Pesquisa Real Time Big Data detalha por cidade a lembrança espontânea de candidaturas do PT e de outros partidos do campo progressista. São Bernardo concentra Selerges, Vicentinho, Luiz Fernando e Barba; Mauá registra Selerges e Rômulo, enquanto Diadema apresenta Vicentinho e Suplicy entre os citados.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | GRANDE ABC
A reta final da eleição legislativa no Grande ABC apresenta dois mapas distintos dentro do campo progressista: um para a Câmara dos Deputados, onde aparecem nomes como Moisés Selerges (PT), Vicentinho (PT), Tabata Amaral (PSB) e Erika Hilton (PSOL); e outro para a Assembleia Legislativa de São Paulo, com Luiz Fernando Teixeira (PT), Teonílio Barba (PT), Eduardo Suplicy (PT), Rômulo Fernandes (PT) e Bancada Feminista (PSOL), entre outros.
A pesquisa Real Time Big Data foi realizada com 2 mil eleitores das sete cidades entre 23 e 26 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número SP-02538/2026 e foi divulgado em 28 de setembro.
Os dados para deputado são espontâneos: não é apresentada uma lista de candidatos ao entrevistado. Portanto, os números retratam lembrança e intenção declarada naquele momento, e não uma projeção de cadeiras.
DEPUTADO FEDERAL
No conjunto do Grande ABC, Moisés Selerges (PT) e Vicentinho (PT) aparecem com 2% cada. O levantamento também registra outros nomes do campo progressista, como Tabata Amaral (PSB) e Erika Hilton (PSOL), ambas com 1% regionalmente.
São Bernardo
São Bernardo do Campo concentra parte importante das citações a candidatos petistas. Vicentinho registra 4% e Moisés Selerges aparece com 3%. Tabata Amaral e Erika Hilton têm 1% cada.
O município, portanto, apresenta simultaneamente dois candidatos do PT à Câmara dos Deputados com presença na pesquisa espontânea, além de nomes de outras legendas do campo progressista.
Mauá
Em Mauá, Selerges também registra 3%, enquanto Erika Hilton chega a 2%. Vicentinho e Tabata Amaral aparecem com 1% cada.
O município apresenta, assim, uma configuração diferente de São Bernardo: Selerges mantém o percentual de 3%, mas os demais nomes aparecem distribuídos em patamares menores.
Diadema
Em Diadema, Vicentinho e Tabata Amaral registram 2% cada, enquanto Selerges e Erika Hilton aparecem com 1%.
É mais um exemplo da variação territorial observada pela pesquisa: Vicentinho tem 4% em São Bernardo e 2% em Diadema, enquanto Selerges registra 3% em São Bernardo e Mauá e 1% em Diadema.
Santo André, São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
Em Santo André, Tabata Amaral e Erika Hilton aparecem com 1% cada entre os nomes desse campo citados no levantamento.
Em São Caetano, Tabata marca 2% e Erika Hilton, 1%.
Em Ribeirão Pires, Tabata também registra 2%, enquanto Erika Hilton aparece com 1%.
Já em Rio Grande da Serra, Tabata chega a 4%, Erika Hilton registra 2%, enquanto Selerges e Vicentinho aparecem com 1% cada.
O conjunto dos números mostra diferentes bases de lembrança eleitoral. Vicentinho apresenta 4% em São Bernardo; Selerges chega a 3% em São Bernardo e Mauá; e Tabata registra 4% em Rio Grande da Serra. Por se tratar de recortes municipais de uma pesquisa regional, os percentuais devem ser interpretados considerando a incerteza estatística das subamostras.
DEPUTADO ESTADUAL
Na disputa pela Assembleia Legislativa de São Paulo, o mapa muda.
No conjunto do Grande ABC, Eduardo Suplicy (PT) registra 2%. Luiz Fernando Teixeira (PT), Teonílio Barba (PT), Rômulo Fernandes (PT) e Bancada Feminista (PSOL) aparecem com 1% cada.
