Por Gabrielle Tricanico/ Grande Abc
Ronickson Pimentel dos Santos, oficial da Rota e irmão de Eloá Pimentel, assassinada em 2008 no caso Lindemberg, foi atacado por dois homens em uma motocicleta enquanto estava à paisana em São Caetano do Sul. A Polícia Militar trata o caso como tentativa de homicídio.
Um atentado contra um oficial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), da Polícia Militar do Estado de São Paulo, mobilizou as forças de segurança na tarde deste sábado (27), em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na cabeça enquanto estava à paisana, parado em um semáforo da Avenida Goiás. Segundo a Polícia Militar, dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram os disparos antes de fugir.
Equipes de resgate realizaram os primeiros atendimentos no local, e o policial foi transportado pelo helicóptero Águia para uma unidade hospitalar. Até a publicação desta reportagem, não havia atualização oficial sobre seu estado de saúde.
A ocorrência é investigada como tentativa de homicídio. A Polícia Militar e as demais forças de segurança realizam diligências para identificar os autores e esclarecer a motivação do ataque.
O caso ganha repercussão nacional porque a vítima é irmão de Eloá Pimentel, jovem de 15 anos assassinada em outubro de 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves, em um dos episódios criminais mais marcantes da história recente do Brasil. Na época, Ronickson participou ativamente da busca por justiça para a irmã. Anos depois, ingressou na Polícia Militar, onde construiu carreira na Rota, uma das tropas de maior especialização da corporação.
O atentado reacende o debate sobre a violência enfrentada por agentes de segurança pública, inclusive quando estão fora do horário de serviço.
Análise | Um ataque que atinge o Estado e reacende uma história que marcou o Brasil
O atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos ultrapassa os limites de mais uma ocorrência policial. Quando um integrante da Rota é alvo de uma tentativa de homicídio, a mensagem não é dirigida apenas ao policial, mas também ao Estado e às forças responsáveis pelo combate ao crime organizado.
A Rota representa uma das unidades mais estratégicas da Polícia Militar paulista, frequentemente empregada em operações de alto risco. Por isso, ataques contra seus integrantes costumam provocar grande mobilização das autoridades e prioridade nas investigações.
Há ainda um aspecto humano que amplia a repercussão do caso. Ronickson pertence a uma família que já teve sua história marcada pela violência. Em 2008, perdeu a irmã, Eloá Pimentel, em um crime que chocou o país e provocou mudanças no debate sobre segurança pública e violência doméstica.
Quase duas décadas depois, a mesma família volta a enfrentar um episódio de extrema gravidade.
É importante destacar que, até o momento, não há qualquer informação oficial indicando que o atentado tenha relação com a atuação profissional do tenente ou com qualquer organização criminosa específica. A motivação ainda será esclarecida pelas investigações.
Ao longo da minha trajetória jornalística, sempre defendi que valorizar as forças de segurança significa reconhecer o papel essencial desempenhado por policiais que diariamente colocam suas vidas em risco para proteger a população. Isso não exclui o necessário controle institucional e o respeito à legalidade, mas reforça a importância de garantir condições para que esses profissionais exerçam sua missão com segurança.
O ataque em São Caetano do Sul evidencia que a violência não distingue horário de serviço nem descanso. Quando um policial é emboscado mesmo estando à paisana, o episódio reforça a necessidade de uma resposta rápida das autoridades, tanto para responsabilizar os criminosos quanto para preservar a confiança da sociedade na capacidade do Estado de enfrentar a criminalidade.