Programa do Governo de São Paulo amplia em até 215% o valor pago por procedimentos cardiovasculares, fortalece Santas Casas e hospitais filantrópicos e contribui para recorde histórico de cirurgias no estado.
Por Gabrielle Tricanico | São Paulo | Saúde
A política de complementação financeira da Tabela SUS Paulista vem transformando o atendimento hospitalar em todo o Estado de São Paulo. Criado para corrigir a defasagem histórica da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), o programa já destinou mais de R$ 10,5 bilhões a cerca de 800 Santas Casas e hospitais filantrópicos, permitindo a ampliação da capacidade de atendimento, a reativação de leitos e a redução das filas por cirurgias.
Os impactos são sentidos em todas as regiões paulistas, incluindo o Grande ABC, Alto Tietê, Vale do Paraíba, Litoral Norte e Região Metropolitana, onde hospitais conveniados ao SUS dependem diretamente desses recursos para manter serviços de alta complexidade.
Entre os principais avanços está o reforço financeiro destinado às cirurgias cardíacas, cujos repasses estaduais chegam a ser 215% superiores aos valores previstos na tabela federal do SUS.
Um dos exemplos é a cirurgia para correção da Tetralogia de Fallot, cardiopatia congênita rara. O procedimento, que anteriormente recebia R$ 22.446,57 do Governo Federal, passou a contar com remuneração de R$ 70.706,70 por meio da complementação estadual.
Outros procedimentos também tiveram aumento expressivo. A angioplastia coronariana com implante de stent passou de R$ 1.986,20 para R$ 6.256,53, enquanto a ablação para fibrilação atrial passou de R$ 8.236,93 para R$ 25.946,33.
Até mesmo cirurgias tradicionais, como a revascularização do miocárdio (ponte de safena), tiveram reajuste de aproximadamente 80%, elevando o repasse de R$ 14.232,28 para R$ 25.618,10.
Além dos procedimentos cirúrgicos, o programa fortaleceu o atendimento clínico em cardiologia. Tratamentos de pacientes com infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca também passaram a receber complementação estadual, assim como exames diagnósticos, entre eles eletrocardiograma, ecocardiograma, cateterismo cardíaco e cintilografia do miocárdio.
Mais leitos e recorde histórico de cirurgias
Desde sua implantação, a Tabela SUS Paulista permitiu a reativação de mais de 8.400 leitos hospitalares em todo o Estado.
Os investimentos também contribuíram para um recorde histórico na realização de cirurgias pelo SUS paulista. Em 2025, foram registrados 3,5 milhões de procedimentos, incluindo 1,3 milhão de cirurgias eletivas, praticamente o dobro da média registrada antes da criação do programa.
Somente as cirurgias oftalmológicas cresceram quase 40%, ampliando significativamente o acesso da população aos procedimentos especializados.
Benefícios chegam às regiões
Nas regiões cobertas pela Guardiã da Notícia, a complementação financeira representa um reforço importante para Santas Casas e hospitais filantrópicos que atendem pacientes do SUS.
Unidades de referência no Grande ABC, Alto Tietê, Vale do Paraíba e Litoral Norte dependem desse financiamento para ampliar a oferta de consultas, exames, internações e cirurgias de média e alta complexidade, reduzindo a pressão sobre os sistemas municipais de saúde.
A ampliação da Tabela SUS Paulista para hospitais municipais também fortalece a rede regional, garantindo maior capacidade de atendimento em aproximadamente 70 cidades paulistas.
Análise da jornalista Gabrielle Tricanico
A Tabela SUS Paulista consolidou-se como uma das principais políticas públicas de financiamento da saúde no Estado de São Paulo. Ao complementar os valores pagos pelo SUS Federal, o programa enfrenta um problema histórico que comprometia o equilíbrio financeiro de Santas Casas e hospitais filantrópicos, responsáveis por grande parte dos atendimentos de alta complexidade.
Para as regiões cobertas pela Guardiã da Notícia, como o Grande ABC, Alto Tietê, Vale do Paraíba e Litoral Norte, o fortalecimento dessas instituições significa maior capacidade de atendimento, ampliação das cirurgias eletivas e redução da dependência de encaminhamentos para hospitais distantes. A medida também beneficia diretamente os municípios, que passam a contar com uma rede hospitalar mais estruturada e financeiramente sustentável, refletindo em mais agilidade no atendimento à população.
