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Festival de Brasília do Cinema pode ser cancelado por falta de repasses e acende alerta para o setor cultural

Sem o pagamento da primeira parcela prevista desde maio, organização afirma que a 59ª edição do festival corre risco de não acontecer. Situação preocupa produtores, artistas e a cadeia da economia criativa, com reflexos também para o Estado de São Paulo.

Por Gabrielle Tricanico | Editoria Nacional | Reflexos em São Paulo

A possibilidade de cancelamento da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos mais tradicionais eventos audiovisuais do país, acendeu um alerta no setor cultural brasileiro. Previsto para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro, o festival depende da regularização de recursos públicos que, segundo a organização, deveriam ter começado a ser liberados em maio deste ano.

De acordo com integrantes da organização, a primeira parcela do convênio, estimada em R$ 1,5 milhão de um orçamento total de R$ 3 milhões, ainda não foi paga. O evento integra um planejamento firmado entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) e o Instituto Alvorada Brasil para a realização das edições de 2024, 2025 e 2026.

Atualmente, cerca de 40 profissionais já atuam na preparação do festival sem receber pelos serviços prestados. Além disso, a contratação de fornecedores, equipes técnicas, logística, hospedagem e estrutura depende da liberação imediata dos recursos. A organização afirma que, a menos de um mês da abertura prevista, o cronograma operacional está comprometido.

Em nota, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal informou que acompanha a situação, mas não estabeleceu prazo para o pagamento da verba. A pasta também descartou a possibilidade de fechamento do Cine Brasília, equipamento cultural que recentemente também enfrentou dificuldades financeiras.

Embora o impasse esteja concentrado no Distrito Federal, o impacto ultrapassa as fronteiras da capital. São Paulo concentra a maior cadeia produtiva do audiovisual brasileiro, reunindo produtoras, distribuidoras, escolas de cinema, profissionais independentes e empresas de tecnologia ligadas ao setor. O eventual cancelamento representa perda de oportunidades para cineastas paulistas, além de reduzir a circulação de obras, negócios e investimentos na economia criativa nacional.

Análise – Gabrielle Tricanico

O possível cancelamento do Festival de Brasília vai além da suspensão de um evento cultural. Trata-se de um sinal de alerta para a política pública de fomento ao audiovisual brasileiro. Festivais desse porte movimentam turismo, hotelaria, gastronomia, transporte, geração de empregos temporários e, principalmente, funcionam como vitrine para novos talentos e produções independentes.

Para São Paulo, estado que lidera a produção audiovisual do país, qualquer instabilidade em grandes festivais nacionais repercute diretamente no mercado regional, reduzindo oportunidades de exibição, networking e investimentos. Em um cenário de crescimento da economia criativa, atrasos administrativos podem gerar prejuízos que vão muito além da cultura, atingindo toda a cadeia econômica ligada ao entretenimento e à inovação.

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