Candidato ao governo de São Paulo também comentou investigações envolvendo Banco Master, STF e a terceira fase da Operação Carbono Oculto
Por Thalyta Andrâde | Eleições 2026 | São Paulo
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) criticou, em entrevista à Metrópole, a decisão de seu principal adversário de não participar de determinados debates eleitorais. Segundo Haddad, a ausência impede que o eleitor tenha contato direto com diferentes propostas e possa confrontar as ideias apresentadas durante a campanha.
“Foi sonegado do eleitor a oportunidade de confrontar propostas”, declarou o candidato. Haddad afirmou ainda que considera os debates importantes para o processo democrático e disse ter como tradição participar desses encontros. Em agosto, ele e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participaram de debate promovido pela Band, mas recentemente o atual governador e candidato à reeleição, decidiu não participar de outros debates e defendeu a revisão nos formatos dos encontros eleitorais.
Na área de segurança pública, Haddad voltou a defender a criação de uma Agência Estadual Anti-Facção. A proposta faz parte do plano apresentado pelo candidato e prevê a integração de órgãos estaduais e federais para combater a atuação financeira do crime organizado.
“Se eu for governador eu vou adotar essa agência anti-facção com a presença da Receita e da Polícia Federal”, afirmou Haddad. A proposta tem como uma das frentes o rastreamento e bloqueio de recursos utilizados por organizações criminosas. Segundo o candidato, o modelo deve aproveitar a atuação integrada já realizada por órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público.
Haddad também comentou as investigações relacionadas ao Banco Master e defendeu a divulgação de informações que estejam sob sigilo. Em declarações anteriores, o candidato já havia defendido a quebra de sigilos das investigações relacionadas ao banco e ao financiamento do filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O tema voltou ao noticiário nesta quinta-feira (24), com a terceira fase da Operação Carbono Oculto, denominada Operação Crédito Oculto. A ação, conduzida pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas à aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana. Entre os alvos estão o ex-executivo do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, ligado às investigações do Banco Master.
As investigações da terceira fase também alcançam estruturas financeiras que, segundo os investigadores, teriam sido utilizadas para ocultar a origem de recursos e os beneficiários finais de operações. Apurações apontam para uma estrutura que teria envolvido o Banco Genial e recursos relacionados a empresas investigadas por ligação com o crime organizado. O Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá foi destituído da instituição em maio de 2026.
Sobre a associação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes a grupos de esquerda, Haddad classificou as acusações como uma estratégia política de adversários. Haddad também defendeu o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e o esclarecimento das eventuais responsabilidades de todos os envolvidos. O candidato classificou como grave o fato de um dos candidatos à Presidência da República estar ligado ao caso e defendeu a quebra do sigilo de todos os envolvidos nas investigações, principalmente do candidato Flávio Bolsonaro.
“Isso consome muito tempo, mas é importante porque é uma pessoa que pretende a Presidência da República”, defende Haddad.
As declarações ocorrem em meio à campanha para o governo paulista e às discussões sobre segurança pública, combate ao crime organizado e as investigações envolvendo o sistema financeiro e agentes políticos.

