Prefeito afirmou que administração municipal entrou como assistente de acusação e garantiu continuidade do transporte; operação investiga suspeitas de ligação entre empresas e o PCC
Por Thalyta Andrâde | São Paulo
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou nesta quinta-feira (17) que a Prefeitura está colaborando com as investigações da Operação Vectura Corrupta, que apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo da capital. Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas que atuam no sistema municipal são investigadas por possível controle direto ou indireto da organização criminosa.
Durante uma agenda pública, Nunes foi questionado sobre o ex-vereador Milton Leite, que é alvo de um mandado de prisão temporária na operação. O prefeito afirmou que respeita a trajetória política de Leite e seu direito de defesa, mas reforçou o apoio da administração às investigações. Segundo Nunes, a Prefeitura ingressou como assistente de acusação no processo e está auxiliando o Ministério Público na apuração.
Nunes também afirmou que, como gestor, não deve antecipar julgamentos e que é necessário aguardar a conclusão das investigações e eventual condenação. Milton Leite nega qualquer ligação com o PCC ou com as irregularidades investigadas e declarou que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas.
Sobre o transporte público, o prefeito afirmou que não haverá paralisação do sistema e disse que a Prefeitura acompanha a situação das empresas citadas na investigação. A administração municipal já realizou intervenção na Transwolff e na UPBus em 2024, após outra investigação sobre suspeitas de envolvimento com o crime organizado.
Nesta quinta-feira, Nunes também determinou uma análise sobre a situação da empresa A2 Transportes. Segundo informações divulgadas pelo prefeito, a companhia não é apontada como alvo da investigação, mas dois de seus sócios é citado no processo. Segundo Nunes, uma equipe formada por representantes da Procuradoria-Geral do Município, Controladoria-Geral do Município, SPTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte avaliou medidas administrativas e decidiu pelo afastamento dos sócios.
