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Eleições 2026: 28 mulheres são eleitas para a Alesp; veja quem são, suas cidades e quantos votos receberam

Bancada feminina ocupará 29,8% das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa; ABC, Alto Tietê, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Araraquara, Marília, Grande São Paulo e Capital aparecem no novo mapa regional das mulheres eleitas

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO

As mulheres ganharam espaço na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo nas eleições de 2026, mas o resultado vai muito além de um único número.

São 28 mulheres eleitas entre os 94 deputados estaduais que formarão a nova Alesp a partir de 2027. Elas representarão 29,8% do Parlamento paulista, contra 25 mulheres eleitas em 2022.

São três cadeiras a mais.

Mas, para entender politicamente esse resultado, é preciso olhar para o mapa.

Há mulheres ligadas à Capital, Grande ABC, Alto Tietê, Grande São Paulo, Vale do Paraíba, Baixada Santista e diferentes polos do interior paulista.

E há outro dado poderoso: três mulheres terminaram entre os cinco candidatos mais votados de todo o Estado de São Paulo.

Eduarda Campopiano (PL) foi a campeã absoluta da eleição para a Alesp, com 1.956.238 votos. Sofia Favero (PSOL) terminou em terceiro lugar geral, com 407.773, enquanto Paula da Bancada Feminista (PSOL) ficou em quinto, com 326.190 votos.

É uma mudança relevante no desenho político paulista: as mulheres não apenas aumentaram numericamente sua presença na Assembleia — elas chegaram ao topo do ranking eleitoral do maior colégio eleitoral do Brasil.

AS 28 MULHERES ELEITAS PARA A ALESP

A Guardiã da Notícia organizou a nova bancada feminina por votação e com olhar para a origem ou principal referência territorial de cada parlamentar.

  1. Eduarda Campopiano (PL) — 1.956.238 votos
    Origem: Campinas | trajetória política em Praia Grande, Baixada Santista
    Nascida em Campinas, Campopiano construiu sua primeira experiência eleitoral em Praia Grande, onde foi eleita vereadora em 2024. Agora protagoniza uma das maiores surpresas das eleições paulistas: foi a candidata mais votada para a Assembleia em todo o estado.
  2. Sofia Favero (PSOL) — 407.773 votos
    Base política: Capital
    Com mais de 407 mil votos, terminou em terceiro lugar na classificação geral da eleição estadual e se tornou um dos principais nomes da nova composição da Alesp.
  3. Paula da Bancada Feminista (PSOL) — 326.190 votos
    Origem: São Paulo, Capital
    Nascida na Capital, Paula conquistou a quinta maior votação geral para deputado estadual. O resultado coloca duas mulheres do PSOL entre as cinco maiores votações do estado.
  4. Ediane Maria (PSOL) — 170.844 votos
    Origem: Floresta (PE) | base política: Capital e Região Metropolitana
    Nascida em Pernambuco e radicada em São Paulo, Ediane construiu sua trajetória política e social no estado e garantiu mais um mandato na Alesp.
  5. Luiza Erundina (PSOL) — 169.567 votos
    Origem: Uiraúna (PB) | base política: São Paulo, Capital
    Ex-prefeita da cidade de São Paulo e uma das figuras mais conhecidas da política brasileira, Erundina chega à Assembleia com quase 170 mil votos.
  6. Monica das Pretas (PSOL) — 159.100 votos
    Origem: Mogi das Cruzes | Alto Tietê
    Aqui está um dos resultados de maior interesse para o mapa regional da Guardiã. Monica Seixas é natural de Mogi das Cruzes, no Alto Tietê, e conquistou 159,1 mil votos.
  7. Bruna Furlan (Republicanos) — 157.381 votos
    Base política: Barueri | Região Metropolitana de São Paulo
    Com trajetória política fortemente associada a Barueri, Bruna retorna ao Legislativo estadual com mais de 157 mil votos.
  8. Dani Alonso (PL) — 155.574 votos
    Base política: Marília | Centro-Oeste paulista
    Dani Alonso mantém forte ligação eleitoral com Marília e a região. Recebeu mais de 155 mil votos e volta à Alesp como uma das mulheres mais votadas da nova legislatura.
  9. Regina Nunes (MDB) — 154.966 votos
    Origem: São Paulo, Capital
    Primeira-dama da Capital e esposa do prefeito Ricardo Nunes (MDB), Regina estreia na Assembleia com quase 155 mil votos.
  10. Duda Hidalgo (PT) — 154.953 votos
    Origem: Ribeirão Preto
    Nascida em Ribeirão Preto, Duda recebeu 154.953 votos. A distribuição eleitoral mostra a força de sua origem regional: somente em Ribeirão Preto foram mais de 42 mil votos, além de forte desempenho na Capital.
  11. Professora Bebel (PT) — 142.001 votos
    Origem: Piracicaba
    Natural de Piracicaba, Professora Bebel mantém uma das bases mais consolidadas no interior paulista. Foi reeleita com mais de 142 mil votos.
  12. Ana Carolina Serra (PSDB) — 132.881 votos
    Base política: Santo André | Grande ABC
    O Grande ABC terá um nome feminino de peso na próxima Assembleia. Ana Carolina Serra, ex-primeira-dama de Santo André e ligada politicamente à cidade, conquistou 132.881 votos.

