Editoria: Economia | Mercado Imobiliário | Capital São Paulo
Por Gabrielle Tricanico | São Paulo (Capital)
O Centro de São Paulo voltou ao protagonismo do mercado imobiliário e registra a maior valorização da capital paulista nos últimos cinco anos. Impulsionada pela recuperação de edifícios antigos por meio de projetos de retrofit, a região acumula alta de 67,4% no valor dos imóveis, transformando uma área que por décadas enfrentou esvaziamento urbano em um dos principais polos de investimentos imobiliários do país.
Segundo levantamento da Dataland, divulgado pela Forbes Brasil, o preço médio do metro quadrado na região saltou de aproximadamente R$ 10 mil para mais de R$ 16,8 mil entre 2021 e 2026. O avanço coloca o Centro como o mercado imobiliário de maior valorização da cidade no período, refletindo a combinação entre investimentos privados, incentivos públicos e mudança no perfil de ocupação da região.
O principal motor dessa transformação é o retrofit, modalidade que moderniza edifícios antigos sem a necessidade de demolição. A estratégia reduz custos, preserva características arquitetônicas e acelera a entrega de novos empreendimentos residenciais em áreas já atendidas por ampla infraestrutura urbana, transporte público, comércio e serviços.
Outro fator decisivo foi a política pública de requalificação urbana. O programa Requalifica Centro simplificou processos de licenciamento, concedeu incentivos fiscais e permitiu a conversão de antigos prédios comerciais em residenciais, destravando investimentos que permaneceram represados durante anos.
Casos recentes ilustram esse movimento. No Edifício Virginia, localizado na Rua Martins Fontes, unidades lançadas na faixa de R$ 11 mil por metro quadrado já registram revendas acima de R$ 16 mil por metro quadrado, evidenciando o potencial de valorização da região.
Impacto regional na economia
O fortalecimento do Centro de São Paulo também repercute em toda a Região Metropolitana. O aumento da atratividade da área central impulsiona investimentos em infraestrutura, comércio, hotelaria, gastronomia e serviços, além de influenciar mercados imobiliários de cidades como Guarulhos, Santo André, São Bernardo do Campo, Osasco, Mogi das Cruzes e demais municípios do Alto Tietê e do ABC Paulista.
Economistas avaliam que o reaproveitamento da infraestrutura existente reduz a necessidade de expansão urbana, melhora a eficiência dos investimentos públicos e contribui para uma cidade mais sustentável, diminuindo deslocamentos e incentivando a ocupação de regiões já consolidadas.
Análise
A valorização de 67,4% demonstra que o Centro de São Paulo vive um novo ciclo econômico. O que antes era visto como uma região marcada pela degradação passa a atrair investidores, incorporadoras e moradores em busca de localização estratégica e imóveis modernizados.
O desafio será manter esse ritmo de crescimento sem comprometer a diversidade social da região. O avanço dos investimentos precisa caminhar ao lado de políticas habitacionais e de preservação do patrimônio histórico para evitar processos de exclusão e garantir que a revitalização beneficie diferentes perfis de moradores.
