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DF comanda operação interestadual contra venda de dados de milhões de brasileiros; São Paulo está entre os alvos

Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou ação com cumprimento de mandados em seis estados; investigação aponta movimentação superior a R$ 7 milhões e acesso clandestino a CPFs, endereços, documentos e outros dados pessoais.

Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA | DISTRITO FEDERAL / SÃO PAULO

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desencadeou, nesta quinta-feira (24), uma operação de alcance nacional contra um grupo suspeito de transformar dados sigilosos de milhões de brasileiros em um negócio milionário.

A ofensiva parte do Distrito Federal, mas chega diretamente a São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco, onde são cumpridas as medidas judiciais relacionadas à investigação.

Ao todo, os agentes cumprem 13 mandados de prisão e de busca e apreensão. A apuração aponta que, entre março de 2021 e 2026, o grupo investigado teria faturado mais de R$ 7 milhões com uma plataforma que comercializava acesso a informações pessoais.

DO DISTRITO FEDERAL PARA SEIS ESTADOS

O caráter interestadual é um dos principais pontos da operação.

Embora a investigação seja conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, os alvos estão distribuídos por diferentes regiões do país. São Paulo aparece entre os estados alcançados pelas ordens judiciais, reforçando a dimensão nacional da estrutura investigada.

O objetivo agora é identificar não apenas os responsáveis pela administração da plataforma, mas também a origem das bases de dados e a eventual participação de outras pessoas na obtenção, organização e comercialização dessas informações.

UMA ASSINATURA PARA CONSULTAR DADOS DE QUALQUER CIDADÃO

Segundo as investigações, o esquema funcionava por meio de uma plataforma que cobrava mensalidade de seus usuários.

Após o pagamento, os clientes teriam acesso a uma extensa base de informações pessoais. As consultas poderiam revelar dados como nome, CPF, CNPJ, filiação, endereços, documentos e até informações relacionadas a processos judiciais.

Na prática, a investigação aponta para a existência de uma espécie de mercado clandestino de informações pessoais, no qual dados de cidadãos eram reunidos e disponibilizados mediante pagamento.

O caso ganha relevância especialmente porque esse tipo de informação pode alimentar diferentes modalidades de fraude. Nome completo, CPF, endereço e filiação, quando cruzados, podem ser utilizados para tornar golpes mais convincentes, facilitar falsidades ideológicas ou permitir novas tentativas de obtenção de informações ainda mais sensíveis.

DADOS TERIAM ORIGEM EM VAZAMENTOS E FALHAS DE SISTEMAS

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga também como essas informações chegaram à plataforma.

Uma das linhas da apuração aponta que os registros seriam provenientes de vazamentos de dados e da exploração de vulnerabilidades em sistemas pertencentes a órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.

Esse ponto deverá ser aprofundado durante a investigação, principalmente para determinar quais bases foram comprometidas, de que maneira os dados foram obtidos e se houve participação de pessoas com acesso privilegiado aos sistemas.

Também será necessário esclarecer se as informações continuavam sendo atualizadas e qual era o alcance real da base comercializada.

GRUPO JÁ PREPARAVA UMA SEGUNDA PLATAFORMA

Outro elemento considerado relevante pelos investigadores é que o grupo estaria próximo de concluir o desenvolvimento de uma segunda plataforma com funcionamento semelhante.

A descoberta indica que, segundo a investigação, o modelo de comercialização de dados poderia estar sendo ampliado.

Por determinação da Justiça, o site investigado deverá ser retirado do ar.

JUSTIÇA MANDA BLOQUEAR R$ 7 MILHÕES

A operação também atingiu o patrimônio dos investigados.

A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 7 milhões em bens, valor relacionado à movimentação financeira identificada durante a apuração.

Entre os bens alcançados pelas medidas judiciais estão imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação.

O rastreamento financeiro passa a ser uma frente importante da investigação. A polícia busca estabelecer de onde partiam os pagamentos, como os recursos eram distribuídos entre os envolvidos e de que maneira o dinheiro obtido com a plataforma teria sido incorporado ao patrimônio dos investigados.

OPERAÇÃO ACENDE ALERTA TAMBÉM EM SÃO PAULO

Para São Paulo, a presença de alvos da operação coloca o estado dentro de uma investigação iniciada no Distrito Federal, mas que alcançou diferentes pontos do território nacional.

O caso também chama atenção para um problema que não respeita limites municipais ou estaduais. Uma informação vazada em determinado sistema pode ser armazenada, cruzada com outras bases e comercializada para pessoas localizadas a milhares de quilômetros de distância.

Para o cidadão, o risco aparece principalmente quando criminosos utilizam informações verdadeiras para dar aparência de legitimidade a golpes.

Uma ligação pode apresentar corretamente nome, CPF, endereço ou informações familiares da vítima e, ainda assim, ser fraudulenta. Conhecer dados pessoais não significa que o interlocutor seja representante legítimo de banco, empresa ou órgão público.

INVESTIGADOS PODEM RESPONDER POR CINCO CRIMES

De acordo com a investigação, os envolvidos poderão responder, conforme a participação individual que vier a ser comprovada, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato.

Consideradas as diferentes imputações possíveis, as penas podem chegar a 36 anos de prisão.

A operação desta quinta-feira representa uma nova etapa da investigação. A análise de computadores, celulares, documentos e demais materiais eventualmente apreendidos poderá ajudar a polícia a reconstruir o caminho percorrido pelos dados — desde sua obtenção até a disponibilização aos usuários da plataforma.

A apuração também deverá dimensionar quantos brasileiros tiveram informações expostas, quais bases foram atingidas e quem efetivamente utilizou o serviço clandestino.

Rádio - Clínica Santa Marcia
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