Presidente do Água Santa e empresário ligado à A2 Transportes é procurado na Operação Vectura Corrupta, que apura possível infiltração do PCC no transporte de São Paulo; nome de Paulo Korek também aparece na Operação Copia e Cola, investigação federal sobre suposto esquema de corrupção e contratos da saúde em Sorocaba
Por Gabrielle Tricanico | POLÍCIA E JUSTIÇA | DIADEMA
Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulo Camarão, presidente do Esporte Clube Água Santa, de Diadema, afirmou neste sábado (19) que pretende se entregar às autoridades, mas pediu garantias de segurança e acompanhamento do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil durante sua apresentação.
O empresário é alvo de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, investigação que apura a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo.
O caso tem forte repercussão no Grande ABC. Além de comandar o Água Santa, Paulo Korek possui trajetória empresarial ligada ao transporte da região. Em manifestação pública, afirmou ter sido proprietário da Viação Diadema entre 2008 e 2017 e apresentou sua versão para explicar relações empresariais que aparecem na investigação.
Korek nega ligação com o PCC e sustenta que nem a A2 Transportes nem o Água Santa receberam recursos provenientes de lavagem de dinheiro. As declarações fazem parte da versão apresentada pelo empresário e deverão ser confrontadas com as provas reunidas durante a investigação.
Investigação também chega à saúde de Sorocaba
O nome de Paulo Korek também aparece em outra frente investigativa, desta vez envolvendo recursos públicos destinados à saúde de Sorocaba.
A Operação Copia e Cola apura um suposto esquema envolvendo contratos da Aceni para a administração de unidades de saúde do município, entre elas a UPA do Éden e a antiga UPH da Zona Oeste.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos públicos, incluindo a existência de possíveis pagamentos ilícitos. Korek aparece relacionado à estrutura empresarial investigada, enquanto empresas e pessoas vinculadas à prestação dos serviços passaram a integrar o conjunto de apurações.
As suspeitas envolvendo propina e eventual desvio de recursos públicos ainda estão sob investigação e não representam condenação de Paulo Korek ou dos demais citados.
Paulo Camarão aparece em duas investigações
Com isso, o presidente do Água Santa aparece em duas investigações distintas.
Na Operação Vectura Corrupta, as autoridades investigam uma possível estrutura de infiltração do PCC no transporte coletivo de São Paulo, além de suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, fraudes em contratações e outras irregularidades.
Já na Operação Copia e Cola, a investigação está concentrada em contratos públicos da saúde de Sorocaba e em suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e pagamentos ilícitos.
Até o momento, não é possível afirmar que os recursos investigados na saúde de Sorocaba tenham relação comprovada com o PCC. O ponto de conexão entre as duas frentes é a presença de Paulo Korek nas apurações.
Defesa tenta suspender prisão
Enquanto as investigações avançam, a defesa de Paulo Korek tenta suspender a prisão temporária decretada contra ele.
O empresário afirmou que pretende se apresentar às autoridades, mas condicionou a entrega à existência de garantias de segurança e ao acompanhamento de órgãos de controle. No vídeo divulgado neste sábado, também fez acusações sobre a condução da investigação e afirmou temer pela própria vida.
Essas declarações representam a versão de Korek. As autoridades mencionadas devem ter espaço para apresentar suas manifestações.
A Operação Vectura Corrupta também alcançou outros nomes ligados ao transporte e à política paulista, enquanto diligências chegaram a municípios do Grande ABC, incluindo Diadema e São Bernardo do Campo.
As investigações permanecem em andamento. As suspeitas, medidas cautelares e acusações citadas não equivalem a condenação, e todos os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.