Levantamento da Real Time Big Data divulgado nesta segunda-feira (15) mostra João Campos com 44% e Raquel Lyra com 43%. Em eventual segundo turno, os dois aparecem rigorosamente empatados, com 44% cada, revelando uma das disputas estaduais mais apertadas do país.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | PERNAMBUCO
A corrida pelo Governo de Pernambuco chega à reta decisiva das eleições de 2026 com um cenário de forte equilíbrio entre João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD). Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira, 15 de setembro, mostra apenas um ponto percentual separando os dois principais candidatos.
No cenário estimulado, João Campos registra 44% das intenções de voto, enquanto Raquel Lyra aparece com 43%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico.
Bem atrás aparecem Renan Hallais (Missão), com 4%, e Ivan Moraes (PSOL), com 1%. Outros candidatos somados também alcançam 1%. Brancos e nulos representam 4%, enquanto 3% não souberam ou não responderam.
O equilíbrio também aparece na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados. Nesse levantamento, Raquel Lyra e João Campos aparecem empatados, ambos com 25%. Outros nomes somam 5%, enquanto 10% declaram voto branco ou nulo e 35% ainda não sabem ou não responderam.
Segundo turno termina em empate absoluto
A maior demonstração do grau de competitividade da eleição aparece na simulação direta de segundo turno.
João Campos tem 44%, exatamente o mesmo percentual registrado por Raquel Lyra: 44%. Brancos e nulos representam 6%, e outros 6% não souberam ou não responderam.
O resultado indica que, no atual momento da campanha, nenhum dos dois principais grupos políticos conseguiu construir vantagem suficiente para assumir favoritismo isolado em uma eventual segunda etapa da eleição.
A disputa tende, portanto, a depender da capacidade das campanhas de conquistar eleitores ainda indecisos, reduzir rejeições e avançar sobre segmentos onde o adversário apresenta vantagem.
João Campos cresce entre jovens e eleitores de menor renda
Os recortes da pesquisa ajudam a revelar dois eleitorados distintos.
Entre os pernambucanos de 16 a 34 anos, João Campos abre uma vantagem expressiva: registra 50%, contra 37% de Raquel Lyra.
A situação muda entre os eleitores de 35 a 59 anos. Nesse grupo, Raquel alcança 47%, enquanto João Campos tem 43%.
Entre os eleitores com 60 anos ou mais, a governadora também aparece na frente, com 43%, contra 37% do candidato do PSB.
A renda apresenta uma divisão ainda mais acentuada.
Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, João Campos chega a 49%, enquanto Raquel Lyra registra 39%.
Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, porém, a governadora assume vantagem importante: 51% contra 37%.
Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, Raquel chega a 50%, enquanto João Campos aparece com 30%.
Os números revelam uma eleição marcada não apenas pelo equilíbrio geral, mas por diferenças significativas no perfil social e etário dos eleitorados dos dois candidatos.
Mulheres dão vantagem a João Campos
O levantamento também identifica diferença no comportamento eleitoral entre homens e mulheres.
Entre os homens, Raquel Lyra aparece com 42%, enquanto João Campos registra 39%.
Entre as mulheres, a situação se inverte: João Campos alcança 48%, contra 44% da governadora.
O eleitorado feminino representa 54% da amostra da pesquisa, fator que pode assumir peso importante na reta final da campanha.
Aprovação do governo é alta, mas avaliação positiva é menor
Outro dado relevante para compreender a competitividade de Raquel Lyra é a avaliação de sua administração.
O governo estadual é aprovado por 59% dos entrevistados, enquanto 39% desaprovam e 2% não souberam responder.
Quando o eleitor é questionado sobre a qualidade da administração, entretanto, o cenário é mais complexo.
Apenas 34% classificam o governo como ótimo ou bom. Outros 45% consideram a gestão regular, enquanto 20% avaliam como ruim ou péssima.
Isso significa que existe uma parcela expressiva do eleitorado que aprova a administração, mas ainda não atribui a ela uma avaliação claramente positiva. Politicamente, esse grupo pode ser decisivo para a tentativa de reeleição da governadora.
Rejeição também coloca os dois principais candidatos próximos
Raquel Lyra apresenta 40% de rejeição, enquanto João Campos registra 38%.
Renan Hallais aparece com 34%, Ivan Moraes com 33%, Victor Assis com 24%, Professor Jeremias do Banco com 23%, Professora Camila e Guilherme Fonseca aparecem com 22% cada.
A diferença de apenas dois pontos entre as rejeições de João e Raquel reforça o equilíbrio observado nas intenções de voto.
Análise Guardiã: Pernambuco caminha para uma eleição decidida nos detalhes
Os números mostram uma disputa praticamente dividida ao meio.
João Campos lidera numericamente o primeiro turno, mas por apenas um ponto percentual. Raquel Lyra, por sua vez, mantém competitividade sustentada pela aprovação de seu governo e apresenta desempenho superior principalmente entre eleitores de maior renda e nas faixas etárias mais elevadas.
João demonstra maior força entre os jovens, mulheres e eleitores de menor renda, segmentos eleitoralmente relevantes em Pernambuco.
O dado mais significativo, porém, está no segundo turno: 44% a 44%.
Nesse cenário, a eleição deixa de ser apenas uma disputa por crescimento e passa também a ser uma batalha pela redução da rejeição, pela mobilização das bases e pela conquista dos eleitores que ainda podem mudar de posição.
Com margens tão estreitas, movimentos regionais, alianças municipais, desempenho nos debates e capacidade de mobilização no Recife, Região Metropolitana e interior poderão ter impacto direto sobre o resultado final.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores de Pernambuco entre os dias 10 e 14 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número PE-07953/2026.

