Pesquisa mostra vantagem numérica de Allyson (União Brasil), mas margens se sobrepõem; Cadu de Lula (PT) tem desempenho mais forte entre mulheres e eleitores de menor renda.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | RIO GRANDE DO NORTE
A disputa pelo governo do Rio Grande do Norte chega à reta final do segundo turno com vantagem numérica de Allyson (União Brasil) e um eleitorado dividido por renda e gênero. Pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira, 20 de outubro, mostra Allyson com 45% das intenções de voto, contra 42% de Cadu de Lula (PT) no cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados.
A diferença de três pontos percentuais exige cautela: a margem de erro informada é de dois pontos para mais ou para menos. Os intervalos dos candidatos se sobrepõem, configurando um quadro de empate técnico. O levantamento, portanto, aponta uma vantagem numérica, sem estabelecer uma liderança fora da margem.
A pesquisa eleitoral no Rio Grande do Norte ouviu 1.600 eleitores entre 15 e 19 de outubro. O nível de confiança é de 95%, e o registro informado é RN-02651/2026.
Votos válidos colocam Allyson com 52% e Cadu com 48%
Na projeção de votos válidos apresentada pela Real Time Big Data, Allyson aparece com 52%, enquanto Cadu de Lula tem 48%. Esse cálculo exclui votos brancos, nulos e respostas de quem não sabe ou não respondeu.
O resultado deve ser entendido como um retrato das entrevistas, sem equivaler a uma previsão do desfecho nas urnas. O relatório não apresenta uma margem de erro específica para esse recálculo.
No cenário estimulado completo, a distribuição é:
- Allyson (União Brasil): 45%;
- Cadu de Lula (PT): 42%;
- Nulo ou branco: 9%;
- Não sabem ou não responderam: 4%.
Os 13% que não indicaram um dos candidatos reúnem situações diferentes. Há eleitores que declaram voto branco ou nulo e outros que não apresentam uma escolha. Não é adequado tratar todo esse contingente como indeciso ou como votos disponíveis para uma candidatura.
Na espontânea, distância é de dois pontos
Na pergunta aberta, sem apresentação dos nomes, Allyson registra 43%, e Cadu de Lula, 41%. Outros 9% declaram voto nulo ou branco, enquanto 7% não sabem ou não respondem.
A proximidade também nesse cenário reforça a leitura de uma eleição competitiva. Os dois candidatos são mencionados espontaneamente por parcelas expressivas do eleitorado, mas nenhum abre uma distância confortável.
A diferença entre as respostas espontâneas e estimuladas não representa crescimento ao longo do tempo: são perguntas distintas realizadas no mesmo levantamento.
Mulheres favorecem Cadu; homens dão vantagem a Allyson
O recorte por gênero revela uma divisão importante na eleição para governador do Rio Grande do Norte.
Entre os homens, Allyson tem 48%, contra 39% de Cadu. Entre as mulheres, o petista aparece numericamente à frente, com 45%, enquanto Allyson registra 42%.
As mulheres representam 53% da amostra; os homens, 47%. Esse desenho ajuda a compreender por que a vantagem mais ampla de Allyson no eleitorado masculino não se transforma em uma diferença equivalente no resultado estadual.
Os números dos segmentos devem ser interpretados com cautela: o relatório não informa margens de erro específicas para cada grupo, cujas bases são menores que a amostra total.
Renda expõe o contraste mais forte da disputa
A renda familiar apresenta o contraste mais acentuado entre as candidaturas. Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, Cadu de Lula tem 48%, contra 42% de Allyson.
Esse grupo corresponde a 60% da amostra, o que dá relevância à disputa pelo voto popular na reta final.
Na faixa de dois a cinco salários mínimos, Allyson marca 47%, e Cadu, 38%. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, a distância aumenta: Allyson chega a 53%, enquanto o petista tem 27%.
O levantamento mostra, assim, bases de apoio socialmente distintas. Cadu apresenta seu melhor desempenho na faixa de menor renda, enquanto Allyson amplia sua vantagem numérica nos grupos de renda mais alta.
Esses dados descrevem a distribuição das preferências. Isoladamente, não permitem afirmar quais propostas, avaliações de governo ou vínculos políticos explicam as escolhas.
Jovens dão vantagem a Allyson; faixa intermediária está empatada
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Allyson registra 47%, contra 40% de Cadu de Lula.
Na faixa de 35 a 59 anos, que representa 46% da amostra, os candidatos aparecem empatados numericamente, com 44% cada. Entre os entrevistados com 60 anos ou mais, Allyson tem 44%, e Cadu, 43%.
O resultado evidencia a importância do eleitorado de idade intermediária: é o maior grupo etário da pesquisa e apresenta uma divisão exata entre as candidaturas.
Cadu tem rejeição maior, mas sua base declara mais firmeza
Na pergunta sobre rejeição, 33% dos entrevistados dizem que não votariam em Cadu de Lula, enquanto 24% apontam Allyson. Outros 22% rejeitam ambos, e 21% não rejeitam nenhum.
A rejeição exclusiva mais elevada representa um obstáculo à expansão de Cadu. Entretanto, o petista apresenta maior firmeza declarada entre seus próprios eleitores.
Entre os apoiadores de Cadu, 89% afirmam que não mudariam o voto de jeito nenhum, 7% dificilmente mudariam e 4% poderiam migrar para Allyson.
Entre os eleitores de Allyson, 84% dizem que não mudariam de jeito nenhum, 11% dificilmente mudariam e 5% poderiam votar em Cadu.
No conjunto dos entrevistados, 95% afirmam que o voto está definido, contra 5% que dizem que não. A consolidação declarada das preferências sugere espaço restrito para conversões, embora não elimine mudanças até a votação.
Análise de Gabrielle Tricanico: vantagem estreita coloca mobilização no centro da decisão
A pesquisa Real Time Big Data revela dois desafios diferentes na disputa pelo governo potiguar. Allyson chega numericamente à frente, apresenta rejeição exclusiva menor e tem desempenho mais forte entre homens, jovens e eleitores de maior renda. Seu desafio é transformar essa vantagem estreita em votos efetivamente depositados nas urnas.
Cadu de Lula mantém competitividade apoiado no desempenho entre mulheres e eleitores de até dois salários mínimos, além de uma base que declara maior resistência à mudança de voto. Ao mesmo tempo, enfrenta rejeição exclusiva superior à do adversário, fator que pode dificultar a conquista de novos apoios.
Com 95% declarando voto definido, o levantamento sugere que a capacidade de mobilizar os próprios eleitores terá peso importante. Em uma corrida apertada, comparecimento e preservação da base podem ser tão decisivos quanto a tentativa de convencer quem ainda não escolheu.
Há também um limite para a leitura regional: o material não apresenta resultados separados por municípios ou regiões do estado. Portanto, não permite atribuir vantagem em Natal, Mossoró ou no interior a qualquer candidato.
O retrato é de uma eleição aberta, com vantagem numérica de Allyson e condições de disputa para Cadu. Sem uma série histórica comparável no documento, não há base para afirmar que houve crescimento, queda ou virada de qualquer um dos dois.
Metodologia: pesquisa Real Time Big Data com 1.600 eleitores do Rio Grande do Norte, realizada de 15 a 19 de outubro de 2026 e divulgada em 20 de outubro. Margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Registro informado: RN-02651/2026.
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Fonte: pesquisa anexada. Rio Grande do Norte RN-02651-2026 Out26.pdf

