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Observatório da Pessoa Idosa de Santo André coloca dados no centro das políticas públicas

Apresentação durante a Semana da Pessoa Idosa destaca o desafio de transformar informações sobre envelhecimento, trabalho e inclusão digital em atendimento e qualidade de vida.

Por Midiam Almeida, repórter / Prefeitura de Santo André / Semana do Idoso

O crescimento da população idosa está mudando as necessidades das cidades brasileiras. Saúde, assistência social, mobilidade, educação, cultura e oportunidades de trabalho precisam acompanhar uma população que vive mais e apresenta diferentes condições de autonomia. Em Santo André, esse cenário esteve no centro da apresentação do Observatório e do Portal da Pessoa Idosa, nesta segunda-feira (19), durante a abertura da Semana da Pessoa Idosa, no Salão Burle Marx.

A Guardiã da Notícia acompanhou o encontro e entrevistou Regina Célia César, Osmar Mendonça, o presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, José João da Silva, e o economista Sandro Maskio. As entrevistas abordaram como as informações sobre essa população podem orientar a criação e o aperfeiçoamento de políticas públicas.

Uma população que cresce e exige planejamento

Entre 2010 e 2022, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil passou de aproximadamente 20,6 milhões para 32,1 milhões, crescimento de 56%. No mesmo período, a população de até 14 anos diminuiu de 45,9 milhões para 40,1 milhões. Considerando esses recortes, o país passou de aproximadamente 45 pessoas idosas para cada 100 crianças de até 14 anos, em 2010, para 80 em 2022. Os números são do Censo Demográfico do IBGE.

O envelhecimento populacional ocorre, portanto, com o aumento do contingente idoso e a redução da participação das faixas mais novas. Isso não elimina a necessidade de investir na infância e na adolescência: exige planejamento para atender simultaneamente diferentes gerações.

Em Santo André, uma publicação da Prefeitura de outubro de 2025 informou que aproximadamente um em cada cinco moradores era pessoa idosa. A proporção evidencia a importância desse público no planejamento municipal, embora o dado não deva ser apresentado como um levantamento realizado em 2026.

Durante a cobertura, Osmar Mendonça, da Secretaria de Governo, ressaltou a responsabilidade da Prefeitura de cuidar da população em todas as etapas da vida, das crianças e adolescentes às pessoas idosas. Também relacionou o Observatório à possibilidade de ampliar esse cuidado, identificando necessidades para orientar o atendimento.

O que é um observatório e como os dados podem virar ações

Um observatório é uma estrutura de produção, organização e análise de informações. Seu papel é ajudar a compreender uma realidade, identificar mudanças e oferecer elementos para decisões. No campo do envelhecimento, pode apoiar diagnósticos sobre condições de vida, distribuição da população e acesso aos serviços.

Na prática, um levantamento que identifique concentração de pessoas idosas em uma região com pouca oferta de serviços pode fundamentar a ampliação do atendimento naquele território. Informações sobre escolaridade e acesso à internet podem orientar cursos e apoio presencial. Já indicadores sobre renda e condições de moradia podem contribuir para o planejamento da proteção social.

A diretora de Cidadania, Regina Célia César, ressaltou nas entrevistas a importância dos dados para a criação de políticas públicas. O economista Sandro Maskio também abordou a utilização das informações na formulação de novas ações.

A questão central é o caminho entre conhecer uma demanda e atendê-la. Para que o diagnóstico produza resultados, é necessário definir prioridades, responsabilidades, recursos e formas de acompanhar a execução.

Mercado de trabalho: participação, renda e oportunidades

O envelhecimento também aparece no mercado de trabalho. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas em 2024 — aproximadamente uma em cada quatro. Em números absolutos, eram cerca de 8,3 milhões de trabalhadores nessa faixa etária, considerando atividades formais e informais.

O indicador abre diferentes questões para as políticas públicas: oportunidades para quem deseja continuar trabalhando, qualificação profissional, condições adequadas de trabalho e proteção para quem precisa complementar a renda.

