Contribuintes apontam reajustes que chegam a mais de 300%; Prefeitura afirma que correção aplicada foi apenas inflacionária.
Moradores de Ubatuba têm procurado a Rádio Costa Azul FM para relatar aumentos expressivos no valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 2026. De acordo com os relatos, alguns contribuintes registraram reajustes superiores a 300% em comparação com o imposto pago no ano anterior, mesmo sem alterações recentes nos imóveis, como ampliação de área construída ou melhorias na infraestrutura urbana.
Uma moradora do bairro Perequê-Açu informou que pagava cerca de R$ 470 de IPTU até 2025 e, neste ano, o valor saltou para aproximadamente R$ 2.400. Segundo ela, o imóvel está localizado em uma rua sem pavimentação, não possui ligação com a rede de esgoto e ocupa apenas meio lote. A contribuinte destacou ainda que reside no local há cerca de nove anos e que não houve qualquer mudança cadastral ou nova construção que justificasse o aumento. “Quem paga em dia acaba sendo penalizado, enquanto os inadimplentes seguem sem cobrança efetiva”, desabafou.
As reclamações surgem no momento em que o IPTU 2026 já está disponível para pagamento aos cerca de 65,5 mil contribuintes do município. O imposto pode ser quitado em cota única até o dia 10 de fevereiro. Segundo dados da Prefeitura, a expectativa da Secretaria da Fazenda é arrecadar aproximadamente R$ 135 milhões com o tributo neste ano. Até o momento, foram emitidas 4.636 guias, das quais 153 já foram quitadas, resultando em uma arrecadação inicial de R$ 285.885,35.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Ubatuba informou, por meio de nota, que o reajuste aplicado no IPTU 2026 foi de 0,92%, correspondente exclusivamente à correção inflacionária medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), acumulado entre novembro de 2024 e outubro de 2025. Segundo o município, o percentual adotado é o mesmo utilizado por outras prefeituras e não representa aumento real do imposto.
Apesar da explicação oficial, moradores seguem questionando os critérios utilizados no cálculo individual dos carnês e cobram maior transparência sobre eventuais revisões cadastrais que possam ter impactado os valores finais. A reportagem segue acompanhando o tema.
