Pesquisa mostra disputa presidencial apertada no segundo maior colégio eleitoral do país; recortes revelam diferenças relevantes entre Belo Horizonte, Região Metropolitana e interior, enquanto Lula e Flávio chegam a 50% de rejeição cada
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | MINAS GERAIS
A corrida presidencial em Minas Gerais apresenta um cenário de forte competitividade. Pesquisa Real Time Big Data divulgada neste domingo (21) mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% das intenções de voto no levantamento estimulado, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 35%. A diferença é de quatro pontos percentuais.
Na sequência aparecem Augusto Cury (Avante), com 8%, Romeu Zema (Novo), com 7%, Renan Santos (Missão), com 4%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2%. Outros candidatos somam 1%. Brancos e nulos representam 2%, mesmo percentual dos entrevistados que não souberam ou não responderam.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores de Minas Gerais entre os dias 16 e 19 de setembro. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada sob o número BR-01531/2026.
Votos válidos mostram cenário aberto no primeiro turno
Quando são considerados apenas os votos válidos — excluindo brancos, nulos e indecisos — Lula aparece com 41% e Flávio Bolsonaro com 37%. Augusto Cury registra 8%, Zema, 7%, Renan Santos, 4%, Caiado, 2%, e os demais candidatos somam 1%.
Os números da pesquisa não indicam definição da eleição presidencial no primeiro turno entre o eleitorado mineiro pesquisado. O levantamento também evidencia que candidaturas fora dos dois primeiros colocados ainda concentram parcela relevante dos votos.
Segundo turno tem diferença de apenas um ponto
O cenário mais apertado aparece na simulação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro. Flávio registra 46% e Lula, 45%. Outros 5% afirmam votar branco ou nulo e 4% não sabem ou não responderam. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados nessa simulação.
Nos votos válidos do segundo turno, a pesquisa apresenta Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49%.
Belo Horizonte, Grande BH e interior apresentam comportamentos diferentes
Os recortes regionais ajudam a explicar a proximidade do resultado estadual. Em Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro aparece com 37% e Lula com 36%. Na Região Metropolitana, fora da capital, o quadro se inverte: Lula registra 40% e Flávio, 34%.
No Sul e Sudoeste de Minas, Flávio alcança 42% contra 30% de Lula. No Triângulo Mineiro, o levantamento registra 41% para Flávio e 30% para Lula. Já na Zona da Mata, Lula chega a 47%, diante de 30% de Flávio. No Norte mineiro, a diferença é ainda maior: Lula aparece com 56% e Flávio Bolsonaro com 24%.
O Jequitinhonha apresenta o maior percentual de Lula entre os recortes regionais mostrados: 62%, contra 22% de Flávio. Já no Alto Paranaíba e Noroeste, Flávio registra 41% e Lula, 28%.
Os dados revelam um estado eleitoralmente heterogêneo, no qual o desempenho dos candidatos muda de maneira significativa conforme a região.
Renda também divide o eleitorado mineiro
O levantamento identifica diferenças expressivas conforme a renda. Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, Lula alcança 48%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 26%.
Na faixa de dois a cinco salários mínimos, o cenário se aproxima e se inverte: Flávio aparece com 38% e Lula com 35%. Entre quem recebe mais de cinco salários mínimos, Flávio chega a 48%, contra 24% de Lula.
O recorte mostra uma diferença expressiva no comportamento eleitoral conforme a faixa de renda dos entrevistados.
Mulheres dão vantagem a Lula; Flávio lidera entre homens
Entre as mulheres entrevistadas, Lula registra 43% e Flávio Bolsonaro, 30%. Entre os homens, o cenário é inverso: Flávio alcança 40% e Lula, 35%.
A idade também produz diferenças. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, o levantamento registra Flávio com 35% e Lula com 34%. Na faixa de 35 a 59 anos, os dois aparecem com 38%. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula chega a 45%, contra 30% de Flávio.
Rejeição coloca Lula e Flávio no mesmo patamar
Outro dado relevante para a evolução da campanha está na rejeição. Na pergunta em que o entrevistado poderia indicar em quem não votaria, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados, ambos com 50%.
Renan Santos registra rejeição de 40%, Zema, 36%, Caiado, 34%, e Augusto Cury, 31%. Como se trata de rejeição múltipla, os percentuais não devem ser somados como se representassem uma distribuição única do eleitorado.
Governo Lula tem 52% de desaprovação em Minas
A pesquisa também mediu a percepção sobre o trabalho do presidente. Entre os entrevistados, 52% afirmam desaprovar o governo Lula e 47% aprovam; 1% não soube ou não respondeu.
Na avaliação qualitativa, 44% classificam o trabalho presidencial como ruim ou péssimo, 31% como ótimo ou bom e 24% como regular. Outros 1% não responderam.
O conjunto dos números mostra que Minas Gerais chega à reta final da campanha com uma disputa presidencial apertada no agregado estadual, mas com diferenças marcantes entre regiões, faixas de renda, gênero e idade. A simulação de segundo turno reforça esse quadro: a diferença nominal entre Lula e Flávio Bolsonaro é de apenas um ponto percentual, dentro da margem de erro da pesquisa.
