Com 44 quilômetros no contrato do Trecho Norte, conclusão do Rodoanel abre uma nova discussão: Governo de SP já prevê saturação do trecho Oeste e estuda pistas adicionais e novas rotas metropolitanas
Por Gabrielle Tricanico | INFRAESTRUTURA | GRANDE SÃO PAULO
A conclusão do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas ainda mobiliza milhares de trabalhadores e uma das maiores estruturas de engenharia rodoviária de São Paulo, mas o Governo do Estado já começa a planejar o que vem depois do fechamento do anel viário.
Durante vistoria às obras nesta quinta-feira, 3 de setembro, em Guarulhos, o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o Trecho Oeste deverá ser o primeiro segmento do Rodoanel a enfrentar problemas de saturação e revelou que já existem discussões para aumentar sua capacidade.
Entre as possibilidades está a implantação de pistas adicionais.
“Já estamos discutindo investimento de aumento de capacidade do ramo Oeste do Rodoanel. Então, a gente deve ter pistas adicionais”, afirmou Tarcísio durante a coletiva acompanhada pela Guardiã da Notícia.
Segundo o governador, a modelagem ainda terá de considerar o atual contrato de concessão.
44 QUILÔMETROS FECHAM UMA LACUNA HISTÓRICA
O contrato do Trecho Norte compreende aproximadamente 44 quilômetros da SP-021. A estrutura inclui recuperação e implantação de pavimentos, túneis, viadutos e outras grandes estruturas de engenharia.
Documentos federais referentes ao empreendimento apontam estimativa de investimento de aproximadamente R$ 5,86 bilhões.
Durante a vistoria, Tarcísio destacou a mobilização de trabalhadores e equipamentos e chamou atenção para os serviços de terraplenagem, túneis e grandes viadutos em execução.
A importância regional vai além dos quilômetros de asfalto.
O Trecho Norte completa a conexão do Rodoanel com corredores fundamentais como as rodovias Presidente Dutra, Fernão Dias e Ayrton Senna, reorganizando principalmente o trânsito de passagem e de cargas pela Região Metropolitana.
Guarulhos, Arujá, Alto Tietê e a Zona Norte da Capital estão diretamente inseridos nesse novo desenho.
O PRÓXIMO GARGALO SERÁ NO OESTE
A própria conclusão do sistema, porém, aumenta a pressão sobre outros segmentos.
Tarcísio afirmou que não identifica atualmente o mesmo problema de capacidade nos trechos Leste e Sul e que o Norte também deverá iniciar sua operação sem essa situação. A preocupação mais imediata está no Oeste.
Parte dos novos fluxos gerados pela integração completa do Rodoanel deverá convergir para esse trecho.
É justamente por isso que o governo começa a discutir sua ampliação antes mesmo da conclusão definitiva do Norte.
SURGE O MACROANEL
A segunda resposta para o problema é ainda maior.
Tarcísio relacionou os contratos da Nova Raposo e da Sorocabana à formação do que chamou de futuro “macroanel” da Região Metropolitana.
A lógica é criar novas alternativas para que determinados deslocamentos não dependam exclusivamente do atual Rodoanel.
Na prática, São Paulo começa a discutir uma segunda escala de circulação metropolitana: enquanto o Rodoanel reorganiza o tráfego ao redor da Capital, novos corredores deverão distribuir os fluxos antes que eles cheguem aos trechos mais congestionados.
A conclusão do Trecho Norte, portanto, encerra uma etapa histórica da infraestrutura paulista, mas abre imediatamente outra discussão: como preparar o sistema para o volume de veículos que ele próprio ajudará a redistribuir.