São Bernardo
São Bernardo volta a concentrar diferentes nomes do PT. Luiz Fernando Teixeira registra 3%, enquanto Teonílio Barba e Eduardo Suplicy aparecem com 2% cada.
O cenário mostra três candidaturas petistas sendo lembradas espontaneamente no mesmo município, mas a pesquisa, isoladamente, não permite estabelecer transferência de votos entre elas.
Mauá
Em Mauá, Rômulo Fernandes (PT) registra 5%. Barba, Suplicy e Bancada Feminista aparecem com 1% cada.
O município apresenta, portanto, um desenho diferente daquele observado em São Bernardo, com Rômulo concentrando uma parcela maior das citações espontâneas dentro desse conjunto de candidaturas.
Diadema
Em Diadema, Eduardo Suplicy registra 3%. Luiz Fernando, Barba e Bancada Feminista aparecem com 1% cada.
A comparação entre os municípios mostra novamente a regionalização das citações: Luiz Fernando registra 3% em São Bernardo, enquanto Suplicy chega a 3% em Diadema.
Santo André
Em Santo André, Suplicy aparece com 2%, enquanto Barba e Bancada Feminista registram 1% cada.
A configuração reforça que a distribuição das candidaturas progressistas varia significativamente entre as sete cidades.
ANÁLISE DA GUARDIÃ | POR GABRIELLE TRICANICO
A pesquisa permite observar uma característica territorial da eleição legislativa no Grande ABC: as candidaturas identificadas com o campo progressista não apresentam a mesma distribuição entre as sete cidades.
Para deputado federal, São Bernardo reúne Vicentinho, com 4%, e Selerges, com 3%. Em Mauá, Selerges volta a registrar 3%. Em Diadema, Vicentinho aparece com 2%. Tabata Amaral e Erika Hilton, por sua vez, aparecem em diferentes municípios, inclusive nos menores colégios eleitorais da região.
Na disputa estadual, o mapa é diferente. Luiz Fernando chega a 3% em São Bernardo; Barba e Suplicy registram 2% na cidade; Rômulo Fernandes marca 5% em Mauá; e Suplicy alcança 3% em Diadema.
Os números revelam, portanto, diferentes pontos de presença municipal, e não um comportamento uniforme do eleitorado progressista em todo o Grande ABC.
Há ainda uma diferença importante entre a disputa majoritária e a proporcional. Fernando Haddad (PT) registra 44% para governador no conjunto do Grande ABC. Em Diadema e Mauá, aparece com 51%, enquanto em Rio Grande da Serra registra 48%.
Esse desempenho, porém, não pode ser automaticamente transferido para os candidatos a deputado. O eleitor pode fazer escolhas diferentes para governador, deputado federal e deputado estadual, inclusive entre partidos distintos.
Outro dado ajuda a dimensionar o cenário: 52% dos entrevistados não souberam ou não responderam espontaneamente em quem votariam para deputado federal. Para deputado estadual, são 55%.
É justamente esse elevado percentual de eleitores sem candidato espontaneamente declarado que exige cautela na leitura dos números. A pesquisa mostra quais nomes estavam presentes na memória eleitoral entre 23 e 26 de setembro, mas não permite antecipar a composição final das bancadas.
Na fotografia regional, São Bernardo concentra Selerges e Vicentinho na disputa federal e Luiz Fernando, Barba e Suplicy na estadual; Mauá registra Selerges para federal e Rômulo Fernandes para estadual; Diadema apresenta Vicentinho na corrida à Câmara e Suplicy para a Alesp.
A reta final, portanto, encontra um campo progressista com diferentes candidaturas pontuando em diferentes cidades e, ao mesmo tempo, uma parcela majoritária da amostra ainda sem declarar espontaneamente seu voto para o Legislativo.

