Ex-presidente do Senado deixa o mandato para integrar o Tribunal de Contas da União; indicação recebeu 63 votos no Senado e 404 na Câmara e provoca mudança na representação de Minas Gerais no Congresso.
Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA | BRASÍLIA
BRASÍLIA — O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ex-presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, toma posse na próxima quarta-feira, 30 de setembro, como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília. A cerimônia está prevista para as 11h e marca a saída de uma das principais lideranças do Legislativo nos últimos anos para assumir uma cadeira no órgão responsável por auxiliar o Congresso na fiscalização das contas e dos recursos públicos federais.
Pacheco ocupará a vaga aberta com a saída de Bruno Dantas. A escolha já concluiu sua tramitação no Congresso: o Senado aprovou a indicação por 63 votos favoráveis e quatro contrários, enquanto a Câmara dos Deputados confirmou o nome por 404 votos a 61.
A indicação recebeu apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Com a aprovação pelas duas Casas do Congresso, Pacheco deixa o mandato parlamentar para ingressar em uma das principais instituições de controle das contas públicas do país.
Mudança no centro do poder em Brasília
A posse tem impacto direto na composição política do Senado. Pacheco foi eleito senador por Minas Gerais em 2018 e presidiu a Casa durante dois biênios. Nesse período, também comandou o Congresso Nacional e participou diretamente das negociações entre Senado, Câmara dos Deputados, Palácio do Planalto e demais instituições da República.
Com a ida ao TCU, Pacheco encerra sua atuação parlamentar antes do término do mandato. Ele decidiu não disputar a reeleição ao Senado em 2026. O senador também chegou a ser citado nas articulações políticas para a disputa pelo governo de Minas Gerais, mas optou por não concorrer.
A mudança altera ainda a representação mineira no Senado. Com a saída de Pacheco, a cadeira de Minas Gerais será ocupada pelo primeiro suplente, o ex-deputado federal Renzo Braz (PP-MG).
TCU ocupa posição estratégica na fiscalização do governo federal
A chegada de Pacheco ao Tribunal de Contas da União amplia a relevância política e institucional da movimentação em Brasília. O TCU é responsável pelo controle externo da administração pública federal e auxilia o Congresso Nacional na fiscalização da aplicação dos recursos da União.
Entre suas atribuições estão a realização de auditorias e inspeções, a fiscalização de contratos e obras públicas e a análise da gestão financeira e patrimonial de órgãos e entidades federais.
As decisões do tribunal podem atingir diretamente ministérios, autarquias, empresas públicas, estatais, contratos administrativos e grandes projetos de infraestrutura financiados com recursos federais.
O TCU é formado por nove ministros, escolhidos de acordo com regras previstas na Constituição Federal. Parte das vagas é preenchida por indicação do Congresso Nacional e outra parte pela Presidência da República, observados os critérios constitucionais para determinadas cadeiras.
No caso de Rodrigo Pacheco, a indicação partiu do Legislativo.
De presidente do Congresso ao Tribunal de Contas
Advogado, Pacheco construiu parte importante de sua trajetória política em Brasília. Antes de chegar ao Senado, exerceu mandato de deputado federal por Minas Gerais e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.
Eleito senador em 2018, alcançou posteriormente a Presidência do Senado e, consequentemente, do Congresso Nacional, tornando-se um dos principais interlocutores institucionais do Legislativo.
A posse no TCU representa agora uma mudança significativa em sua trajetória: Pacheco deixa o Poder Legislativo, onde participou diretamente da elaboração e votação de leis e das articulações políticas nacionais, para integrar uma instituição responsável por fiscalizar a execução de políticas públicas e a utilização de recursos federais.
A movimentação também modifica o tabuleiro político de Brasília às vésperas das eleições de 2026, ao retirar do Senado um ex-presidente da Casa e abrir espaço para a posse de seu suplente na reta final da atual legislatura.