O resultado mantém Santo André diretamente representado por uma mulher na Alesp e reforça a presença política do grupo do ex-prefeito Paulo Serra (PSDB) no Parlamento paulista.

  1. Mariana Conti (PSOL) — 126.344 votos
    Base política: Campinas
    Vereadora e liderança política de Campinas, Mariana Conti chega à Assembleia com 126.344 votos, fortalecendo a representação feminina da Região Metropolitana de Campinas.
  2. Delegada Graciela (PL) — 125.624 votos
    Origem: Pedregulho | base política: Franca
    Nascida em Pedregulho, Graciela construiu sua carreira profissional e política em Franca, onde foi vereadora e atuou durante décadas na Polícia Civil. Foi reeleita com mais de 125 mil votos.
  3. Marta Costa (PSD) — 100.083 votos
    Base política: São Paulo, Capital
    Marta Costa ultrapassou a marca dos 100 mil votos e mantém representação feminina ligada à Capital na Assembleia.
  4. Débora Camilo (PSOL) — 94.895 votos
    Origem e base política: Santos | Baixada Santista
    Natural de Santos e vereadora da cidade, Débora Camilo chega à Alesp com 94.895 votos. É uma das representantes femininas diretamente ligadas à Baixada Santista.
  5. Leticia Aguiar (PL) — 94.832 votos
    Origem: São José dos Campos | Vale do Paraíba
    O Vale do Paraíba mantém uma representante feminina diretamente ligada à região. Leticia é natural de São José dos Campos e recebeu 94.832 votos.

Sua eleição dá ao Vale uma voz feminina em uma Assembleia na qual a disputa regional por investimentos estaduais será decisiva nos próximos quatro anos.

  1. Carla Morando (PSD) — 94.596 votos
    Origem: São Caetano do Sul | base política: São Bernardo do Campo | Grande ABC
    Carla Morando nasceu em São Caetano do Sul, mas sua trajetória eleitoral está profundamente ligada a São Bernardo do Campo, onde consolidou sua principal base política.

Reeleita com 94.596 votos, mantém o Grande ABC representado na bancada feminina ao lado de Ana Carolina Serra.

  1. Analice Fernandes (PSD) — 88.784 votos
    Base política: Taboão da Serra e região sudoeste da Grande São Paulo
    Veterana da política paulista, Analice mantém forte inserção na Região Metropolitana e conquistou novo mandato com 88.784 votos.
  2. Ely Santos (Republicanos) — 82.559 votos
    Origem: São Paulo, Capital
    Ely Santos recebeu 82.559 votos e integra a bancada feminina do Republicanos na nova Assembleia.
  3. Thainara Faria (PT) — 81.485 votos
    Base política: Araraquara
    Uma das principais lideranças femininas da região central do estado, Thainara mantém em Araraquara uma referência importante de sua trajetória política e recebeu 81.485 votos.
  4. Marina Bragante (PSB) — 78.957 votos
    Origem e base política: São Paulo, Capital
    Nascida em São Paulo e vereadora da Capital, Marina foi eleita para a Assembleia com 78.957 votos.
  5. Solange Freitas (União Brasil) — 77.524 votos
    Base política: São Vicente | Baixada Santista
    A jornalista e ex-vereadora está politicamente vinculada a São Vicente e recebeu 77.524 votos, ampliando a presença da Baixada Santista entre as mulheres da nova Alesp.
  6. Camila Godoi (União Brasil) — 74.733 votos
    Base política: interior paulista
    Camila conquistou a cadeira por média, com 74.733 votos, e permanece entre as representantes femininas do interior na Assembleia.
  7. Renata Sene (Republicanos) — 73.526 votos
    Origem e base política: Francisco Morato | Região Metropolitana
    Ex-prefeita de Francisco Morato, cidade onde nasceu, Renata Sene conquistou 73.526 votos no estado.

O peso regional é impressionante: 35.203 votos vieram somente de Francisco Morato, onde concentrou mais de 42% dos votos válidos para deputado estadual. Somando Francisco Morato, Franco da Rocha, Caieiras, Mairiporã e Cajamar, foram 48.491 votos.

É um dos exemplos mais claros desta eleição de uma candidatura feminina sustentada por uma forte identidade territorial.

