Ação integrada das polícias civis de São Paulo e Minas Gerais mira estrutura responsável pela movimentação financeira de organização criminosa. Cinco investigados foram presos e um segue foragido.
Por Gabrielle Tricanico | São Paulo | Segurança Pública
Uma operação integrada das Polícias Civis de São Paulo e Minas Gerais desarticulou, nesta segunda-feira (27), um dos principais braços financeiros de uma organização criminosa com atuação interestadual. Batizada de Operação Rede Oculta, a ofensiva teve como alvo o núcleo responsável pela gestão e circulação de recursos ilícitos da facção, que, segundo as investigações, movimentou mais de R$ 500 milhões em operações suspeitas nos últimos dois anos.
As diligências ocorreram simultaneamente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, reforçando o caráter interestadual da investigação. Ao todo, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão. Cinco investigados foram capturados e um permanece foragido.
Em São Paulo, as prisões ocorreram na capital paulista e no município de Itupeva, no interior do estado. Os demais alvos foram localizados em Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR).
A Polícia Civil de São Paulo atuou em apoio à Delegacia de Homicídios de Belo Horizonte, disponibilizando equipes especializadas do Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra), unidade vinculada ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), reconhecida por sua atuação em operações de alta complexidade contra organizações criminosas.
Segundo as investigações, o grupo exercia papel estratégico na estrutura da facção, sendo responsável pela movimentação, ocultação e distribuição de recursos financeiros provenientes de atividades criminosas. A suspeita é de que empresas, contas bancárias e pessoas físicas fossem utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro, caracterizando um sofisticado esquema de lavagem de capitais.
O volume superior a R$ 500 milhões movimentado em apenas dois anos evidencia, de acordo com os investigadores, a dimensão financeira da organização e reforça a importância do combate ao chamado “braço econômico” das facções criminosas. Especialistas em segurança pública apontam que enfraquecer a estrutura financeira dessas organizações é uma das estratégias mais eficazes para reduzir sua capacidade operacional, de expansão e financiamento de outras atividades ilícitas.
Todo o material apreendido durante a operação será submetido à perícia e deverá subsidiar o aprofundamento das investigações, que buscam identificar novos integrantes da rede criminosa, empresas de fachada, possíveis operadores financeiros e beneficiários dos recursos movimentados.
Análise da jornalista Gabrielle Tricanico
A Operação Rede Oculta reforça uma tendência das forças de segurança: atacar não apenas os executores dos crimes, mas principalmente a engrenagem financeira que sustenta as organizações criminosas. Nos últimos anos, o foco das investigações passou a alcançar operadores financeiros, empresas de fachada, “laranjas” e mecanismos de lavagem de dinheiro, estratégia considerada mais eficiente do que apenas prender integrantes da linha operacional da facção.
A atuação integrada entre as polícias civis de diferentes estados demonstra que o crime organizado opera de forma interestadual e exige inteligência compartilhada para ser enfrentado. O valor superior a R$ 500 milhões movimentado em apenas dois anos revela o poder econômico dessas organizações e evidencia que combater o fluxo financeiro ilícito tornou-se uma das principais frentes da segurança pública brasileira.