Após Federação União Progressista anunciar adesão, NOVO oficializa apoio ao candidato do PL; Flávio busca ampliar sua base política e apresenta segundo turno contra Lula como uma disputa entre “mudança” e “continuidade”
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BRASÍLIA
O segundo turno da eleição presidencial começa a redesenhar o mapa das alianças políticas no país. Nesta quarta-feira (7), em Brasília, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu oficialmente o apoio do NOVO, poucas horas depois de a Federação União Progressista também formalizar adesão à sua candidatura.
A movimentação coloca as articulações partidárias no centro da campanha para o segundo turno e mostra a estratégia de Flávio de ampliar seu campo de apoio para além das forças que estiveram diretamente ao seu lado na primeira etapa da eleição.
Ao receber representantes do NOVO, o candidato do PL também procurou estabelecer o discurso que pretende levar às ruas até a votação de 25 de outubro.
“Agora não é mais esquerda contra direita; é quem quer mudança contra aqueles que não querem a mudança”, declarou.
A frase resume o novo enquadramento buscado pela campanha. Em vez de apresentar a eleição exclusivamente como um confronto ideológico entre direita e esquerda, Flávio tenta colocar diante do eleitor uma escolha entre continuidade e mudança.
Trata-se, porém, da narrativa política defendida pelo candidato. Na prática, o segundo turno continua colocando frente a frente dois campos políticos distintos, enquanto ambos procuram conquistar os eleitores que não votaram neles no primeiro turno.
APOIOS GANHAM PESO NA CORRIDA PELO PLANALTO
O anúncio do NOVO acontece em um momento estratégico.
Com apenas dois candidatos na disputa, os votos destinados às demais candidaturas no primeiro turno tornam-se um dos principais territórios políticos da eleição. A capacidade de ampliar alianças partidárias não significa transferência automática de votos, mas pode oferecer estrutura, lideranças regionais, tempo político e maior capilaridade para as campanhas.
É nesse cenário que a adesão do NOVO se soma à decisão da Federação União Progressista.
Flávio afirmou que integrantes dessas legendas já caminhavam individualmente ao seu lado no primeiro turno, mas ressaltou que a diferença agora está na formalização institucional dos apoios.
“Muitos, individualmente, já estavam caminhando comigo no 1º turno, mas agora é um momento ainda mais importante e há essa aderência oficial em conjunto de uma forma programática”, disse.
NOVO FECHA APOIO A FLÁVIO
A manifestação desta quarta reuniu nomes eleitos pelo NOVO em diferentes estados.
Marcel van Hattem, eleito senador pelo Rio Grande do Sul, afirmou que o partido decidiu apoiar Flávio Bolsonaro com o objetivo de derrotar o PT no segundo turno e defender uma agenda econômica e política alinhada às posições da legenda.
Segundo Van Hattem, o NOVO saiu das urnas com crescimento de sua representação, elegendo dez deputados federais, três senadores, dois vice-governadores e 15 deputados estaduais.
Deltan Dallagnol, eleito senador pelo Paraná, também participou do anúncio e fez críticas ao atual cenário institucional brasileiro. Em seu discurso, falou em “censura”, “arbítrio” e “prisões ilegais e indevidas” e afirmou que o grupo pretende “encerrar a Era Lula”.
As declarações representam a posição política de Dallagnol e foram feitas durante o ato de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Gilson Marques, representando a bancada federal do NOVO, concentrou seu discurso na economia e no poder de compra da população.
Já Marina Helena, eleita deputada federal por São Paulo, também vinculou sua manifestação ao discurso de mudança defendido pelo partido para o segundo turno.
Lahesio Bonfim, eleito senador pelo Maranhão, levou ao encontro outro componente considerado estratégico para a campanha: a tentativa de ampliar a votação de Flávio no Nordeste.
DO APOIO PARTIDÁRIO AO VOTO: O DESAFIO COMEÇA AGORA
O número de partidos reunidos em torno de uma candidatura é politicamente relevante, mas não determina sozinho o resultado de uma eleição presidencial.
Esse será um dos pontos centrais das próximas semanas.
O apoio de dirigentes partidários precisa chegar às bases, aos prefeitos, deputados, lideranças municipais e, principalmente, ao eleitor.
É justamente aí que começa uma segunda disputa dentro do segundo turno.
Flávio Bolsonaro busca demonstrar que sua candidatura deixou de representar apenas o eleitorado tradicionalmente identificado com a direita e passou a reunir diferentes forças políticas em torno da oposição ao atual governo.
Lula, por outro lado, entra nessa mesma corrida pela ampliação de alianças e pelos votos dos candidatos que ficaram fora da disputa final.
O eleitor passa, portanto, a ser o principal alvo das negociações políticas abertas depois das urnas.
FLÁVIO TENTA MUDAR O EIXO DO DEBATE
A declaração de que a eleição “não é mais esquerda contra direita” não elimina a polarização política brasileira, mas revela uma escolha estratégica de comunicação.
Flávio procura falar também com quem não se identifica diretamente com o bolsonarismo, mas pode considerar uma mudança de governo.
Ao mesmo tempo, a campanha de Lula terá o desafio de defender a continuidade de seu projeto político e impedir que a ideia de “mudança” seja apropriada exclusivamente pelo adversário.
É nesse espaço que estarão os eleitores de centro, os indecisos, aqueles que escolheram outras candidaturas e também uma parcela dos brasileiros que não compareceu ao primeiro turno.
Por isso, mais do que uma corrida por fotografias com dirigentes partidários, o segundo turno será uma disputa pela capacidade de transformar apoio político em voto.
25 DE OUTUBRO É O NOVO PONTO DE CHEGADA
Flávio Bolsonaro encerrou o encontro convocando seus apoiadores a procurarem eleitores ainda não convencidos e reforçou o pedido de comparecimento às urnas no próximo dia 25.
“Converse com as pessoas que nos últimos quatro anos tiveram a sua vida piorada por causa do atual governo a darem a oportunidade para o novo, darem uma oportunidade pra um governo moderno”, afirmou.
A declaração novamente expressa o argumento eleitoral da candidatura do PL e indica qual deverá ser uma das linhas centrais de sua campanha nesta reta final.
Com o primeiro turno encerrado, começa agora outra eleição.
As alianças estão sendo refeitas, partidos reposicionam suas estruturas e lideranças regionais passam a ter papel ainda maior na busca por votos.
O apoio do NOVO, somado à adesão da Federação União Progressista, representa mais um movimento nesse tabuleiro. O tamanho de seu impacto, entretanto, só poderá ser medido pela capacidade dessas alianças de chegar ao eleitor.
Até 25 de outubro, esse será o principal desafio de Flávio Bolsonaro — e também de Lula: transformar força política em maioria nas urnas.
