Pesquisa Real Time Big Data mostra presidente com 41% contra 33% do candidato do PL; recortes por renda, idade e gênero revelam um Pará eleitoralmente dividido
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | PARÁ
A disputa pela Presidência da República no Pará tem Lula (PT) na liderança, mas os números revelam um cenário marcado por diferenças importantes entre gênero, idade e renda. Levantamento da Real Time Big Data divulgado nesta terça-feira (15) coloca o presidente com 41% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL) no cenário estimulado.
Na sequência aparecem o escritor Augusto Cury (Avante), com 5%, e Renan Santos (Missão), com 4%. Pablo Marçal (PRTB), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) registram 1% cada. Outros candidatos somam 1%. Brancos e nulos representam 8%, enquanto 5% não sabem ou não responderam.
A diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro é de oito pontos percentuais. O resultado coloca o Pará, neste momento da campanha, como um estado de vantagem para o petista, mas os recortes internos mostram que a disputa está longe de ser uniforme.
Lula também lidera no voto espontâneo
Quando os entrevistados são questionados sem receber uma lista de candidatos, Lula aparece com 33%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 22%.
Augusto Cury e Renan Santos aparecem com 3% cada, Ronaldo Caiado tem 1% e outros nomes somam 1%.
Um dos dados que mais chama atenção é o número de eleitores que ainda não sabem ou não responderam: 27%. Outros 10% afirmam espontaneamente que votariam branco ou nulo.
A vantagem de 11 pontos de Lula no voto espontâneo indica maior consolidação inicial do nome do presidente entre os paraenses. Ao mesmo tempo, o elevado número de indecisos mostra que existe um contingente expressivo de eleitores ainda disponível para ser conquistado pelas campanhas.
Mulheres impulsionam vantagem de Lula
O recorte por gênero revela duas disputas bastante diferentes dentro do Pará.
Entre as mulheres, Lula chega a 46%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. São 17 pontos de vantagem para o presidente.
Entre os homens, o cenário se inverte. Flávio Bolsonaro aparece com 38%, enquanto Lula registra 36%.
Isso significa que a liderança geral do petista é sustentada especialmente pelo eleitorado feminino, enquanto o candidato do PL apresenta maior competitividade entre os homens.
Flávio lidera entre jovens; Lula chega a 50% entre idosos
A idade é outro divisor importante da eleição presidencial no Pará.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Flávio Bolsonaro aparece com 38%, contra 33% de Lula.
Na faixa dos 35 aos 59 anos, o quadro muda: Lula chega a 44%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 34%.
A maior diferença aparece entre os eleitores com 60 anos ou mais. Nesse grupo, Lula alcança 50%, enquanto Flávio Bolsonaro tem apenas 19%.
Os números revelam uma clara diferença geracional. O candidato do PL encontra seu melhor desempenho entre os mais jovens, enquanto Lula amplia sua vantagem à medida que aumenta a idade do eleitor.
Renda divide o eleitorado paraense
A renda também produz uma mudança significativa no comportamento eleitoral.
Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, Lula registra 48%, contra 30% de Flávio Bolsonaro.
Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, Flávio passa à frente: são 37% contra 33% de Lula.
Entre os eleitores que recebem mais de cinco salários mínimos, a diferença aumenta em favor do candidato do PL. Flávio Bolsonaro aparece com 38%, enquanto Lula registra 24%.
O recorte mostra uma das principais fronteiras eleitorais da disputa no Pará: Lula tem forte vantagem entre os eleitores de menor renda, enquanto Flávio Bolsonaro cresce e assume a liderança conforme aumenta a renda.
Segundo turno: Lula 44% x 37% Flávio Bolsonaro
A Real Time Big Data também simulou um eventual segundo turno entre os dois principais candidatos.
Lula aparece com 44%, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Brancos e nulos representam 10%, enquanto 9% não sabem ou não responderam.
A diferença cai para sete pontos percentuais no confronto direto.
O cenário indica que Flávio Bolsonaro consegue crescer com a retirada dos demais candidatos, mas, neste levantamento, esse movimento ainda não seria suficiente para alcançar Lula no Pará.
Rejeição elevada limita os dois principais candidatos
A polarização também aparece nos índices de rejeição.
Flávio Bolsonaro registra 48% de rejeição, o maior índice entre os nomes apresentados. Lula vem logo atrás, com 44%.
Pablo Marçal aparece com 42%, Renan Santos com 38%, Romeu Zema e Augusto Cury com 27% cada e Ronaldo Caiado com 25%.
Como a pesquisa permite ao entrevistado rejeitar mais de um candidato, os percentuais não devem ser somados.
Para Flávio Bolsonaro, o desafio é particularmente relevante: além de precisar retirar oito pontos de diferença no cenário de primeiro turno, o candidato do PL enfrenta o maior teto de rejeição entre os nomes testados.
Lula, entretanto, também encontra resistência significativa. Mesmo liderando as intenções de voto, 44% afirmam que não votariam no petista.
Governo Lula tem aprovação apertada no Pará
A pesquisa também mediu a percepção dos paraenses sobre o governo federal.
Segundo o levantamento, 51% aprovam o trabalho do presidente Lula, enquanto 47% desaprovam. Outros 2% não souberam ou não responderam.
Quando os entrevistados são convidados a avaliar diretamente a administração, 41% classificam o governo como ótimo ou bom, 24% como regular e 33% como ruim ou péssimo. Outros 2% não responderam.
O resultado mostra uma aprovação majoritária, mas apertada. A diferença entre aprovação e desaprovação é de apenas quatro pontos percentuais, indicando um estado politicamente dividido mesmo com Lula liderando a corrida presidencial.
Análise Guardiã: Pará tem três eleições dentro da mesma eleição
Os números da Real Time Big Data mostram que o placar geral de 41% a 33% conta apenas uma parte da história eleitoral do Pará.
Na prática, existem divisões bastante claras. Lula domina entre mulheres, idosos e eleitores de menor renda. Flávio Bolsonaro consegue superar o presidente entre homens, jovens e segmentos de renda mais alta.
Para Lula, o desafio será preservar a ampla vantagem entre as camadas populares e impedir que Flávio avance sobre o eleitorado masculino e mais jovem.
Para Flávio Bolsonaro, o caminho é mais estreito: precisa manter a vantagem nos grupos em que já lidera, reduzir a diferença entre as mulheres e, principalmente, avançar sobre o eleitorado de menor renda, que representa parcela importante da população paraense.
Outro ponto decisivo é a rejeição. Os dois principais candidatos apresentam resistência superior a 40%, o que transforma a campanha não apenas em uma disputa pela preferência do eleitor, mas também em uma batalha para reduzir rejeições.
O Pará, portanto, aparece como um retrato da própria polarização nacional: Lula começa à frente, Flávio Bolsonaro mantém uma base competitiva e os recortes sociais mostram que a eleição ainda possui espaços importantes de disputa.
A pesquisa Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores do Pará entre os dias 10 e 14 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número BR-08918/2026.