É necessário, porém, distinguir ausência de ocupação e desemprego. Uma pessoa aposentada que não procura trabalho não é automaticamente considerada desempregada. Na pesquisa do IBGE, a desocupação considera, em linhas gerais, quem está sem trabalho, procurou uma ocupação e estava disponível para trabalhar.

No conjunto do país, a taxa de desocupação foi de 5,3% no trimestre de junho a agosto de 2026. Havia aproximadamente 103,5 milhões de pessoas ocupadas e 5,8 milhões desocupadas. Esses resultados abrangem a população em idade de trabalhar e não representam uma taxa específica das pessoas idosas.

Para o município, conhecer o perfil de quem trabalha, de quem procura emprego e de quem está fora da força de trabalho permite formular respostas diferentes. A ampliação de oportunidades deve considerar também o combate à discriminação por idade.

Jovens e adolescentes também fazem parte do planejamento

O Brasil tinha 46,6 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos em 2025, segundo a PNAD Contínua Educação. Esse recorte reúne parte da população adolescente e a população jovem adulta; não corresponde ao total de adolescentes do país.

Os grupos etários exigem leituras próprias. Os dados de crianças de até 14 anos, jovens de 15 a 29 anos e pessoas com 60 anos ou mais não devem ser tratados como categorias equivalentes nem utilizados para colocar gerações em disputa.

A leitura conjunta pode orientar o planejamento da educação, da entrada no mercado de trabalho, dos cuidados e da convivência entre gerações. Também permite discutir como preparar a cidade para necessidades atuais e futuras.

Internet: mais acesso, mas ainda existem barreiras

A presença das pessoas idosas no ambiente digital é expressiva. Em 2025, 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais utilizaram a internet no Brasil. Na população com 10 anos ou mais, o percentual foi de 90,5%, segundo o IBGE.

O resultado mostra a importância dos canais digitais, mas também a necessidade de considerar quem permanece fora deles. Acessar a internet, além disso, não significa conseguir realizar sozinho todos os procedimentos de um serviço público.

Nesse contexto, a apresentação do Portal da Pessoa Idosa traz questões práticas: linguagem compreensível, facilidade de navegação, orientação ao usuário e alternativas de atendimento. A inclusão digital precisa ser acompanhada de segurança e apoio para que a ferramenta amplie o acesso.

Qualidade de vida envolve autonomia e condições de participação

A expectativa de vida ao nascer no Brasil chegou a 76,6 anos em 2024. O avanço da longevidade, entretanto, não permite concluir que todos envelhecem com as mesmas condições de saúde ou independência.

A Organização Mundial da Saúde destaca que não existe um único perfil de pessoa idosa. As condições físicas e mentais variam muito, e fatores como renda, moradia, ambiente e acesso a serviços influenciam o envelhecimento. Uma resposta pública adequada precisa considerar essa diversidade.

Por isso, qualidade de vida envolve atendimento de saúde, mas também condições para circular pela cidade, aprender, participar de atividades culturais, conviver e tomar decisões sobre a própria vida.

O combate ao etarismo — estereótipos, preconceito e discriminação relacionados à idade — integra esse debate. A OMS aponta a educação, a convivência entre gerações e as políticas de enfrentamento à discriminação como caminhos para reduzir o problema. (who.int⁠)

Parcerias e acompanhamento dos resultados

O presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, José João da Silva, destacou a importância das parcerias e o crescimento da população idosa. A articulação entre Prefeitura, Conselho, instituições e comunidade pode contribuir para identificar necessidades e ampliar as respostas.

A apresentação do Observatório e do portal coloca em evidência uma etapa importante do planejamento: conhecer quem precisa dos serviços e quais obstáculos enfrenta. O resultado deverá ser acompanhado na aplicação das informações, na definição de metas e no atendimento à população.

Transformar dados em políticas públicas significa fazer com que o conhecimento produzido ajude a orientar decisões verificáveis — onde investir, qual serviço ampliar e como avaliar se a vida das pessoas está melhorando.

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