Levantamento inédito da ABIPEA mostra que o empreendedorismo feminino domina o setor de entretenimento adulto, com aumento nas vendas, forte presença digital e expectativa de expansão dos negócios em 2026.
Por Gabrielle Tricanico
O mercado de produtos eróticos no Brasil tem cada vez mais rosto feminino. Um levantamento inédito divulgado durante a Intimi Expo 2026, maior feira do segmento na América Latina, revela que 77,9% dos empreendedores do setor são mulheres, consolidando uma mudança estrutural em um dos mercados que mais cresce no país. O estudo foi realizado pela Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto (ABIPEA), com base em 1.271 entrevistados de todas as regiões brasileiras.
Os dados mostram que o setor deixou de ser apenas um nicho voltado ao entretenimento para se tornar uma importante alternativa de geração de renda e empreendedorismo feminino. Segundo o censo, 69,1% das empresárias têm entre 26 e 45 anos, faixa considerada de maior produtividade econômica, enquanto 50,7% afirmaram que registraram crescimento nas vendas nos últimos meses, mesmo diante de um cenário econômico considerado desafiador. Além disso, 64,7% pretendem investir ou ampliar seus negócios em 2026, sinalizando confiança no potencial de expansão do mercado.
Outro destaque da pesquisa é a digitalização do setor. Atualmente, 90% das empresas utilizam o WhatsApp como canal ativo de vendas, enquanto o Instagram é a principal plataforma de divulgação, adotada por 48,5% dos negócios. Apesar da forte presença digital, o segmento enfrenta obstáculos: 38,4% das empresas já tiveram contas bloqueadas em redes sociais, uma das principais reclamações dos empreendedores devido às restrições impostas às publicações relacionadas ao mercado adulto.
O levantamento também mostra que o mercado é formado majoritariamente por micro e pequenas empresas, muitas delas com até três funcionários e faturamento mensal inferior a R$ 10 mil. Quase metade dos empreendimentos (49,6%) foi criada nos últimos cinco anos, evidenciando a rápida expansão do segmento após a pandemia. Os itens mais comercializados são cosméticos íntimos (31,3%) e vibradores (23,9%), produtos que juntos representam mais da metade das vendas registradas na pesquisa.
Para a presidente da ABIPEA e coordenadora do estudo, Paula Aguiar, o crescimento demonstra uma mudança de comportamento da sociedade e do próprio consumidor. Segundo ela, o mercado hoje está diretamente relacionado ao bem-estar, à autoestima, à saúde íntima e aos relacionamentos, deixando para trás antigos estigmas que cercavam o segmento.
O Censo ABIPEA 2026 é considerado o retrato mais completo já produzido sobre o mercado adulto brasileiro e reforça uma tendência clara: o empreendedorismo feminino se consolida como protagonista de um setor que continua crescendo, inovando e conquistando espaço na economia nacional.
