repercussão, o ponto central permanece sem resposta: o que aconteceu dentro da residência do promotor?
A existência de uma arma próxima ao corpo, isoladamente, não permite estabelecer a dinâmica da morte. Cabe à investigação policial, apoiada pelos exames periciais e demais elementos recolhidos no imóvel, determinar as circunstâncias do disparo.
Para Limeira, o caso representa ainda a perda de um integrante do Ministério Público que participou durante décadas de algumas das principais discussões jurídicas, ambientais e criminais do município.
Enquanto a investigação avança, não há informação oficial que permita atribuir a morte à atuação profissional do promotor ou relacioná-la às investigações das quais participou. Esse ponto é fundamental diante da relevância dos casos conduzidos por Bevilacqua e deve permanecer separado de qualquer especulação até que as autoridades apresentem conclusões.
