Editoria: Eleições 2026 | Política Nacional
Por Gabrielle Tricanico | Brasília (DF)
O senador Flávio Bolsonaro oficializou, nesta quarta-feira (5), o deputado federal Alfredo Gaspar (AL) como candidato a vice-presidente da República na chapa que disputará a Presidência da República nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante evento do Partido Liberal (PL), em Brasília, consolidando uma chapa formada exclusivamente por integrantes da legenda.
Ao apresentar o companheiro de chapa, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil “precisa de um vice que ande de cabeça erguida” e destacou a trajetória de Alfredo Gaspar no Ministério Público, na Segurança Pública e na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
“É uma pessoa que admiro pela sua história frente à Segurança Pública; alguém que enfrentou a corrupção, defendeu os aposentados e representa o Nordeste de fato”, declarou.
Natural de Maceió (AL), Alfredo Gaspar de Mendonça Neto foi promotor de Justiça por 24 anos, exerceu por duas vezes o cargo de Procurador-Geral de Justiça de Alagoas e comandou a Secretaria de Segurança Pública do estado. Atualmente é deputado federal e ganhou projeção nacional ao relatar a CPMI do INSS, responsável por investigar fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.
Em seu discurso, Gaspar afirmou que será “soldado” de Flávio Bolsonaro na campanha presidencial e prometeu atuar no combate ao crime organizado, à corrupção e na defesa da economia e dos aposentados.
O evento reuniu lideranças nacionais do PL, entre elas as senadoras Tereza Cristina e Damares Alves, além da deputada federal Bia Kicis. Flávio Bolsonaro também fez agradecimentos ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao senador Rogério Marinho, ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ao prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, apontando que os principais quadros da legenda estão mobilizados na campanha.
Análise | Gabrielle Tricanico
A confirmação de Alfredo Gaspar encerra um longo período de especulações sobre quem ocuparia a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores de Brasília, diferentes nomes chegaram a ser cogitados para ampliar o arco de alianças da candidatura. Entre eles estavam a deputada federal e presidente nacional do Podemos, Renata Abreu; a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, ligada ao Republicanos; e a senadora Tereza Cristina, um dos principais nomes do União Brasil.
Nenhuma dessas articulações foi adiante e os respectivos partidos não passaram a integrar formalmente a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
Na avaliação desta jornalista, o desfecho demonstra que o candidato não conseguiu construir uma aliança partidária ampla para a disputa nacional. Diante desse cenário, o PL optou por uma composição exclusivamente com quadros da própria legenda, formando uma chapa conhecida no meio político como “puro-sangue”.
A escolha fortalece o discurso de identidade partidária e mantém a campanha alinhada às bandeiras tradicionais do bolsonarismo, especialmente segurança pública, combate à corrupção e conservadorismo. Por outro lado, também reduz o alcance político da coligação no início da corrida eleitoral, concentrando no próprio PL a responsabilidade pela construção de apoios para um eventual segundo turno e para a governabilidade.
A indicação de Alfredo Gaspar evidencia ainda que a campanha priorizou um nome de perfil técnico e ligado ao sistema de Justiça, reforçando a narrativa de endurecimento contra o crime organizado e de defesa dos aposentados, temas que devem ocupar posição central durante a campanha presidencial.
