Servidor público e líder religioso teve a prisão preventiva decretada após familiares encontrarem imagens de câmeras de monitoramento que, segundo a investigação, registraram o abuso contra uma idosa acamada. A Polícia Civil apura se houve outros crimes.
Por Gabrielle Tricanico/ Vale do Ribeira
Um caso que chocou o Vale do Ribeira e provocou forte repercussão em todo o Estado de São Paulo teve como cenário o município de Registro. O pastor e servidor público Dario da Conceição foi preso por suspeita de cometer estupro de vulnerável contra a própria sogra, uma idosa de 91 anos, acamada e com mobilidade reduzida. A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
De acordo com a investigação, o crime teria ocorrido enquanto a esposa e o filho do suspeito participavam de um culto religioso. A denúncia partiu justamente do filho, que verificou imagens registradas por uma câmera instalada no quarto da vítima para monitorar seus cuidados diários. As gravações teriam revelado o abuso, levando a família a procurar imediatamente a Polícia Civil.
Os investigadores apuraram que o suspeito teria desligado a internet da residência acreditando que impediria o funcionamento da câmera. No entanto, as imagens permaneceram armazenadas em nuvem e puderam ser recuperadas posteriormente, tornando-se um dos principais elementos da investigação.
A Polícia Civil também investiga a possibilidade de que o suspeito tenha praticado o mesmo crime em outras ocasiões. Até o momento, o caso segue sob sigilo para preservar a vítima e garantir o andamento das investigações.
A Assembleia de Deus informou que não tinha conhecimento prévio dos fatos e declarou repudiar qualquer conduta que viole a dignidade humana. Já a Prefeitura de Registro confirmou que Dario da Conceição é servidor público municipal e afirmou acompanhar o caso conforme os procedimentos administrativos cabíveis.
Análise – Gabrielle Tricanico
O caso vai além da esfera criminal. Ele expõe a vulnerabilidade de idosos dependentes, a importância do monitoramento familiar e o papel decisivo da denúncia, ainda que feita por um familiar direto do investigado. Também reforça que nenhuma posição de liderança religiosa, profissional ou social pode servir de escudo diante de acusações tão graves.
A investigação prossegue e caberá ao Judiciário analisar todas as provas produzidas. Enquanto isso, o episódio provoca indignação no Vale do Ribeira e reacende o debate sobre mecanismos de proteção aos idosos, especialmente aqueles que dependem integralmente de terceiros para os cuidados diários.
