Pesquisa mostra empate técnico na corrida pelo Palácio Anchieta; renda, idade e voto feminino revelam os desafios dos candidatos na reta final do segundo turno.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | ESPÍRITO SANTO
A disputa pelo governo do Espírito Santo chega à reta final com vantagem numérica de Lorenzo Pazolini (Republicanos), mas sem uma liderança consolidada fora da margem de erro. Pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira, 20 de outubro, mostra o candidato com 46% das intenções de voto, contra 43% de Ricardo Ferraço (MDB) no cenário estimulado.
A diferença de três pontos percentuais configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Brancos e nulos somam 8%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
O levantamento sobre as eleições 2026 no Espírito Santo ouviu 1.600 eleitores entre os dias 15 e 19 de outubro. O nível de confiança é de 95%.
No cálculo dos votos válidos apresentado pelo instituto, que exclui brancos, nulos e indecisos, Pazolini aparece com 52%, e Ferraço, com 48%. Os números retratam o período das entrevistas e não constituem previsão do resultado eleitoral.
Pesquisa espontânea mantém diferença de três pontos
Quando os entrevistados respondem sem receber os nomes dos candidatos, Pazolini registra 45%, e Ferraço, 42%. Nesse cenário, brancos e nulos representam 8%, e outros 5% não souberam ou não responderam.
A proximidade entre os resultados espontâneo e estimulado indica que as duas candidaturas já estão presentes na memória de grande parte do eleitorado capixaba. Isso, porém, não elimina a possibilidade de mudanças até a votação.
Mulheres e idosos dão vantagem numérica a Ferraço
Os recortes da Real Time Big Data mostram diferenças relevantes entre os grupos pesquisados.
Entre os homens, Pazolini tem 50%, contra 41% de Ferraço. Entre as mulheres, o quadro se inverte: o candidato do MDB aparece com 45%, enquanto o adversário registra 42%.
A divisão também aparece nas faixas etárias. Entre eleitores de 16 a 34 anos, Pazolini alcança 51%, e Ferraço, 39%. No grupo de 35 a 59 anos, os percentuais são de 46% e 43%, respectivamente.
Já entre os entrevistados com 60 anos ou mais, Ferraço registra 48%, contra 39% de Pazolini.
Esses resultados são recortes da amostra. A margem de erro geral de dois pontos não deve ser aplicada automaticamente a cada segmento, cujas margens específicas não são informadas no material.
Renda expõe outro ponto de divisão do eleitorado capixaba
Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, Ferraço soma 50%, enquanto Pazolini tem 42%. Esse grupo corresponde a 43% da amostra, o que evidencia sua relevância na disputa pelo governo estadual.
Pazolini apresenta seu melhor resultado entre os entrevistados que recebem de dois a cinco salários mínimos: são 52%, contra 38% de Ferraço.
Na faixa acima de cinco salários mínimos, o candidato do Republicanos registra 46%, e o emedebista, 39%. Nesse segmento, brancos e nulos chegam a 12%.
A pesquisa identifica as diferenças de preferência, mas não permite afirmar, isoladamente, quais propostas ou fatores explicam essas escolhas.
Rejeição e definição do voto desafiam as campanhas
Na pergunta sobre rejeição, 25% afirmam não votar em Pazolini, enquanto 22% apontam Ferraço. Outros 16% rejeitam ambos, e 37% não rejeitam nenhum dos dois.
O levantamento também mostra que 89% dos eleitores dizem estar com o voto definido, enquanto 11% afirmam que ainda não decidiram definitivamente.
Entre os eleitores de Pazolini, 80% declaram que não mudariam de voto de jeito nenhum; 14% dificilmente mudariam; e 6% admitem trocar pelo adversário.
Entre os apoiadores de Ferraço, 77% dizem que não mudariam de jeito nenhum, 16% dificilmente mudariam e 7% admitem votar em Pazolini.
Os percentuais apontam bases majoritariamente firmes, mas preservam espaço para movimentações em uma eleição numericamente apertada.
Análise de Gabrielle Tricanico: a vantagem exige cautela, e a reação depende de ampliar bases
A pesquisa Real Time Big Data revela uma disputa pelo governo do Espírito Santo em que o placar geral precisa ser lido junto com as diferenças entre os grupos de eleitores. Pazolini está numericamente à frente, mas a distância para Ferraço não autoriza tratar a eleição como resolvida.
O desafio de Pazolini é transformar sua vantagem entre homens, jovens e eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos em um resultado mais amplo. Para isso, os dados sugerem a necessidade de melhorar seu desempenho entre mulheres, idosos e famílias de menor renda.
Ferraço enfrenta o movimento inverso: precisa preservar os segmentos em que aparece à frente e reduzir a distância entre os jovens e na faixa intermediária de renda. Depender apenas dos grupos em que já tem melhor desempenho pode limitar sua capacidade de ultrapassar o adversário.
O dado de que 89% afirmam estar com o voto definido aumenta a importância da mobilização das bases e da capacidade de convencer a parcela ainda aberta à mudança. Em uma disputa com três pontos de diferença nas intenções totais, pequenas alterações podem ter peso político relevante.
Há, ainda, um limite importante para a leitura regional: o relatório não apresenta resultados separados por município ou região. Portanto, não permite atribuir vantagem a qualquer candidato em Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica ou no interior capixaba.
A conclusão é de uma eleição competitiva: Pazolini tem vantagem numérica; Ferraço permanece próximo; e os recortes sociais mostram onde cada campanha enfrenta seus principais desafios.
Dados da pesquisa: Real Time Big Data; 1.600 entrevistas no Espírito Santo; campo de 15 a 19 de outubro de 2026; divulgação em 20 de outubro; margem de erro de dois pontos percentuais; nível de confiança de 95%; registro informado no relatório: ES-06599/2026.

