Ataques no Estreito de Ormuz elevam barril de petróleo para US$ 80 e geram temores sobre a inflação; no cenário interno, renúncia na Vale afeta bolsa e mercado reduz liquidez por feriado em São Paulo.
O mercado financeiro operou sob forte tensão global nas últimas horas, levando o Ibovespa a registrar uma queda de 0,79%. O principal catalisador do pessimismo foi a escalada de conflitos no Oriente Médio, agravada após declarações de Donald Trump dando fim a um cessar-fogo na região. A crise se intensificou com ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz, seguidos por uma dura retaliação dos Estados Unidos contra 80 instalações em Teerã.
Como reflexo imediato das hostilidades, o preço do barril de petróleo disparou 6%, atingindo a marca de US$ 80. A alta da commodity impulsionou as ações da Petrobras no Brasil, que avançaram 3,15%. No entanto, o ganho foi ofuscado pelo forte recuo da Vale, que caiu 4,59%. A mineradora enfrenta uma crise de confiança no mercado após o pedido repentino de demissão do presidente do seu conselho de administração. A justificativa oficial de “motivos pessoais” não convenceu os investidores, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já anunciou que abrirá uma investigação para apurar as recentes operações atreladas à companhia.
No cenário macroeconômico, a ata do Federal Reserve (o Banco Central americano) trouxe mais apreensão. Metade dos dirigentes sinalizou a possibilidade de as taxas de juros dos EUA serem elevadas até o final do ano. No Brasil, com o dólar fechando cotado a R$ 5,14, a preocupação do mercado gira em torno do repasse da alta do petróleo para os combustíveis e fretes. Uma eventual pressão inflacionária pode inviabilizar o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic (atualmente em 14,25%), que era amplamente aguardado para a reunião de agosto após o alívio recente nos dados do IPCA.
O ambiente de incertezas ainda é alimentado pelo vaivém político e econômico nos Estados Unidos. A autoridade de mercado americana informou que planeja investigar Donald Trump após identificar a operação de 21 mil contratos de sua autoria no ano passado. Analistas e reguladores questionam se a volatilidade e as quedas na bolsa causadas pelas idas e vindas de seus discursos públicos — como o cancelamento e a posterior retomada de negociações de paz — estariam sendo utilizadas de forma especulativa.
Para esta quinta-feira, as bolsas europeias abriram no zero a zero, à espera de novos desdobramentos diplomáticos. No Brasil, devido ao feriado no estado de São Paulo, a expectativa é de que a B3 opere com volume e liquidez reduzidos, embora o radar dos investidores continue totalmente voltado para as tensões externas.
