Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (24) mostra diferença de quatro pontos no primeiro turno; no Sudeste, Flávio Bolsonaro registra 38% e Lula 36%, enquanto eventual segundo turno nacional entre os dois apresenta 45% a 44%.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BRASIL
A menos de duas semanas das eleições de 2026, a nova pesquisa presidencial Real Time Big Data aponta uma disputa concentrada principalmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas com diferenças importantes quando o eleitorado é observado por região, renda, idade, gênero e religião.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece numericamente à frente, com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%. Como a margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, a diferença de quatro pontos coloca os intervalos dos dois candidatos em contato no limite da margem.
Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) aparecem com 6% cada. Ronaldo Caiado (PSD) registra 2% e Romeu Zema (Novo), 1%. Outros nomes somados chegam a 1%. Brancos e nulos representam 3%, mesmo percentual dos que não souberam ou não responderam.
Na pesquisa espontânea — quando os nomes não são apresentados previamente aos entrevistados — Lula tem 36% e Flávio Bolsonaro, 30%. Augusto Cury e Renan Santos aparecem com 4% cada, enquanto Ronaldo Caiado soma 2%. Brancos e nulos chegam a 10% e os que não sabem ou não responderam representam 11%.
Sudeste mostra cenário diferente do resultado nacional
Para São Paulo e os demais estados do Sudeste, um dos principais dados do levantamento está no recorte regional. Na região, que corresponde a 42% da composição da amostra nacional, Flávio Bolsonaro registra 38%, contra 36% de Lula.
A diferença de dois pontos percentuais nesse recorte deve ser interpretada com cautela: a margem de erro geral de dois pontos divulgada pelo instituto refere-se à amostra nacional, e não necessariamente a cada subamostra regional.
O dado, portanto, não permite transformar o resultado do Sudeste automaticamente em uma projeção específica para o Estado de São Paulo, para a Região Metropolitana, Grande ABC, Alto Tietê, Vale do Paraíba, Litoral Norte ou interior paulista. Ainda assim, ajuda a identificar como a distribuição das preferências no maior bloco regional da amostra difere do agregado nacional.
A divisão territorial fica ainda mais evidente quando comparada às demais regiões. No Nordeste, Lula registra 59% e Flávio Bolsonaro 26%. No Sul, a relação se inverte: Flávio aparece com 49% e Lula com 27%.
No Norte, Lula registra 40% e Flávio, 39%. No Centro-Oeste, Flávio Bolsonaro aparece com 42% e Lula com 31%.
Esse conjunto de dados revela uma eleição nacional territorialmente heterogênea: os percentuais dos dois principais candidatos variam de maneira expressiva conforme a região considerada.
Renda expõe uma das maiores divisões do levantamento
O recorte econômico apresenta outra diferença relevante.
Entre os entrevistados com renda de até dois salários mínimos, Lula registra 52%, contra 25% de Flávio Bolsonaro.
Na faixa intermediária, de dois a cinco salários mínimos, o cenário se inverte: Flávio alcança 44%, enquanto Lula aparece com 35%.
Entre os entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos, a distância aumenta: Flávio Bolsonaro tem 50% e Lula, 24%.
A leitura política possível desses números é que renda e território aparecem como duas variáveis importantes para compreender a composição atual das intenções de voto. O levantamento, entretanto, registra associação entre os grupos e as respostas dadas; por si só, não estabelece as causas dessas diferenças.
Mulheres dão vantagem numérica a Lula; homens, a Flávio
Também há divisão relevante por gênero.
Entre os homens, Flávio Bolsonaro registra 45%, contra 36% de Lula.
Entre as mulheres, ocorre o movimento inverso: Lula chega a 46%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 30%.
São 16 pontos percentuais de diferença entre os dois no eleitorado feminino e nove pontos entre os homens, segundo os dados apresentados pelo instituto.
Religião também separa os eleitorados
Entre os católicos, Lula aparece com 46%, diante de 33% de Flávio Bolsonaro.
Entre os evangélicos, Flávio registra 49%, contra 31% de Lula.
Já entre entrevistados classificados como pertencentes a outras religiões ou sem religião, Lula aparece com 45%, enquanto Flávio registra 28%.
O recorte religioso, portanto, constitui outra divisão observável na pesquisa, embora os números não permitam concluir isoladamente quais fatores explicam o comportamento de cada grupo.
Eleitores acima de 60 anos apresentam maior diferença
A idade acrescenta outra camada ao cenário.
