Candidato à reeleição chama suspeitas de “fatos isolados”; cinco servidores já foram demitidos, 17 estão afastados e seis respondem a processos administrativos, segundo o governador
Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA | SÃO PAULO
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reagiu nesta quinta-feira, 3 de setembro, às novas investigações envolvendo servidores da Secretaria da Fazenda e Planejamento e afirmou que o governo usará “mão pesada” contra agentes públicos que tenham participação comprovada em irregularidades.
A declaração ocorreu durante coletiva de imprensa realizada na visita às obras do Trecho Norte do Rodoanel, em Guarulhos, horas depois de uma nova operação do Ministério Público de São Paulo.
A Operação Caldarium resultou na prisão do ex-diretor-geral da Diretoria Executiva da Administração Tributária, André Weiss, e do advogado João André Buttini de Moraes.
Segundo a investigação, há suspeitas de participação em um esquema de cobrança de propinas para favorecer empresas na análise e liberação de créditos tributários.
As responsabilidades individuais ainda são objeto de investigação e devem ser analisadas pelas autoridades competentes, garantindo aos investigados o direito de defesa.
“NÃO VAMOS DEIXAR ISSO BARATO”
Questionado pelos jornalistas, Tarcísio classificou os episódios como isolados e fez questão de defender o conjunto dos servidores públicos.
“Temos servidores extremamente comprometidos, servidores extremamente preparados”, afirmou.
Na sequência, endureceu o discurso contra eventuais envolvidos em irregularidades.
“Infelizmente, tem um ou outro que não tem caráter, que insiste em lesar o Estado. Para esses, a gente vai apresentar a mão pesada. Nós não vamos deixar isso barato.”
5 DEMITIDOS E 17 AFASTADOS
Tarcísio apresentou números das medidas administrativas adotadas.
Segundo o governador, cinco servidores da Fazenda já foram demitidos, 17 estão afastados e outros seis respondem a processos administrativos disciplinares que podem resultar em desligamento.
O governador afirmou ainda que Weiss já havia sido afastado anteriormente, em maio, depois que o avanço de outra investigação levantou suspeitas sobre sua possível participação no esquema.
ARRECADAÇÃO TAMBÉM ENTRA NA DEFESA
Ao defender a atuação da Secretaria da Fazenda, Tarcísio apresentou outro dado.
Segundo o governador, mudanças na fiscalização e no combate às fraudes no setor de combustíveis fizeram São Paulo ampliar entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões sua arrecadação de ICMS nesse segmento.
O argumento foi utilizado para separar os servidores investigados da estrutura da Fazenda e defender que o Estado vem reforçando mecanismos de controle.
EFEITO NAS ELEIÇÕES
O caso chega em um momento especialmente sensível: Tarcísio disputa a reeleição ao Governo de São Paulo.
Questionado sobre possíveis reflexos eleitorais, o candidato afirmou não acreditar que a investigação comprometa sua campanha e sustentou que a população saberá diferenciar eventuais condutas individuais da atuação do governo.
A investigação, entretanto, adiciona um novo componente ao debate eleitoral paulista.
Além de obras, concessões, segurança e serviços públicos, Tarcísio passa a ter de responder durante a campanha sobre os mecanismos de controle interno de sua própria administração.
A Guardiã da Notícia ressalta que as investigações estão em andamento, que suspeitas não representam condenação e que o espaço permanece aberto para manifestação dos citados e de suas defesas.
