Juliana Maria Teixeira da Costa morreu neste sábado (26) em acidente na região do Vale do Ribeira. Gestora havia sido denunciada pelo Ministério Público em investigação que apontava suposto uso de R$ 41,2 mil de recursos públicos para pagamento de ritual espiritual.
Por Gabrielle Tricanico | CIDADES | RIBEIRA
A vice-prefeita de Ribeira, no Vale do Ribeira, Juliana Maria Teixeira da Costa, morreu neste sábado (26), aos 40 anos, após um acidente de trânsito. Juliana também ocupava o cargo de secretária municipal de Saúde.
O acidente ocorreu na região da estrada que liga Ribeira a Itaoca, no interior paulista. As circunstâncias exatas da ocorrência e a dinâmica do acidente ainda dependem de informações oficiais das autoridades responsáveis pela investigação.
A morte da vice-prefeita ganha repercussão estadual também pelo momento político e judicial vivido por Juliana. A gestora havia se tornado alvo de um processo relacionado à administração de recursos públicos municipais, envolvendo contratos da área da Saúde e a acusação de que dinheiro público teria sido utilizado para finalidade particular.
DENÚNCIA APONTAVA SUPOSTO DESVIO DE R$ 41,2 MIL
O Ministério Público de São Paulo havia denunciado Juliana por suspeitas relacionadas a contratos municipais e pelo suposto emprego de aproximadamente R$ 41,2 mil em recursos públicos para custear um chamado “casamento espiritual”.
A denúncia foi recebida pela Justiça em 2025, e Juliana chegou a ser afastada cautelarmente de suas funções.
Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, o dinheiro teria sido destinado ao pagamento de um ritual envolvendo Juliana e Lauro Olegário da Silva Filho, então ligado à área da Saúde de Ribeira.
A Promotoria sustentava que o repasse teria ocorrido por intermédio de uma empresa contratada pelo poder público municipal.
No âmbito criminal, as investigações mencionavam suspeitas de peculato, falsidade ideológica, associação criminosa e frustração do caráter competitivo de licitação.
As acusações, entretanto, não representam uma condenação definitiva. A defesa de Juliana contestava as suspeitas e negava que recursos públicos tivessem sido desviados para o pagamento do ritual.
“CASAMENTO ESPIRITUAL” GANHOU REPERCUSSÃO NACIONAL
O episódio ultrapassou as fronteiras do Vale do Ribeira e ganhou repercussão nacional devido às circunstâncias incomuns apresentadas durante a investigação.
De acordo com as informações que vieram a público, o chamado “casamento espiritual” teria sido realizado em 2024.
A mulher apontada como responsável pela cerimônia afirmou posteriormente que o valor total relacionado aos serviços espirituais chegaria a R$ 380 mil. Segundo a versão apresentada por ela, pouco mais de R$ 40 mil teriam sido pagos.
É necessário, porém, separar as informações: o montante de aproximadamente R$ 41,2 mil é o valor relacionado à acusação de suposto uso de recursos públicos, enquanto os R$ 380 mil correspondem a uma alegação feita pela responsável pelo ritual sobre o valor total do serviço. Não significa que R$ 380 mil em dinheiro público tenham sido desviados.
MORTE REPERCUTE NO VALE DO RIBEIRA
Além de vice-prefeita, Juliana exercia papel diretamente ligado à administração da Saúde de Ribeira, município localizado no extremo sul do estado de São Paulo e integrante da região do Vale do Ribeira.
A morte provoca uma mudança imediata no cenário político e administrativo local e também produz consequências jurídicas em relação aos processos nos quais Juliana figurava como acusada.
Eventuais investigações envolvendo outros investigados, contratos, empresas ou agentes públicos, entretanto, podem prosseguir de forma independente, conforme as decisões da Justiça e do Ministério Público.
Agora, as autoridades também deverão esclarecer as circunstâncias do acidente que provocou a morte da vice-prefeita.

