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Operação do Gaeco mira policiais civis e advogado por suspeita de extorsão milionária em São Paulo

Investigação aponta suposto esquema envolvendo desvio de cargas de celulares, cobrança de até 70% do valor dos carregamentos e pagamento de propina; Justiça determinou prisões preventivas, buscas em três estados e bloqueio de até R$ 4 milhões em bens

Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA PÚBLICA | SÃO PAULO

Uma operação contra um suposto esquema de corrupção, extorsão e desvio de cargas envolvendo integrantes da Polícia Civil mobilizou o Ministério Público de São Paulo e a Corregedoria da corporação nesta sexta-feira (28). Policiais civis e um advogado estão entre os alvos da investigação, que alcança a capital paulista, a Região Metropolitana de São Paulo e os estados do Paraná e de Goiás.

A ofensiva é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, as apurações indicam que agentes públicos teriam participado de um esquema relacionado a cargas de celulares de origem irregular.

A dimensão financeira é um dos pontos de maior impacto da investigação: de acordo com os dados divulgados, os valores supostamente exigidos para a liberação das cargas somariam R$ 2,35 milhões. Em determinadas situações, a cobrança teria alcançado aproximadamente 70% do valor total do carregamento.

Justiça decreta prisões preventivas

A Justiça decretou a prisão preventiva de quatro policiais civis e outros três investigados. Entre os demais alvos estão um advogado e duas pessoas apontadas como ligadas ao esquema envolvendo o contrabando de produtos eletrônicos.

A suspeita investigada é de que pessoas relacionadas às cargas pagariam propina a agentes públicos. O avanço das apurações levou a investigação para além dos limites territoriais de São Paulo.

Ao todo, são cumpridas 18 ordens judiciais de busca e apreensão em endereços localizados na capital paulista, na Região Metropolitana e também no Paraná e em Goiás.

Entre os locais atingidos pelas diligências estão três delegacias, circunstância que amplia a gravidade institucional do caso, já que a investigação alcança estruturas destinadas justamente à investigação e ao combate ao crime.

Bens de até R$ 4 milhões são bloqueados

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados em até R$ 4 milhões.

Também foi autorizada a quebra de sigilo telefônico, medida que pode permitir aos investigadores reconstruir contatos, relações entre os suspeitos e eventuais etapas do suposto esquema.

As apurações buscam esclarecer como funcionaria a atuação do grupo, identificar o destino dos recursos e estabelecer o grau de participação individual dos investigados.

Segundo as informações disponíveis, um investigador também foi afastado de suas funções e ficou proibido de manter contato com investigados e testemunhas.

Suspeita de extorsão dentro da estrutura policial

O núcleo mais sensível do caso está justamente na suspeita de participação de policiais civis. A investigação aponta para um possível mecanismo no qual cargas de celulares de procedência irregular seriam desviadas e valores seriam exigidos para sua liberação.

Caso as suspeitas sejam comprovadas ao final do processo, o episódio não se restringirá à atuação de um grupo criminoso comum. Ele poderá revelar a utilização indevida da condição de agente público para obtenção de vantagem financeira.

Por isso, a participação da Corregedoria da Polícia Civil tem peso importante na operação: além da dimensão criminal investigada pelo Ministério Público, há o componente disciplinar relacionado à conduta dos servidores envolvidos.

A investigação ainda está em andamento, e os alvos têm direito à defesa e ao contraditório. As responsabilidades individuais deverão ser estabelecidas no decorrer do processo, não sendo possível tratar as suspeitas investigadas como condenações definitivas.

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