Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo está preso desde 18 de setembro; investigação apura possível influência do crime organizado sobre empresas que operam o transporte coletivo da capital. Defesa nega as acusações.
Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA E JUSTIÇA | SÃO PAULO
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta quarta-feira (23) o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), mantendo o político preso no âmbito da investigação que apura a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo paulistano.
A decisão acrescenta um novo capítulo a uma investigação de forte impacto regional, porque atinge um setor essencial da maior cidade do país e busca identificar de que forma organizações criminosas teriam conseguido influência sobre empresas responsáveis pela operação de linhas de ônibus em São Paulo.
Milton Leite está preso desde 18 de setembro, quando se apresentou em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo. A prisão havia sido decretada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo após pedido do Ministério Público paulista.
Defesa tentou derrubar prisão no STJ
Os advogados recorreram ao STJ buscando a revogação da prisão. A defesa questiona os fundamentos utilizados para manter Milton Leite preso e sustenta que não existem elementos que justifiquem a medida.
Também foram apresentados argumentos relacionados às condições pessoais do ex-vereador e alternativas à manutenção da prisão. Com a negativa do habeas corpus, porém, Milton Leite permanece detido.
Investigação mira transporte público de São Paulo
O caso está relacionado à Operação Vectura Corrupta, que investiga uma suposta estrutura de infiltração do crime organizado em empresas ligadas ao transporte coletivo.
As autoridades investigam possíveis relações entre empresários, operadores do setor, agentes políticos e pessoas apontadas como integrantes ou ligadas ao PCC. Entre os pontos sob apuração estão suspeitas envolvendo lavagem de dinheiro e eventual influência sobre empresas e contratos do transporte público.
No caso de Milton Leite, investigadores analisam elementos que poderiam indicar sua eventual influência política sobre decisões relacionadas a empresas do setor. As suspeitas fazem parte de uma investigação em andamento e ainda estão sujeitas ao contraditório, à ampla defesa e à análise do Judiciário.
A defesa de Milton Leite nega envolvimento do ex-vereador com atividades criminosas e contesta as acusações.
Caso coloca transporte de São Paulo no centro das investigações
A dimensão regional da investigação ultrapassa a situação individual de Milton Leite. O caso atinge um dos serviços públicos mais importantes da capital paulista e levanta questionamentos sobre a eventual atuação do crime organizado dentro de estruturas empresariais responsáveis pelo transporte de milhões de passageiros.
As investigações também buscam compreender se eventuais relações criminosas poderiam alcançar contratos públicos, decisões administrativas e articulações políticas relacionadas ao sistema de ônibus da capital e da Região Metropolitana.
Com a decisão do STJ, Milton Leite segue preso enquanto as investigações avançam. A defesa mantém a posição de que o ex-vereador não participou dos crimes investigados e continuará buscando medidas judiciais para contestar sua prisão.
