Pesquisa Real Time Big Data aponta 53% a 39% no cenário estimulado; recorte regional mostra empate na capital, disputa apertada na Grande São Paulo e percentuais mais altos de Tarcísio em diferentes regiões do interior
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO
A reta final da disputa pelo Governo de São Paulo revela um estado com comportamentos eleitorais distintos entre a capital, a Região Metropolitana e o interior. Pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira (29), aponta Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 57% dos votos válidos, contra 42% de Fernando Haddad (PT). Os demais candidatos somam 1%.
No cenário estimulado, considerando todos os entrevistados, Tarcísio aparece com 53% e Haddad com 39%. Outros candidatos somam 1%, brancos e nulos representam 4% e 3% não sabem ou não responderam.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores do Estado de São Paulo entre os dias 24 e 28 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%. A pesquisa está registrada sob o número SP-06293/2026.
Mais do que o resultado estadual, porém, o mapa regional ajuda a compreender como esses percentuais são construídos. Capital e Grande São Paulo apresentam uma disputa numericamente muito mais próxima, enquanto diferentes regiões do interior registram distâncias maiores entre os dois principais candidatos.
CAPITAL TEM EMPATE DE 46% A 46%
Na cidade de São Paulo, Tarcísio e Haddad aparecem com 46% cada. Outros candidatos somam 1%, brancos e nulos representam 4% e 3% não sabem ou não responderam.
O resultado contrasta diretamente com o cenário estadual de 53% a 39%. Na maior cidade do Estado, os dois principais candidatos aparecem numericamente empatados.
Esse é um dos pontos centrais para a leitura regional da pesquisa: a diferença registrada no conjunto do Estado não se reproduz da mesma maneira em todos os territórios.
GRANDE SÃO PAULO TEM DISPUTA APERTADA
Na Grande São Paulo, Haddad aparece numericamente com 46%, enquanto Tarcísio registra 44%. Outros candidatos têm 2%, brancos e nulos representam 4% e 4% não sabem ou não responderam.
A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro geral informada pela pesquisa e, portanto, não permite apontar uma vantagem estatisticamente significativa nesse recorte.
A região considerada pelo levantamento reúne municípios como Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, Osasco, Mogi das Cruzes, Diadema, Mauá, Carapicuíba, Itaquaquecetuba, Suzano, Barueri, Taboão da Serra, Embu das Artes, Cotia, Ribeirão Pires e Caieiras.
Para a cobertura da Guardiã, esse recorte coloca principalmente Grande ABC e Alto Tietê no centro da análise. São cidades de grande peso populacional e econômico onde o comportamento agregado da Região Metropolitana se mostra diferente daquele registrado em boa parte do interior.
CAMPINAS E SOROCABA: DISTÂNCIA AUMENTA
Na região de Macro Campinas e Sorocaba, Tarcísio aparece com 56%, enquanto Haddad registra 40%.
O bloco inclui cidades como Campinas, Sorocaba, Jundiaí, Sumaré, Indaiatuba, Americana, Hortolândia, Bragança Paulista, Itu, Itapetininga, Paulínia, Atibaia, Tatuí, Salto, Amparo, São Roque, Capivari e Boituva.
É a partir desses recortes que o mapa começa a apresentar diferenças numéricas maiores do que as observadas na capital e na Grande São Paulo.
NORTE, CENTRO E OESTE REGISTRAM DIFERENÇAS MAIORES
No Centro do Estado, Tarcísio registra 60%, contra 33% de Haddad.
No Norte paulista, que reúne cidades como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Franca e Barretos, são 62% para Tarcísio e 29% para Haddad.
No Oeste, o levantamento registra 63% para Tarcísio e 27% para Haddad.
São alguns dos maiores distanciamentos numéricos entre os dois candidatos encontrados nos recortes territoriais da pesquisa.
VALE DO PARAÍBA E LITORAL NORTE: 60% A 29%
Outro território estratégico para a cobertura regional da Guardiã é o Vale do Paraíba e Litoral Norte.
Nesse recorte, Tarcísio registra 60% e Haddad, 29%. Outros candidatos somam 1%, brancos e nulos chegam a 7% e 3% não sabem ou não responderam.
A região pesquisada inclui São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Caçapava, Lorena, Cruzeiro, Caraguatatuba, São Sebastião, Ubatuba e Aparecida.
Já no bloco formado por Baixada Santista e Vale do Ribeira, Tarcísio aparece com 54%, contra 32% de Haddad.
RENDA TAMBÉM DIVIDE O ELEITORADO
A geografia não é a única variável que apresenta diferenças importantes.
Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, Haddad aparece numericamente à frente, com 49%, contra 42% de Tarcísio.
Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, a relação se inverte: Tarcísio registra 52%, contra 41% de Haddad.
Entre os entrevistados que recebem mais de cinco salários mínimos, Tarcísio chega a 67%, enquanto Haddad registra 25%.
