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Terremoto de magnitude 7,1 atinge o sul do Japão; alerta de tsunami é cancelado, mas autoridades mantêm estado de atenção

Tremor de grande intensidade provoca apagões, interrupção de transportes, danos estruturais e retirada preventiva de mais de 150 mil pessoas na província de Kumamoto. Governo japonês alerta para risco de fortes réplicas nos próximos dias.

Por Gabrielle Tricanico | Mundo | Japão

Um forte terremoto de magnitude preliminar 7,1 atingiu a província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sul do Japão, na tarde desta terça-feira (28), pelo horário local. O tremor, considerado um dos mais intensos registrados na região nos últimos anos, levou a Agência Meteorológica do Japão (JMA) a emitir um alerta de tsunami para ondas de até um metro, posteriormente cancelado após a confirmação de que não houve formação significativa de ondas destrutivas.

Apesar do cancelamento do alerta de tsunami, a situação permanece crítica. O governo japonês mantém equipes de emergência mobilizadas devido ao risco elevado de novos abalos secundários (réplicas), comuns após terremotos de grande magnitude. A JMA também advertiu para a possibilidade de deslizamentos de terra, especialmente em áreas montanhosas afetadas pelas fortes vibrações do solo.

Os primeiros levantamentos apontam que cerca de 40 mil residências ficaram sem energia elétrica, enquanto os sistemas de transporte sofreram impactos imediatos. A operadora ferroviária JR Kyushu suspendeu a circulação de trens, incluindo o trem-bala (Shinkansen), e o Aeroporto de Kumamoto interrompeu temporariamente suas operações para inspeção da pista. Serviços de telefonia móvel também registraram instabilidade.

A primeira-ministra Sanae Takaichi informou que equipes seguem contabilizando os danos e confirmou registros de feridos, incêndios, danos em rodovias, pontes e desabamentos de edificações. O número de vítimas ainda está sendo atualizado pelas autoridades locais. Como medida preventiva, mais de 150 mil moradores foram orientados a buscar centros de evacuação.

O impacto também atingiu o setor industrial. Empresas como TSMC, Sony e outras fabricantes instaladas em Kyushu retiraram funcionários de suas unidades por precaução enquanto avaliam possíveis danos às instalações. As autoridades nucleares japonesas informaram que não foram detectadas anormalidades nas usinas nucleares da região, reduzindo o risco de uma crise semelhante à de Fukushima, em 2011.

Região marcada por histórico sísmico

Kumamoto possui um dos históricos sísmicos mais importantes do Japão. Em 2016, uma sequência de terremotos devastou a província, deixando 275 mortos, milhares de feridos e enormes prejuízos à infraestrutura, incluindo danos ao histórico Castelo de Kumamoto. O novo terremoto reacende o alerta sobre a elevada vulnerabilidade da região, localizada no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, área onde ocorre a maior concentração de terremotos e atividade vulcânica do planeta.

Análise da Guardiã

Embora o cancelamento do alerta de tsunami reduza o risco imediato para as áreas costeiras, o terremoto evidencia novamente a capacidade de resposta do Japão diante de desastres naturais. Os protocolos de evacuação, os sistemas de alerta precoce e a rápida interrupção preventiva de transportes e atividades industriais demonstram o alto nível de preparação do país.

O foco das autoridades agora está na avaliação dos danos estruturais, no atendimento às vítimas e no monitoramento das réplicas, que podem continuar ocorrendo ao longo dos próximos dias e representar novos riscos à população.

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