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Barueri entra no centro de investigação do Gaeco sobre suposto esquema milionário envolvendo policiais civis em São Paulo

Apuração aponta que caminhões com eletrônicos eram interceptados, pagamentos ilegais chegariam a 70% do valor das cargas e mercadorias teriam sido liberadas após “acertos”; episódio na Grande São Paulo envolveu carga avaliada em mais de R$ 1 milhão

Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA PÚBLICA | BARUERI E GRANDE SÃO PAULO

Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) coloca Barueri e a Região Metropolitana de São Paulo no centro de suspeitas de um esquema de corrupção atribuído a policiais civis, envolvendo abordagens de caminhões, apreensão de produtos eletrônicos e suposta cobrança de propina para liberação de mercadorias.

De acordo com as informações apresentadas na investigação reproduzida na publicação, o Gaeco identificou ao menos quatro ocorrências entre junho e dezembro de 2024. Somadas, as vantagens indevidas investigadas alcançariam R$ 2,35 milhões.

O ponto que amplia a gravidade das suspeitas é o possível uso da própria estrutura policial na dinâmica criminosa. Segundo o relato atribuído aos promotores, agentes receberiam previamente informações sobre caminhões transportando eletrônicos de descaminho, fariam campanas e posteriormente interceptariam os veículos.

Após a abordagem, teria início uma negociação para liberação das mercadorias. O padrão de cobrança investigado chegaria a 70% do valor estimado das cargas.

De fiscalização a suposta proteção da carga

A investigação descreve uma dinâmica particularmente sensível para a segurança pública: depois do pagamento, policiais que inicialmente teriam participado da interceptação poderiam passar a desempenhar função inversa, protegendo a mercadoria contra uma eventual nova abordagem policial.

Isso significa que as suspeitas ultrapassam uma possível cobrança isolada de propina. Caso os fatos sejam comprovados, a apuração poderá indicar a existência de uma estrutura organizada capaz de utilizar informações privilegiadas, agentes públicos e viaturas para controlar diferentes etapas da circulação das mercadorias.

Registros de utilização de viaturas nos períodos das negociações também teriam sido encontrados durante a investigação, elemento que pode ser relevante para estabelecer a presença e atuação dos agentes nos episódios apurados.

Barueri aparece em episódio de R$ 700 mil

Um dos casos de maior impacto teria ocorrido depois de uma apreensão em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, em agosto de 2024.

A carga foi avaliada em aproximadamente US$ 191 mil — cerca de R$ 1,04 milhão pela cotação daquele período. Segundo o relato da investigação, o suposto “acerto” para recuperação da mercadoria teria sido fechado em R$ 700 mil.

Parte do dinheiro teria sido transferida para contas bancárias e outra parcela paga em espécie.

O episódio ganha relevância regional porque Barueri integra um dos principais corredores econômicos e logísticos da Grande São Paulo, com conexão direta às rodovias que movimentam diariamente cargas entre a capital, a Região Metropolitana e diferentes pontos do Estado.

Suspeita de apreensões para dar aparência de legalidade

Outro ponto investigado pelo Gaeco é a forma como as ocorrências teriam sido formalizadas.

Parte das mercadorias poderia permanecer oficialmente apreendida, enquanto outra parcela seria devolvida após o pagamento. Dessa maneira, haveria uma ocorrência policial registrada, criando uma aparência formal de legalidade para a operação.

Em um episódio de junho de 2024, segundo a investigação mencionada na publicação, a quantidade de mercadoria efetivamente devolvida teria sido significativamente superior àquela registrada oficialmente pela Polícia Civil.

Essa diferença é especialmente relevante porque pode permitir aos investigadores comparar boletins, autos de apreensão, registros de viaturas, movimentações financeiras, comunicações entre os envolvidos e a quantidade real das mercadorias transportadas.

Investigação atinge ponto sensível da segurança pública paulista

O caso possui impacto que vai além dos policiais individualmente investigados. A suspeita de utilização de viaturas, informações internas e poder de fiscalização para obtenção de vantagens financeiras coloca em discussão os mecanismos de controle interno, rastreamento das operações e fiscalização das atividades policiais.

Também será fundamental esclarecer se os episódios investigados eram ações independentes ou se existia uma estrutura permanente, com divisão de funções entre responsáveis por identificar cargas, realizar abordagens, negociar valores, receber pagamentos e eventualmente garantir a circulação posterior das mercadorias.

As acusações descritas estão no âmbito de investigação e não representam condenação. A responsabilização individual dos envolvidos dependerá do avanço das apurações, das provas produzidas e de eventual processo judicial, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Para o noticiário regional, o avanço do caso deve ser acompanhado especialmente em Barueri e na Grande São Paulo, tanto pela dimensão financeira do episódio relatado quanto pela possível utilização da estrutura pública em um esquema que, segundo a investigação, teria movimentado milhões de reais.

Gaeco investiga suposto esquema atribuído a policiais civis de São Paulo envolvendo cargas de eletrônicos e R$ 2,35 milhões em vantagens indevidas. Caso em Barueri teria envolvido carga superior a R$ 1 milhão e suposto pagamento de R$ 700 mil.

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