Como Toninho da Galeria enfrentou a degradação e o preconceito para transformar um prédio abandonado no maior símbolo de resistência e multiplicidade cultural do país.
A história da Galeria do Rock se confunde com a própria evolução e os altos e baixos do centro de São Paulo. Em entrevista ao Download da Notícia, Antônio de Souza Neto, o “Toninho da Galeria”, relembrou a jornada de resistência que salvou o espaço da degradação nos anos 1980 e 1990. Originalmente inaugurado em 1963 como Centro Comercial Grandes Galerias para abrigar alfaiates, o prédio acompanhou o declínio da região central. Onde hoje circulam famílias e turistas, havia abandono, domínio do tráfico de drogas e da violência. Toninho detalhou como assumiu a gestão e expulsou a criminalidade ao acolher a cultura underground (punks, skatistas e adeptos do hip-hop e do heavy metal), que sofria forte marginalização social e policial na época.
Ao longo de mais de três décadas de gestão, a Galeria não apenas sobreviveu às mudanças tecnológicas – dos LPs aos CDs e ao streaming – mas prosperou, tornando-se um polo multicultural dinâmico e seguro. Com mais de 250 empresas gerando milhares de empregos, sete andares e um badalado rooftop, o local é hoje um destino turístico familiar. A constante renovação é o segredo de sua vitalidade: enquanto a essência permanece enraizada no rock, os corredores agora fervilham com novas gerações em busca de artigos de K-pop e Japan Pop. Além do sucesso comercial e da promoção de eventos históricos (como a visita surpresa de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, e a realização da primeira corrida indoor de drones do Brasil), Toninho destacou o papel da articulação coletiva entre lojistas e o poder público para a atual e promissora revitalização do centro de São Paulo.