  1. Ana Perugini (PT) — 70.737 votos
    Base política: Hortolândia | Região Metropolitana de Campinas
    Ana Perugini mantém sua trajetória ligada a Hortolândia e à região de Campinas e garantiu novo mandato com 70.737 votos.
  2. Fabiana Bolsonaro (PL) — 61.183 votos
    Base política: interior paulista
    Fabiana Bolsonaro conquistou uma das cadeiras do PL com 61.183 votos, integrando a bancada feminina da maior legenda da próxima legislatura.
  3. Keit Lima (PSOL) — 58.984 votos
    Origem: Recife (PE) | base política: Brasilândia, Zona Norte da Capital
    Nascida no Recife e criada desde os oito anos na Brasilândia, Keit construiu sua trajetória política nas periferias da cidade de São Paulo. Vereadora da Capital, foi eleita deputada estadual com 58.984 votos.

ABC, ALTO TIETÊ, VALE, BAIXADA E INTERIOR ENTRAM NO MAPA

Quando os 28 nomes são colocados no mapa, a eleição feminina deixa de ser apenas uma estatística estadual.

No Grande ABC, Ana Carolina Serra leva Santo André para a bancada feminina, enquanto Carla Morando mantém sua força política vinculada a São Bernardo do Campo.

No Alto Tietê, Monica das Pretas tem uma ligação direta com Mogi das Cruzes, sua cidade natal.

No Vale do Paraíba, Leticia Aguiar mantém São José dos Campos representada.

Na Baixada Santista, aparecem diferentes trajetórias: Débora Camilo, ligada a Santos; Solange Freitas, a São Vicente; e Eduarda Campopiano, que nasceu em Campinas, mas iniciou sua carreira eleitoral em Praia Grande.

Na Grande São Paulo, Renata Sene transforma Francisco Morato em uma de suas grandes fortalezas eleitorais.

Já o interior apresenta polos femininos importantes em Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Araraquara, Marília e Franca, mostrando que o avanço das mulheres não ficou concentrado exclusivamente na Capital.

28 mulheres, mas 66 homens

O recorde, entretanto, precisa ser analisado com perspectiva.

Das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa, 28 serão ocupadas por mulheres e 66 por homens.

Isso significa:

Mulheres: 29,8%

Homens: 70,2%

A representação feminina cresceu em relação às 25 mulheres eleitas em 2022, mas sete em cada dez cadeiras da Alesp continuarão ocupadas por homens.

Portanto, São Paulo chega a uma situação aparentemente contraditória: terá uma das Assembleias Legislativas com maior participação feminina proporcional do Brasil e, mesmo assim, as mulheres ainda não alcançarão sequer um terço das cadeiras.

Três mulheres entre os cinco maiores fenômenos eleitorais

Há, porém, um dado que talvez seja ainda mais simbólico do que o crescimento de 25 para 28 cadeiras.

Entre os cinco candidatos mais votados para deputado estadual em todo o Estado de São Paulo, três são mulheres.

Eduarda Campopiano liderou a eleição com 1.956.238 votos.

Sofia Favero recebeu 407.773.

Paula da Bancada Feminista chegou a 326.190 votos.

Isso significa que as mulheres ocuparam o 1º, o 3º e o 5º lugares no ranking geral da disputa pela Assembleia.

Não estamos falando apenas de maior representação feminina. Estamos falando de mulheres ocupando o topo da preferência eleitoral em um estado com mais de 30 milhões de eleitores.

Da representação regional para a disputa pelo poder

O próximo capítulo começa dentro da Assembleia.

As 28 deputadas terão pela frente uma disputa que vai além do plenário: presidências de comissões, relatorias, liderança das bancadas, Mesa Diretora e participação na negociação do Orçamento do Estado.

E é justamente aí que o olhar regional será decisivo.

ABC, Alto Tietê, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Região Metropolitana, Campinas e interior dependem da Alesp para discussões que envolvem transporte, hospitais, escolas, segurança pública, habitação, saneamento e grandes obras estaduais.

Eleger uma deputada de determinada região não significa automaticamente garantir recursos para aquele território. Mas significa colocar uma liderança com vínculos políticos e eleitorais locais dentro do espaço onde o orçamento e as prioridades do Estado são discutidos.

As eleições de 2026 produziram, portanto, dois retratos.

O primeiro é histórico: 28 mulheres estarão entre os 94 deputados estaduais de São Paulo — a maior bancada feminina eleita para a Alesp.

O segundo mostra que ainda existe uma enorme distância: 66 das 94 cadeiras continuarão ocupadas por homens.

Mas há uma terceira leitura, fundamental para o jornalismo regional: essas 28 mulheres não representam apenas partidos.

Elas carregam cidades, regiões e bases eleitorais para dentro do Parlamento paulista.

E será a partir de fevereiro de 2027 que São Paulo descobrirá quanto dessa força conquistada nas urnas será convertida em poder político, orçamento e resultados concretos para os municípios.

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