O levantamento, portanto, também identifica comportamentos distintos conforme a renda dos entrevistados.
ENTRE OS JOVENS, DIFERENÇA É DE DOIS PONTOS
O recorte por idade também apresenta contrastes.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Tarcísio registra 46% e Haddad, 44%.
Entre os entrevistados de 35 a 59 anos, Tarcísio aparece com 54%, contra 41% de Haddad.
Já entre aqueles com 60 anos ou mais, o governador registra 61%, enquanto Haddad aparece com 29%.
No recorte por gênero, Tarcísio tem 56% entre os homens, contra 35% de Haddad. Entre as mulheres, são 50% para Tarcísio e 42% para Haddad.
ESPONTÂNEA AINDA TEM 34% QUE NÃO CITAM CANDIDATO
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados previamente aos entrevistados, Tarcísio aparece com 37% e Haddad com 21%.
Outros nomes somam 3%, enquanto 5% dizem que votariam branco ou nulo. Outros 34% não sabem ou não responderam.
Esse percentual não significa automaticamente que todos sejam eleitores indecisos. Ele mostra que esse grupo não mencionou espontaneamente um candidato quando não recebeu uma lista com os nomes.
APROVAÇÃO DO GOVERNO CHEGA A 64%
A Real Time Big Data também mediu a avaliação da atual administração estadual.
Segundo o levantamento, 64% afirmam aprovar o governo Tarcísio, enquanto 35% desaprovam e 1% não sabe ou não respondeu.
Na avaliação do trabalho do governador, 42% classificam a gestão como ótima ou boa, 33% como regular e 24% como ruim ou péssima.
Na rejeição múltipla, Haddad registra 42% e Tarcísio, 35%. Como o entrevistado pode rejeitar mais de um nome, os percentuais dessa pergunta não precisam totalizar 100%.
SEGUNDO TURNO TAMBÉM FOI TESTADO
A Real Time Big Data também simulou um eventual segundo turno entre os dois candidatos.
Nesse cenário, Tarcísio registra 57% e Haddad, 40%. Brancos e nulos representam 2% e 1% não sabe ou não respondeu.
Considerando apenas os votos válidos dessa simulação, os percentuais passam para 59% de Tarcísio e 41% de Haddad.
ANÁLISE DA GUARDIÃ: O MAPA EXPLICA O NÚMERO ESTADUAL
A principal leitura regional da pesquisa Real Time Big Data está na diferença entre o resultado agregado de São Paulo e aquilo que aparece quando o Estado é dividido territorialmente.
No cenário estadual, Tarcísio registra 53% contra 39% de Haddad. Nos votos válidos, são 57% contra 42%.
Mas essa diferença não se distribui uniformemente.
Na capital, há empate numérico de 46% a 46%. Na Grande São Paulo, Haddad registra 46% e Tarcísio, 44%, uma diferença dentro da margem de erro geral do levantamento.
Em sentido diferente, Tarcísio registra 56% na Macro Campinas e Sorocaba, 60% no Centro, 62% no Norte, 63% no Oeste e 60% no Vale do Paraíba e Litoral Norte.
O que os números permitem observar é uma geografia eleitoral heterogênea: os dois principais candidatos aparecem mais próximos na capital e na Região Metropolitana, enquanto diferentes blocos do interior apresentam distâncias numéricas maiores.
Para a Guardiã da Notícia, compreender esse mapa é fundamental para interpretar o resultado estadual. Grande ABC, Alto Tietê, capital, Campinas, Sorocaba, Vale do Paraíba e Litoral Norte apresentam comportamentos diferentes dentro de uma mesma eleição.
O recorte de renda reforça essa leitura de contrastes. Haddad registra percentual superior entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, enquanto Tarcísio apresenta números maiores nas duas faixas de renda seguintes pesquisadas pelo instituto.
A idade acrescenta outro elemento: entre os eleitores de 16 a 34 anos, a diferença numérica é de apenas dois pontos; entre os entrevistados com 60 anos ou mais, a distância registrada é maior.
Wilsinho Pedroso, diretor da Real Time Big Data, acompanha a análise dos movimentos registrados pelo instituto nesta reta final da campanha. O material da pesquisa, entretanto, não apresenta uma declaração específica dele sobre esses recortes; por isso, uma fala atribuída a Pedroso deve ser incluída somente a partir de declaração efetivamente concedida.
A pesquisa representa um retrato do eleitorado entrevistado entre 24 e 28 de setembro, dentro da margem de erro informada pelo instituto, e não uma antecipação do resultado das urnas.
Na reta final das Eleições 2026, o levantamento coloca o território no centro da análise: o mesmo Estado que apresenta Tarcísio com 57% dos votos válidos registra empate entre os principais candidatos na capital, disputa apertada na Grande São Paulo e diferenças maiores em diversos recortes do interior.

