Apuração da Polícia Federal aponta uso de credencial pessoal no sistema FILIA para alterações partidárias em massa; caso amplia a crise interna do PRTB no momento em que Pablo Marçal tenta validar no TSE sua candidatura à Presidência.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BRASIL
A disputa pela Presidência da República ganhou um novo capítulo envolvendo o PRTB. Uma investigação da Polícia Federal sobre a guerra pelo controle da legenda identificou indícios de que a senha pessoal de Pedro Tiago Bourbon Orleans de Bragança, conhecido como “Príncipe Dom Pedro”, teria sido utilizada para realizar filiações partidárias consideradas fraudulentas em massa.
Segundo informações reveladas a partir da quebra de sigilo telemático e divulgadas nesta quinta-feira (20), a credencial teria sido utilizada no Sistema de Filiação Partidária, o FILIA, para incluir retroativamente 42 fundadores do PRTB em julho de 2023. A movimentação ocorreu durante uma intensa disputa pelo comando nacional da legenda. (YacoNews)
O episódio ganha peso eleitoral porque atinge diretamente a estrutura partidária que hoje sustenta a tentativa de Pablo Marçal de disputar o Palácio do Planalto.
DISPUTA PELO CONTROLE DO PRTB
Após a morte do fundador do partido, Levy Fidelix, em 2021, diferentes grupos passaram a disputar o comando da sigla. A crise interna acabou judicializada e envolveu decisões sobre quem poderia participar das eleições internas responsáveis pela definição da direção nacional.
De acordo com a apuração, as filiações realizadas com a senha atribuída a Pedro Tiago teriam permitido a participação de dezenas de fundadores em uma eleição partidária posterior. A investigação também apura alterações envolvendo dirigentes que teriam sido realizadas sem o conhecimento dos próprios filiados. (YacoNews)
Leonardo Avalanche assumiu posteriormente a presidência nacional do PRTB. Agora, além de comandar a legenda, integra como candidato a vice-presidente a chapa encabeçada por Pablo Marçal.
INVESTIGAÇÃO CHEGA AO CENTRO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL
O problema para o PRTB não se limita à disputa interna.
Avalanche tornou-se réu por associação criminosa, violência política de gênero, inserção de dados falsos e ameaça em processo relacionado justamente à disputa pelo controle da legenda. As acusações são do Ministério Público de São Paulo e ainda serão analisadas pela Justiça. (UOL Notícias)
O avanço dessas investigações ocorre no momento em que o PRTB tenta manter Pablo Marçal na corrida presidencial.
Marçal teve a candidatura registrada pelo partido em 15 de agosto, mas sua presença efetiva nas eleições depende da Justiça Eleitoral. Ele enfrenta uma condenação do TRE-SP que atualmente o torna inelegível e conseguiu uma decisão provisória para regularizar retroativamente sua filiação ao PRTB. (UOL Notícias)
Nesta quinta-feira (20), o Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral o indeferimento da candidatura de Marçal. Entre os argumentos apresentados estão a inelegibilidade decorrente da condenação eleitoral e questionamentos sobre o cumprimento do prazo de filiação partidária. (Folha de S.Paulo)
PRTB SOB PRESSÃO ÀS VÉSPERAS DA DECISÃO DO TSE
A combinação dos processos transforma o PRTB em um dos principais focos jurídicos da eleição presidencial de 2026.
De um lado, a Polícia Federal investiga supostas irregularidades envolvendo filiações e a disputa histórica pelo comando da legenda. De outro, a Justiça Eleitoral terá de decidir se Pablo Marçal reúne condições jurídicas para permanecer na corrida pelo Planalto.
Até uma decisão que impeça sua candidatura, Marçal pode continuar fazendo campanha. O registro, porém, ainda está sujeito à análise do TSE. (Folha de S.Paulo)
O desfecho pode interferir diretamente na configuração da disputa presidencial, já que uma eventual rejeição definitiva do registro retiraria da corrida um candidato com forte capacidade de mobilização nas redes sociais.
