Confusão em frente a bar próximo à Avenida Faria Lima terminou em agressões, boletim de ocorrência e colocou integrantes de famílias ligadas a marcas e empresas conhecidas no centro de um episódio que circula nas redes sociais.
Por Gabrielle Tricanico | CAPITAL | SÃO PAULO
Uma briga envolvendo jovens de famílias ligadas ao mundo empresarial e financeiro transformou a madrugada na região da Faria Lima, um dos endereços mais valorizados e simbólicos do mercado financeiro brasileiro, em caso de polícia.
A confusão ocorreu pouco depois da meia-noite de sábado (15), em frente ao Curado, estabelecimento localizado a poucas quadras da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Zona Oeste de São Paulo. O episódio ganhou repercussão depois que imagens das agressões começaram a circular em grupos de WhatsApp e nas redes sociais.
Entre os envolvidos citados no registro da ocorrência e nos relatos sobre o episódio estão integrantes de famílias relacionadas à Track&Field, uma das marcas brasileiras mais conhecidas do segmento de roupas e artigos esportivos, além de pessoas ligadas à Lúcio, empresa familiar do setor de construção e incorporação imobiliária, e um ex-executivo da XP que atualmente atua no mercado de gestão de recursos.
Confusão teria começado na área VIP
Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, o início do desentendimento teria ocorrido ainda dentro do estabelecimento, após um integrante da família ligada à Track&Field ser impedido de acessar uma área VIP.
A partir daí, a discussão teria aumentado de proporção, envolvendo frequentadores e seguranças, até chegar à rua.
As imagens que passaram a circular mostram um homem sendo contido por seguranças enquanto outro envolvido desfere golpes. Em outro momento, um empresário que já atuou como executivo da XP e atualmente é dono de uma gestora também aparece passando pelo grupo e atingindo o homem que estava sendo segurado.
O caso, porém, reúne versões diferentes sobre como as agressões começaram e qual teria sido a participação individual de cada pessoa.
Um dos empresários envolvidos afirmou que entrou na confusão para proteger mulheres que estariam próximas ao confronto dentro do estabelecimento. Segundo essa versão, o episódio posteriormente avançou para a área externa.
Economista e estudante também dizem ter sido agredidos
A repercussão deixou de ser apenas um vídeo compartilhado nas redes e passou para a esfera policial.
Um boletim de ocorrência foi registrado na terça-feira (18), na 15ª Delegacia de Polícia de São Paulo.
Um economista de 27 anos e um estudante de 25 anos afirmaram que também foram vítimas de agressões.
O estudante que procurou a polícia é primo do integrante da família ligada à Track&Field. Conforme o relato apresentado às autoridades, ele teria circulado pela área VIP sem provocar problemas, mas acabou envolvido na confusão quando o confronto já havia se espalhado para a rua.
Ele relatou ainda ter recebido um chute na região da nuca atribuído a um integrante da família ligada à Lúcio.
As circunstâncias e responsabilidades individuais deverão ser esclarecidas a partir dos depoimentos, das imagens disponíveis e de outros elementos eventualmente reunidos pela Polícia Civil.
Faria Lima como cenário
O episódio também ganhou dimensão por causa do local e do perfil dos envolvidos.
A região da Faria Lima concentra bancos, gestoras de investimentos, fundos, escritórios, empresas de tecnologia, incorporadoras e alguns dos endereços comerciais mais caros da capital paulista. Ao redor desse ecossistema financeiro cresceu também uma movimentada vida noturna frequentada por executivos, empresários, investidores e jovens de famílias de alta renda.
É justamente nesse ambiente que a ocorrência chama atenção: uma discussão iniciada em um espaço reservado de um estabelecimento terminou na rua, com agressões registradas em vídeo e posterior acionamento da Polícia Civil.
A repercussão também alcança marcas e empresas conhecidas porque alguns dos envolvidos possuem vínculos familiares ou profissionais com esses grupos. Isso, entretanto, não significa que as companhias tenham qualquer participação na ocorrência. O episódio relatado é de natureza pessoal e as responsabilidades precisam ser individualizadas.
Famílias trocaram mensagens após a briga
Apesar da violência registrada durante a madrugada, houve tentativa de distensionar o episódio posteriormente.
Segundo os relatos sobre o caso, representantes das famílias trocaram mensagens por WhatsApp depois da confusão e apresentaram pedidos de desculpas. Em uma das conversas, teria surgido inclusive um convite para que envolvidos se encontrassem para tomar vinho.
A tentativa de conciliação privada, contudo, não elimina o registro policial feito posteriormente nem impede eventual apuração das agressões.
O caso agora ganha uma segunda dimensão: além das imagens que circulam entre integrantes do mercado financeiro e nas redes sociais, existe uma ocorrência formal que permite às autoridades reconstruir a sequência dos fatos e identificar a conduta de cada envolvido.
Até que essa apuração seja concluída, relatos de agressão, autoria e motivação que não estejam comprovados devem ser tratados como versões apresentadas pelos envolvidos.
