Balanço considera apenas os três primeiros fins de semana; resultado final ainda incluirá os dias 28, 29 e 30 de agosto e poderá ampliar a movimentação econômica registrada na Estância
Por Gabrielle Tricanico | REGIONAL | RIBEIRÃO PIRES
O Festival do Chocolate 2026 by Chocolândia encerrou sua programação neste domingo (30) com números que reforçam o peso do evento para a economia e o turismo de Ribeirão Pires. Somente nos três primeiros fins de semana, foram R$ 12 milhões movimentados e mais de 144 mil visitantes, segundo levantamento realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo em parceria com instituições de ensino.
O balanço é ainda parcial. Os resultados referentes ao último fim de semana, dias 28, 29 e 30 de agosto, serão consolidados ao longo desta semana. Com isso, a movimentação financeira final da edição de 2026 deverá ultrapassar os R$ 12 milhões já contabilizados.
Os números ganham relevância regional porque mostram que o festival deixou de funcionar apenas como uma grande programação cultural para assumir papel de indutor da atividade econômica no Centro da Estância.
Quase metade do público veio de fora de Ribeirão Pires
Entre os visitantes contabilizados, 43% eram turistas e 57% moradores de Ribeirão Pires. Considerando os 144 mil visitantes registrados até o terceiro fim de semana, o percentual representa aproximadamente 62 mil visitantes de fora da cidade.
Outro indicador reforça o perfil do evento: cerca de 60% do público esteve acompanhado de familiares.
Para uma cidade com forte vocação turística e inserida estrategicamente no Grande ABC, atrair dezenas de milhares de pessoas de outros municípios significa ampliar o potencial de consumo não apenas dentro do festival, mas também em restaurantes, lojas, serviços e outros estabelecimentos locais.
Novo formato espalha público e consumo pelo Centro
Uma das principais mudanças estruturais ocorreu em 2025, quando o Festival do Chocolate deixou de concentrar suas atividades em um único espaço e passou a ocupar diferentes ruas, praças e equipamentos da região central.
O modelo foi mantido em 2026.
A programação ficou distribuída pelo ChocoPaço, Palco Chocolândia, Palco Tardezinha, Palco Vila do Doce, Espaço Felipe Sabbag e outros pontos do Centro.
A estratégia transforma a circulação de milhares de visitantes em uma oportunidade de movimentação econômica para estabelecimentos que estão além das áreas tradicionais de alimentação e entretenimento do festival.
Mais de 90 estabelecimentos e operações comerciais participaram diretamente da experiência gastronômica desta edição, incluindo restaurantes, comércios da região, food trucks e barracas gourmet.
O prefeito Guto Volpi destacou que a descentralização foi uma decisão para aproximar o festival da atividade econômica já existente na cidade.
Segundo o prefeito, a expansão pelo Centro permite apresentar aos visitantes não apenas as atrações do evento, mas também os restaurantes, comerciantes e empreendedores de Ribeirão Pires.
R$ 12 milhões antes mesmo do balanço definitivo
Outro dado destacado pela administração municipal é a comparação com 2025.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo, César Ferreira, os R$ 12 milhões registrados nos três primeiros fins de semana já colocam a edição de 2026 em patamar próximo ao resultado obtido no ano anterior, mesmo com um fim de semana a menos.
O resultado definitivo, portanto, será importante para dimensionar o crescimento econômico do festival.
A mensuração da movimentação financeira e do perfil dos visitantes foi realizada em parceria com Cruzeiro do Sul, São Judas Tadeu, ETEC Ribeirão Pires e Microlins.
Festival vira vitrine turística de Ribeirão Pires
O impacto também deve ser observado dentro da estratégia turística do município.
Ribeirão Pires possui um calendário que reúne mais de 150 eventos ao longo do ano, segundo a Secretaria de Turismo, mas o Festival do Chocolate permanece como sua principal vitrine de alcance regional.
Para o secretário de Turismo, Emerson Gilarde, a capacidade de reunir milhares de visitantes fortalece o posicionamento de Ribeirão Pires como destino turístico.
A presença de 43% de turistas no público contabilizado mostra justamente a capacidade do evento de ultrapassar as fronteiras municipais e dialogar com moradores de outras cidades do Grande ABC, da Região Metropolitana e de outras regiões.
Nove dias de música, gastronomia e cultura
Durante nove dias de programação, diferentes espaços receberam shows, atividades culturais, atrações infantis, intervenções artísticas e experiências gastronômicas.
No encerramento, o ChocoPaço recebeu o projeto “Toca de Novo”, reunindo Lorena Alexandre, Luma & Nati, Miguel Salles, Junio Souzza e Alice & Erica.
As artistas Luma & Nati, naturais de Ribeirão Pires, estiveram entre os destaques locais. Nati ressaltou a importância de passar da condição de frequentadora do festival para o palco de uma das principais celebrações da cidade.
O Palco Chocolândia recebeu Renan Palek, Macaco Estrela e Brothers, projeto formado por Supla e João Suplicy.
Já o Espaço Felipe Sabbag contou com Lilian Jardim e a Banda Marcial de Poá. O Palco Tardezinha teve programação de flashback e apresentação de Ronie Parker como Elvis Cover, enquanto a Palhaçaria da EMARP levou atividades infantis ao Palco Vila do Doce.
Festival tomou as ruas
O conceito de ocupação do Centro também apareceu fora dos palcos.
Personagens infantis, circo, palhaçaria, caricaturistas, estátuas vivas, saxofone, sanfona, violino e apresentações de mágica circularam pelas ruas durante o domingo.
O último dia contou ainda com o cortejo dos alunos eleitos rei e rainha da pipoca das escolas da rede municipal de ensino, que percorreu a Rua do Chocolate.
O encerramento consolida uma transformação iniciada em 2025: o Festival do Chocolate passa a ser utilizado também como instrumento de ocupação urbana, turismo e estímulo à economia local.
Agora, a expectativa fica para o balanço definitivo.
Com R$ 12 milhões e 144 mil visitantes contabilizados antes da inclusão do último fim de semana, os números finais deverão mostrar a dimensão completa do impacto econômico e turístico da edição de 2026 para Ribeirão Pires e para o comércio da região central.
