Levantamento da Real Time Big Data mostra vantagem expressiva do presidente entre os eleitores pernambucanos; petista também vence eventual segundo turno por 59% a 36%, enquanto Bolsonaro enfrenta rejeição de 51% no estado
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | PERNAMBUCO
A disputa pela Presidência da República encontra em Pernambuco um cenário amplamente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisa da Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (15) mostra Lula com 56% das intenções de voto no principal cenário estimulado, contra 25% de Flávio Bolsonaro (PL).
A diferença chega a 31 pontos percentuais, revelando um quadro eleitoral bastante distinto de regiões do país onde a disputa presidencial aparece mais equilibrada.
Na sequência aparecem Augusto Cury (Avante), com 5%; Renan Santos (Missão), com 4%; Pablo Marçal (PRTB), com 2%; Ronaldo Caiado (PSD), com 2%; e Romeu Zema (Novo), com 1%. Os demais candidatos somam 1%. Brancos e nulos representam 2%, enquanto outros 2% não souberam ou não responderam.
Lula também lidera com folga na pesquisa espontânea
O desempenho do presidente permanece forte quando os entrevistados precisam citar espontaneamente um nome, sem receber uma lista de candidatos.
Lula aparece com 37%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 20%. Augusto Cury e Renan Santos aparecem com 2% cada, Ronaldo Caiado tem 1% e outros nomes somam 2%.
Neste levantamento, entretanto, existe um contingente importante de eleitores ainda não totalmente definido: 26% não souberam ou não responderam, enquanto 10% declararam voto branco ou nulo.
A diferença entre os resultados espontâneo e estimulado também é politicamente relevante. Lula cresce de 37% para 56% quando os nomes são apresentados, enquanto Flávio Bolsonaro passa de 20% para 25%.
Pernambuco mantém terreno eleitoral fortemente favorável a Lula
Os números reforçam o peso de Pernambuco na estratégia eleitoral do PT. O estado natal de Lula permanece como uma das bases importantes do presidente no Nordeste e, neste levantamento, apresenta uma vantagem que ultrapassa três dezenas de pontos sobre o principal adversário.
A análise dos recortes mostra que essa vantagem não está concentrada em apenas um segmento do eleitorado.
Entre as mulheres, Lula chega a 61%, contra 21% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o placar fica mais apertado, mas o presidente continua à frente: 50% a 30%.
Isso significa que a diferença entre os dois principais candidatos é de 40 pontos entre as eleitoras e de 20 pontos entre os homens.
Renda revela uma das principais divisões do eleitorado pernambucano
Um dos dados mais importantes para compreender a eleição em Pernambuco aparece quando o levantamento é dividido pela renda.
Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula alcança 66%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 19%.
Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, a distância diminui: Lula tem 42% e Bolsonaro, 33%.
O quadro se inverte entre os entrevistados que recebem mais de cinco salários mínimos. Nesse segmento, Flávio Bolsonaro aparece com 40%, enquanto Lula registra 23%.
O recorte ajuda a explicar parte da vantagem geral do presidente. Segundo o perfil da própria amostra, 66% dos entrevistados estão na faixa de renda de até dois salários mínimos. Portanto, justamente no maior segmento socioeconômico pesquisado é onde Lula apresenta seu melhor desempenho.
Politicamente, esse dado aponta para uma eleição pernambucana fortemente marcada pela renda. Enquanto Lula domina entre os eleitores de menor renda, Bolsonaro consegue avançar significativamente conforme aumenta o poder aquisitivo.
Entre idosos, Lula chega a 65%
A divisão por idade também mostra vantagem de Lula nos três grupos analisados.
Entre eleitores de 16 a 34 anos, Lula registra 48%, contra 26% de Flávio Bolsonaro.
Na faixa dos 35 aos 59 anos, o presidente sobe para 58%, enquanto Bolsonaro tem 26%.
Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula alcança seu maior índice por idade: 65%, diante de apenas 19% de Flávio Bolsonaro.
O resultado mostra que a força eleitoral do petista cresce entre as faixas etárias mais altas, enquanto o desempenho do candidato do PL é relativamente melhor entre os mais jovens.
Segundo turno amplia vantagem
Em uma eventual disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente também aparece à frente.
Lula teria 59%, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Brancos e nulos seriam 3%, e 2% não souberam ou não responderam.
A vantagem nesse cenário é de 23 pontos percentuais.
O resultado indica que, mesmo com a concentração dos votos dos demais candidatos em apenas dois nomes, Flávio Bolsonaro não consegue, neste momento, reduzir suficientemente a distância para ameaçar a liderança de Lula no estado.
Rejeição é obstáculo para Flávio Bolsonaro
Outro indicador importante é a rejeição.
Flávio Bolsonaro lidera esse ranking: 51% dos entrevistados afirmam que não votariam nele.
Lula aparece com rejeição de 33%, mesmo percentual registrado por Pablo Marçal. Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 29% cada.
A diferença de 18 pontos na rejeição entre Bolsonaro e Lula ajuda a dimensionar o desafio enfrentado pelo candidato do PL em Pernambuco. Para crescer, Bolsonaro não depende apenas de conquistar eleitores hoje vinculados a outros candidatos; precisaria também reduzir uma resistência que atinge mais da metade do eleitorado pesquisado.
Aprovação de Lula chega a 60% em Pernambuco
O levantamento também mediu a percepção dos pernambucanos sobre o trabalho do presidente.
Segundo a pesquisa, 60% aprovam Lula, enquanto 38% desaprovam. Outros 2% não souberam ou não responderam.
Quando os entrevistados são convidados a avaliar diretamente o governo, 40% classificam o trabalho como ótimo ou bom, 30% como regular e 28% como ruim ou péssimo. Outros 2% não responderam.
A combinação entre aprovação de 60%, liderança eleitoral de 56% no cenário estimulado e vantagem no eventual segundo turno mostra que, em Pernambuco, avaliação de governo e intenção de voto caminham em uma direção semelhante.
Análise Guardiã: Pernambuco funciona como território de vantagem estratégica para Lula
Os números da Real Time Big Data mostram que Pernambuco não representa apenas uma liderança confortável para Lula. O estado funciona, neste momento da campanha, como território de construção de vantagem nacional.
Em uma eleição presidencial, não basta vencer estados: a diferença de votos importa. Por isso, locais onde um candidato consegue abrir margens expressivas tornam-se estratégicos para compensar eventuais derrotas em outras regiões.
É justamente aí que Pernambuco ganha importância no mapa eleitoral de 2026.
Lula aparece acima de 50% no cenário estimulado, alcança 59% contra Bolsonaro em uma simulação de segundo turno e apresenta seu desempenho mais forte justamente entre os eleitores de menor renda, segmento que representa a maior parcela da amostra.
Para Flávio Bolsonaro, o desafio pernambucano é duplo: reduzir a distância de Lula e, simultaneamente, enfrentar uma rejeição de 51%. Seu melhor caminho de crescimento aparece entre os eleitores de maior renda, onde chega a superar o presidente, mas esse grupo representa uma parcela menor do eleitorado pesquisado.
A fotografia eleitoral, portanto, mostra um estado ainda fortemente inclinado ao petista. A questão para as próximas semanas será saber se Lula conseguirá transformar essa vantagem em mobilização e comparecimento às urnas — ou se a campanha adversária conseguirá diminuir uma diferença que, neste momento, permanece expressiva.
Pesquisa: Real Time Big Data | 1.600 eleitores entrevistados em Pernambuco entre 10 e 14 de setembro de 2026 | margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos | nível de confiança de 95% | registro BR-00283/2026.

