Ação comandada pela Polícia Civil do Distrito Federal combate esquema suspeito de comercializar dados de milhões de brasileiros; operação mobiliza mais de 80 policiais e cumpre 13 mandados de prisão em seis estados
Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA | SÃO SEBASTIÃO / LITORAL NORTE
Uma operação nacional comandada pela Polícia Civil do Distrito Federal chegou a São Paulo e tem reflexos diretos no Litoral Norte. Conforme informações obtidas pela A Guardiã da Notícia, um dos investigados foi preso em São Sebastião, enquanto outro alvo da operação permanece foragido.
A ação, batizada de Operação Perseu 7, foi deflagrada nesta quinta-feira (24) pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), da Polícia Civil do Distrito Federal. O alvo é uma organização investigada pela manutenção da Mind-7, plataforma que, segundo a polícia, comercializava acesso a dados pessoais de brasileiros.
Mais de 80 policiais civis participam da ofensiva. Ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão temporária, além de ordens de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco.
SÃO SEBASTIÃO COLOCA LITORAL NORTE NO CENTRO DA OPERAÇÃO
A presença de um alvo em São Sebastião dá dimensão regional a uma investigação que começou no Distrito Federal, mas avançou sobre diferentes estados.
A apuração busca identificar os responsáveis pela administração da plataforma, desenvolvedores, fornecedores das bases de dados, operadores financeiros e pessoas que teriam utilizado as informações para a prática de fraudes.
A organização investigada seria formada por 13 integrantes, distribuídos em diferentes funções dentro do esquema.
A identificação dos investigados e a participação individual de cada um ainda dependem do avanço das investigações. A Guardiã acompanha também a situação do alvo apontado como foragido e eventuais novos desdobramentos no Litoral Norte.
PLATAFORMA REUNIRIA CENTENAS DE MILHÕES DE REGISTROS
A investigação revela uma dimensão ainda maior do que inicialmente divulgada.
De acordo com as informações da operação, a plataforma reunia centenas de milhões de registros. Mediante o pagamento de mensalidade, usuários poderiam realizar consultas utilizando CPF ou CNPJ.
O sistema disponibilizaria informações como nomes, filiação, endereços, documentos, vínculos e dados relacionados a processos judiciais.
A polícia apura se os bancos de dados foram construídos a partir de vazamentos e da exploração de vulnerabilidades existentes em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.
DADOS TERIAM SIDO USADOS NO GOLPE DO FALSO ADVOGADO
Outro elemento revelado pela investigação amplia a dimensão do caso.
Segundo informações da operação, dados obtidos por meio da estrutura investigada teriam sido empregados em fraudes nas quais criminosos se passavam por advogados das próprias vítimas.
Com informações verdadeiras sobre processos judiciais, os golpistas conseguiam abordar as vítimas apresentando detalhes capazes de conferir credibilidade ao contato para, posteriormente, solicitar pagamentos.
A investigação procura estabelecer a extensão do uso criminoso dessas informações e quantas pessoas podem ter sido vítimas das fraudes.
MAIS DE R$ 7 MILHÕES MOVIMENTADOS
A investigação aponta que a organização teria movimentado mais de R$ 7 milhões entre março de 2021 e 2026.
A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de até R$ 7 milhões em patrimônio dos investigados. As medidas atingem imóveis, veículos de alto padrão, uma embarcação, valores e criptoativos.
Também foi determinada a retirada da plataforma investigada do ar.
O rastreamento financeiro deverá permitir aos investigadores identificar de onde partiam os pagamentos, como os recursos eram distribuídos entre os integrantes e de que maneira o dinheiro obtido com a comercialização das informações teria sido incorporado ao patrimônio dos investigados.
SEGUNDA PLATAFORMA ESTAVA SENDO PREPARADA
Os investigadores descobriram ainda que o grupo estaria finalizando o desenvolvimento de uma segunda plataforma com características semelhantes, indicando possível tentativa de ampliação ou continuidade da atividade investigada.
Computadores, celulares, documentos e outros materiais apreendidos durante o cumprimento das medidas judiciais deverão ser submetidos a análise.
Esse trabalho poderá ajudar a reconstruir o caminho percorrido pelas informações pessoais, desde a obtenção dos dados até sua disponibilização aos usuários da plataforma.
INVESTIGADOS PODEM RESPONDER POR CINCO CRIMES
Os envolvidos poderão responder, conforme a participação individual que vier a ser comprovada, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato.
Consideradas as diferentes imputações possíveis, as penas podem chegar a 36 anos de prisão.
A operação desta quinta-feira representa uma nova etapa da investigação. A polícia ainda deverá dimensionar quantos brasileiros tiveram informações expostas, quais bancos de dados foram atingidos e quem efetivamente utilizou os serviços oferecidos pela plataforma.
PRISÃO EM SÃO SEBASTIÃO AMPLIA REPERCUSSÃO NO LITORAL NORTE
Para o Litoral Norte, um dos principais pontos da investigação passa a ser a identificação da eventual participação do investigado preso em São Sebastião na estrutura apurada pela Polícia Civil do Distrito Federal.
Também permanece a busca pelo outro alvo apontado como foragido.
A A Guardiã da Notícia acompanha os desdobramentos da Operação Perseu 7 e busca novas informações sobre a atuação dos investigados no estado de São Paulo.
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