Entre eleitores de 16 a 34 anos, Flávio Bolsonaro tem 38% e Lula, 36%. Na faixa entre 35 e 59 anos, os dois aparecem com 41% cada.
A maior diferença está entre os entrevistados com 60 anos ou mais: Lula registra 49%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 29%.
O resultado indica que o equilíbrio nacional é formado por comportamentos bastante diferentes entre segmentos do eleitorado, e não por uma distribuição uniforme das intenções de voto.
Segundo turno: Flávio 45% e Lula 44%
A pesquisa também simulou confrontos de segundo turno.
No cenário entre Flávio Bolsonaro e Lula, o senador registra 45%, enquanto o presidente aparece com 44%. Brancos e nulos somam 8% e 3% não sabem ou não responderam.
A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro da pesquisa.
A série histórica apresentada pelo próprio levantamento ajuda a dimensionar a movimentação desse confronto. Em março, Lula tinha 42% e Flávio 41%. Em maio, eram 43% e 44%. Em junho, 45% a 40%. Em julho, 45% a 42%. No primeiro levantamento de setembro, ambos tinham 44%. Agora, Flávio aparece numericamente com 45% e Lula permanece em 44%.
Não se trata, portanto, de uma diferença que permita apontar vantagem estatística entre os dois no segundo turno.
Caiado e Cury também aparecem próximos de Lula nas simulações
Outros confrontos diretos foram testados.
Lula e Ronaldo Caiado aparecem com 44% cada. Contra Augusto Cury, Lula registra 44%, diante de 43% do candidato do Avante.
Em outro cenário, Lula marca 45%, contra 39% de Romeu Zema. Na disputa contra Renan Santos, o resultado apresentado é de 44% a 38%.
Esses números mostram que as simulações de segundo turno variam conforme o adversário testado e devem ser analisadas individualmente.
Rejeição de Lula e Flávio Bolsonaro chega a aproximadamente metade do eleitorado
A pesquisa também perguntou em quais candidatos o eleitor não votaria, permitindo múltiplas respostas.
Lula registra 50% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 49%.
Renan Santos tem 42%; Ronaldo Caiado, 38%; Romeu Zema, 35%; e Augusto Cury, 31%.
Como a pergunta admite múltiplas respostas, esses percentuais não devem ser somados entre si.
A proximidade da rejeição dos dois principais nomes ajuda a compreender um componente da disputa: tanto Lula quanto Flávio apresentam eleitorados expressivos, mas também encontram resistência declarada de parcelas relevantes dos entrevistados.
Análise: números nacionais escondem diferentes eleições dentro do Brasil
A principal leitura regional da pesquisa está justamente nas diferenças internas do eleitorado.
O placar nacional de 41% a 37% não se reproduz de maneira uniforme pelo território. No Nordeste, Lula registra uma diferença numericamente ampla; no Sul, Flávio Bolsonaro apresenta vantagem numérica expressiva. No Sudeste, os percentuais ficam próximos, com 38% para Flávio e 36% para Lula.
Para São Paulo, esse recorte merece atenção por razões eleitorais e demográficas, mas não deve ser utilizado como se fosse uma pesquisa estadual. O levantamento reúne o Sudeste — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo — em um único conjunto.
Outra característica importante é a segmentação social observada nos dados. Lula apresenta percentuais mais elevados entre mulheres, eleitores de menor renda, pessoas com 60 anos ou mais e católicos. Flávio Bolsonaro registra percentuais maiores entre homens, evangélicos e entrevistados das faixas superiores de renda.
Essas diferenças ajudam a explicar como uma disputa nacional próxima pode coexistir com vantagens numéricas bastante distintas dentro de determinados segmentos.
Ao mesmo tempo, pesquisa eleitoral representa um retrato do período em que as entrevistas foram realizadas, e não uma previsão do resultado das urnas. Oscilações dentro da margem de erro e resultados de subgrupos precisam ser interpretados considerando o tamanho das respectivas amostras.
Pesquisa ouviu 2 mil eleitores
O levantamento Real Time Big Data foi realizado entre 19 e 23 de setembro de 2026, com 2 mil eleitores em todo o território nacional.
As entrevistas foram feitas por telefone, com entrevistadores humanos. Segundo a metodologia apresentada, a abordagem inicial aos respondentes ocorreu por ligações telefônicas e disparos de mensagens virtuais.
A pesquisa informa margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado sob o número BR-04202/2026 e foi divulgado em 24 de setembro de 2026.
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