Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulo Camarão, prestou depoimento na DISE com acompanhamento da Corregedoria e permaneceu detido; empresário é investigado na Operação Vectura Corrupta, nega ligação com organização criminosa e contesta acusações
Por Gabrielle Tricanico | POLÍCIA E JUSTIÇA | DIADEMA / GRANDE ABC
O presidente do Esporte Clube Água Santa, de Diadema, e empresário do setor de transportes Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulo Camarão, foi preso neste sábado (19), após se apresentar à Polícia Civil em Mogi das Cruzes.
A prisão ocorreu em cumprimento a mandado de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, investigação que apura a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo e eventuais conexões do esquema com empresários e agentes públicos.
A Polícia Civil confirmou que Korek compareceu à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Mogi das Cruzes, onde prestou depoimento com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Civil. Após ser ouvido, permaneceu detido e à disposição da Justiça.
A prisão é temporária e possui caráter cautelar. Isso significa que a medida não representa condenação. As responsabilidades individuais dos investigados ainda serão analisadas no decorrer das investigações e do processo judicial.
De Diadema a Mogi: caso tem repercussão regional
O avanço da investigação repercute diretamente no Grande ABC porque Korek preside o Água Santa, clube de Diadema, além de possuir atuação empresarial no setor de transportes.
Antes de se apresentar, Korek divulgou um vídeo afirmando que cumpriria a determinação judicial, mas pediu acompanhamento da Corregedoria da Polícia Civil e do Ministério Público durante sua apresentação. No pronunciamento, declarou temer pela própria vida.
O empresário também negou envolvimento com o PCC, lavagem de dinheiro ou participação em organização criminosa e questionou a condução da investigação. As declarações constituem a versão apresentada pelo investigado e deverão ser confrontadas com os elementos reunidos pela Polícia Civil e analisados pela Justiça.
Operação investiga transporte público de São Paulo
A Operação Vectura Corrupta investiga a possível presença e influência do crime organizado no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
As apurações alcançam empresários, operadores ligados ao transporte e personagens com atuação ou passagem pelo poder público. Entre os nomes investigados estão o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) e o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira.
A investigação busca esclarecer eventuais relações entre empresas responsáveis pelo transporte público, movimentações financeiras, contratos públicos e agentes políticos.
As suspeitas levantadas pelos investigadores, porém, ainda dependem da conclusão das apurações e não representam condenação dos envolvidos.
Korek reconhece relação com Milton Leite, mas nega irregularidades
Em manifestação pública antes de sua prisão, Korek reconheceu proximidade com Milton Leite, mas sustentou que os contatos entre ambos estariam relacionados a assuntos profissionais e institucionais envolvendo o setor de transportes.
Ele negou que essa relação tivesse como finalidade beneficiar organizações criminosas.
A relação entre empresários do transporte, agentes públicos e personagens da política paulista tornou-se um dos principais eixos a serem aprofundados pela investigação, especialmente diante do alcance econômico do sistema municipal de ônibus da capital.
Prisão amplia pressão sobre investigação
A apresentação e posterior prisão de Paulo Korek acrescentam uma nova etapa à Operação Vectura Corrupta. A partir dos depoimentos, documentos, interceptações e demais elementos reunidos no inquérito, os investigadores deverão buscar esclarecer a participação individual de cada suspeito e verificar se as hipóteses levantadas até agora encontram respaldo probatório.
Para Diadema e o Grande ABC, o caso também ganha dimensão regional pela ligação de Korek com o Água Santa e por sua atuação empresarial.
Paulo Korek permanece à disposição da Justiça. Sua defesa nega as acusações e contesta as suspeitas de ligação com o crime organizado.