Governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes participam do tradicional desfile cívico-militar no Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, marco da memória histórica paulista.
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Por Gabrielle Tricanico | SÃO PAULO | PARQUE IBIRAPUERA
O Estado de São Paulo celebra nesta quinta-feira (9) os 94 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, um dos episódios mais marcantes da história política brasileira e o único conflito armado de grandes proporções ocorrido no país durante o século XX. A cerimônia oficial acontece a partir das 8h, em frente ao Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, no Parque Ibirapuera, reunindo o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital Ricardo Nunes, autoridades civis e militares, representantes dos Três Poderes, entidades da sociedade civil e familiares dos combatentes.
A programação terá início com o hasteamento do Pavilhão Nacional pela Escola Superior de Soldados (ESSd), seguido de homenagens aos ex-combatentes e do tradicional desfile cívico-militar, que reúne integrantes das Forças Armadas, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, escolas militares e entidades ligadas à preservação da memória da Revolução de 1932.
A Revolução Constitucionalista teve início em 9 de julho de 1932, quando São Paulo se levantou contra o governo provisório de Getúlio Vargas, instaurado após a Revolução de 1930. O principal objetivo do movimento era exigir a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, a promulgação de uma nova Constituição e a retomada da normalidade democrática no país.
Embora o movimento tenha sido derrotado militarmente após cerca de três meses de confrontos, em outubro de 1932, a mobilização paulista produziu importantes consequências políticas. A pressão exercida pelo Estado contribuiu para que o governo federal convocasse eleições para a Assembleia Constituinte, culminando na promulgação da Constituição de 1934, considerada um avanço institucional para o Brasil.
Ao longo dos combates, milhares de voluntários deixaram suas atividades para integrar as frentes de batalha. Estudantes, profissionais liberais, trabalhadores, mulheres e integrantes das forças de segurança participaram do movimento. Entre os símbolos da Revolução estão os jovens Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, conhecidos pela sigla MMDC, mortos durante manifestações em maio de 1932 e transformados em ícones da resistência paulista.
O Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, onde ocorre a solenidade oficial, abriga os restos mortais de diversos combatentes da Revolução e é considerado um dos principais monumentos históricos do Estado de São Paulo. O local representa a memória daqueles que participaram do movimento constitucionalista e permanece como espaço de homenagens anuais.
Durante a cerimônia desta quinta-feira, o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes devem reforçar a importância da preservação da memória histórica e dos valores democráticos representados pela Revolução Constitucionalista. A expectativa é de grande participação popular em uma das datas cívicas mais importantes do calendário paulista.
O 9 de Julho é feriado estadual desde 1997 e segue como símbolo da defesa da Constituição, da autonomia dos estados e do fortalecimento das instituições democráticas brasileiras.
