Presidente da República faz aceno público à candidatura de Moisés Selerges à Câmara Federal e defende que o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC mantenha suas raízes no movimento sindical caso seja eleito. Discurso ocorreu durante a posse de Wellington na presidência da entidade.
Por Gabrielle Tricanico e Leandro Amaral | Grande ABC Paulista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a posse de Wellington na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para fazer um dos gestos políticos mais significativos da cerimônia. Ao se dirigir ao ex-presidente da entidade, Moisés Selerges, escolhido pelo campo progressista para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, Lula fez um apelo para que a futura atuação parlamentar permaneça ligada à origem sindical e à representação dos trabalhadores.
Em um discurso marcado por referências à história do movimento sindical, o presidente afirmou que um mandato parlamentar não deve afastar um dirigente de sua base de origem.
“Se você for eleito, continue sendo um metalúrgico deputado. Seja um deputado metalúrgico. Nunca esqueça a sua origem, de onde você saiu, quem você representa e para quem você vai votar.”
A declaração foi recebida como um claro gesto de apoio político à candidatura de Selerges e reforçou a estratégia do presidente de valorizar lideranças sindicais na composição da bancada que defenderá pautas trabalhistas no Congresso Nacional.
Lula destacou que a principal responsabilidade de quem chega ao Parlamento por meio do movimento sindical é preservar a identidade construída junto aos trabalhadores, mantendo o compromisso com as demandas da categoria e com a defesa da indústria nacional.
A fala ocorreu durante a cerimônia de transmissão de comando do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que passou a ser presidido por Wellington. O evento reuniu ministros, dirigentes sindicais, parlamentares e lideranças políticas ligadas ao campo progressista, consolidando-se como um dos principais atos políticos realizados no ABC Paulista neste início da corrida eleitoral de 2026.
Além de prestigiar a posse, Lula utilizou o palco para reafirmar a importância histórica do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na construção da democracia brasileira e na organização dos trabalhadores, destacando que a entidade continua sendo uma referência nacional na defesa dos direitos trabalhistas e da negociação coletiva.
Análise da jornalista Gabrielle Tricanico
O discurso de Lula foi além de um incentivo pessoal a Moisés Selerges. Ao afirmar que ele deve ser um “deputado metalúrgico”, o presidente definiu publicamente o perfil de mandato que espera de uma liderança sindical ao chegar à Câmara dos Deputados.
A escolha das palavras não foi casual. Lula procurou reforçar que a legitimidade política de Selerges não estará apenas no apoio presidencial ou na estrutura partidária, mas principalmente na manutenção de sua identidade como representante dos trabalhadores. É uma mensagem que dialoga diretamente com a origem do Partido dos Trabalhadores e com a tradição do novo sindicalismo nascido no ABC Paulista.
O gesto também possui peso eleitoral. Ao fazer esse reconhecimento diante de ministros, parlamentares e lideranças sindicais, Lula confere visibilidade nacional à candidatura de Selerges e o apresenta como um dos nomes que deverão representar as pautas do trabalho, da reindustrialização, da geração de empregos e da valorização da negociação coletiva no Congresso Nacional.
Em ano eleitoral, a cena reforça a estratégia do campo progressista de investir em candidaturas com forte identidade social e sindical. O apoio público do presidente não apenas fortalece o nome de Moisés Selerges na disputa por uma vaga na Câmara Federal, mas também reposiciona o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC como um dos principais espaços de articulação política e formulação de propostas voltadas ao mundo do trabalho.
